A formação foi conduzida por Taciana dos Anjos, pedagoga, psicopedagoga, escritora e cofundadora da plataforma Flimpo Educação. A palestra reuniu educadores, profissionais da educação e equipes pedagógicas em um encontro marcado por reflexões, relatos emocionantes e orientações práticas sobre inclusão escolar.
Logo no início da apresentação, Taciana compartilhou sua trajetória como mulher autista diagnosticada na vida adulta e relatou experiências relacionadas às dificuldades escolares, sociais e emocionais enfrentadas durante a infância e a adolescência. Entre os temas abordados estiveram sensibilidade sensorial, dificuldades de socialização, mascaramento social, mutismo seletivo e sofrimento psíquico.
Ao longo da palestra, a especialista destacou que a inclusão escolar não pode ser romantizada e que reconhecer os desafios enfrentados pelos professores é essencial para a construção de soluções reais dentro das escolas. “É muito comum que o professor tenha medo ou pense que precisa estudar mais. Existe essa sensação de nunca estar pronto ou especialista suficiente para conseguir incluir. Só que, na verdade, isso acaba sendo uma grande barreira para a educação inclusiva”, afirmou Taciana.

Segundo ela, a proposta da formação foi justamente apresentar caminhos possíveis para que os educadores consigam iniciar práticas inclusivas de maneira mais acessível e sustentável. “O que nós conversamos hoje foi exatamente sobre como dar o primeiro passo, quais são as necessidades básicas e os pré-requisitos que o professor precisa garantir para que a inclusão ocorra de forma mais tranquila dentro da dinâmica escolar”, explicou.
Durante o encontro, a palestrante reforçou que inclusão não significa facilitar o ensino, mas garantir acesso ao aprendizado. Ela apresentou estratégias aplicáveis ao cotidiano escolar, como o uso de pictogramas e glossários ilustrados, recursos que auxiliam na comunicação e na compreensão dos conteúdos.
A palestrante também abordou temas como rigidez cognitiva, funções executivas, hiperfoco, seletividade alimentar, processamento sensorial e desenvolvimento socioemocional, sempre relacionando os conceitos à prática pedagógica.
Outro ponto destacado foi a importância do trabalho conjunto entre escola, família, profissionais da saúde, terapeutas e equipes pedagógicas para fortalecer o processo de inclusão.
Para Larissa Soares, diretora escolar de Franca, a formação representa um avanço importante para os profissionais da educação. “Acredito que a formação de hoje será um divisor de águas para todos os profissionais que estão aqui, porque ela une teoria e prática no nosso dia a dia, trazendo aplicabilidade com os alunos da educação especial e tornando a inclusão possível”, destacou.
Larissa também ressaltou a importância da formação continuada para os educadores. “A educação especial exige atualização constante. Esses alunos fazem parte da nossa realidade e nós precisamos nos adaptar para que a inclusão ocorra de verdade, na prática”, afirmou.
A secretária municipal de Educação de Guará, Bianca Araki, destacou a relevância das orientações práticas apresentadas durante o encontro. “O mais transformador foi perceber como o trabalho com imagens pode facilitar o dia a dia em sala de aula e trazer mais tranquilidade e confiança para os alunos”, disse.
A chefe da Seção de Projetos Especiais da Secretaria de Educação de Franca, Karla Borges, ressaltou a importância da capacitação diante do crescimento das matrículas de estudantes da educação especial. “O número de matrículas de alunos com deficiência, autismo e outras especificidades tem crescido exponencialmente. A capacitação dos gestores e professores é fundamental para garantir suporte adequado às escolas e melhorar o atendimento aos estudantes”, explicou.
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Fonte ==> Sebrae