Mais do que uma visita técnica, o roteiro funcionou como um laboratório de experiências, permitindo aos participantes conhecerem iniciativas que reúnem café, gastronomia, hospedagem, produção rural, artesanato, natureza e cultura e, ao mesmo tempo, visualizar possibilidades de novos produtos e serviços turísticos para o território.
A proposta também dialoga diretamente com a Indicação Geográfica (IG) do Café do Vale da Grama, reconhecimento que valoriza a identidade, a origem e a qualidade da produção cafeeira local. Nesse cenário, o turismo desponta como uma frente capaz de ampliar a conexão entre o café e o território, oferecendo ao visitante a oportunidade de conhecer não apenas o produto, mas também a paisagem, a gastronomia, o artesanato, as propriedades rurais e as histórias de quem produz.
Ao longo do percurso, cinco empreendimentos apresentaram diferentes possibilidades de integração entre produção e turismo, demonstrando como ativos já existentes podem ser estruturados para receber visitantes, gerar novas experiências e agregar valor aos produtos e serviços do território.
Hospitalidade e sabores locais
A primeira parada foi no Recanto Senhor Joe, propriedade de Ana Paula Garcia e José Olavo, que já atua com hospedagem e se prepara para incorporar uma nova experiência ao negócio: um café da manhã elaborado com produtos da região.
Para a atividade, os proprietários estabeleceram parcerias com produtores e empresas locais, reunindo queijos, iogurtes, bolos, pães recheados, cafés premiados e outros itens. A experiência foi complementada pela apresentação de um saxofonista da região.
A proposta é que o Recanto Senhor Joe, além de manter a hospedagem, possa receber visitantes de forma programada para um café com produtos locais, em ambiente acolhedor, cercado pela natureza e acompanhado de música.
A segunda parada foi o Sítio São Francisco, do produtor José Luiz Bertoletti, onde o grupo conheceu uma criação de suínos conduzida sob critérios de sustentabilidade, sanidade e higiene. Os animais são criados soltos e recebem alimentação balanceada. Durante a visita, os participantes conheceram as instalações, os animais e seus filhotes e puderam compreender melhor os processos adotados na propriedade.
O local também apresentou produtos artesanais e derivados da produção suína, entre eles embutidos e carne na lata, elaborados por Gildo Domarco, do Rancho do Porco. A experiência evidenciou como a produção rural pode se articular à gastronomia e ao turismo de experiência.
Café, história e novas possibilidades
Na Fazenda Marianna, de Eduardo Ottoni, os visitantes conheceram a história da propriedade, suas instalações, o processo de torrefação e a paixão do proprietário pelo aeromodelismo. A visita também serviu para apresentar ideias relacionadas à futura recepção de turistas.
Os participantes degustaram café especial acompanhado de bolos e pão de queijo e conheceram ainda a sede da fazenda, cuja estrutura apresenta potencial para funcionar como opção de hospedagem e integrar uma futura experiência turística.
Na sequência, o grupo esteve na Pousada do Flavinho, empreendimento que já atua no setor de hospedagem e tem possibilidades de ampliar sua presença no turismo, especialmente por meio da realização de eventos. Entre os diferenciais apresentados estão o deck contemplativo, as instalações de hospedagem, as opções de day use e a oferta de refeições.
A quinta e última parada foi a Fazenda Recreio, produtora do espumante Mirante do Vale e reconhecida por resultados e premiações na produção de café. O empreendimento conta com um mirante com vista privilegiada para o Vale da Grama, onde os participantes vivenciaram uma experiência de contemplação acompanhada de café especial e produtos locais, como manteiga e iogurte dos Quitutes da Dona Laura, pão de queijo e bolo, entre outros.
O roteiro evidenciou como a combinação entre natureza, cafés especiais, gastronomia, produtos artesanais e paisagens pode dar origem a diferentes formatos de visitação e experiências turísticas.
Turismo como extensão da Indicação Geográfica
Para Valdir Duarte, presidente da Associação dos Cafeicultores do Vale da Grama, o desenvolvimento do turismo representa uma oportunidade importante para fortalecer a Indicação Geográfica do café e ampliar a percepção do território para além do produto. “A IG ganha muito com o turismo. O artesanato, as rotas, a gastronomia e todas essas experiências trazem opções para o visitante permanecer mais tempo no território ou simplesmente fazer uma visita, conhecendo aquilo que produzimos. Isso agrega valor à IG do café, porque o visitante passa a conhecer não apenas o café, mas toda a história, a cultura e as pessoas que estão por trás desse produto”, destaca.
Um território a ser descoberto
A segunda edição do Tour no Vale – Um dia para conhecer o que é nosso reforçou a importância de reconhecer o território a partir de suas próprias vocações e riquezas. Ao colocar os participantes em contato direto com os empreendimentos, a iniciativa permitiu testar experiências, aproximar diferentes atores e identificar caminhos para transformar ativos existentes em novas oportunidades de negócios e de desenvolvimento turístico.
O movimento também evidencia as possibilidades de integração entre produção e turismo. A força da cafeicultura e da Indicação Geográfica do Café do Vale da Grama pode se conectar a hospedagens, gastronomia, artesanato, paisagens, roteiros rurais e experiências nas propriedades, ampliando as alternativas para quem visita a região.
Nesse modelo, o visitante deixa de ser apenas consumidor de um produto e passa a conhecer seu território de origem, sua história, seus produtores e os elementos culturais e naturais que ajudam a construir a identidade do Vale da Grama.
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Fonte ==> Sebrae