Especialistas alertam que poucos minutos observando as costas dos filhos podem fazer a diferença entre tratamento simples e cirurgia complexa
A escoliose é uma das deformidades mais frequentes da coluna vertebral durante a infância e adolescência, afetando milhões de jovens em todo o mundo. Apesar disso, muitos casos ainda são descobertos tardiamente, quando as curvas já evoluíram significativamente e as possibilidades de tratamento conservador se tornam mais limitadas.
Durante o Junho Verde, mês dedicado à conscientização sobre a escoliose, médicos especialistas reforçam uma mensagem considerada fundamental: o diagnóstico precoce pode preservar a qualidade de vida e evitar cirurgias de grande porte no futuro.
Doença costuma evoluir de forma silenciosa
Na maioria dos casos, a escoliose surge durante o estirão de crescimento, especialmente entre os 10 e 16 anos de idade. O problema, porém, costuma evoluir silenciosamente, sem causar dor nas fases iniciais.
Por isso, especialistas alertam que os pais não devem esperar sintomas para buscar avaliação médica. Os principais sinais geralmente são visuais e podem ser percebidos no dia a dia.
Entre os indícios mais comuns estão:
- Um ombro mais alto que o outro;
- Assimetria da cintura;
- Escápula mais saliente;
- Diferenças no alinhamento das costas;
- Inclinação do tronco.
Segundo médicos especialistas em coluna, poucos minutos de observação podem fazer toda a diferença no futuro da criança.
Diagnóstico precoce evita cirurgias em grande parte dos casos
O que muitas famílias ainda desconhecem é que a identificação precoce da escoliose permite tratamentos conservadores altamente eficazes, reduzindo significativamente a necessidade de procedimentos cirúrgicos.
Entre as abordagens mais utilizadas está o colete ortopédico, indicado principalmente para pacientes em fase de crescimento e com risco de progressão da curva.
De acordo com especialistas, o uso correto do colete pode reduzir em aproximadamente 70% a necessidade de cirurgia nos casos adequadamente diagnosticados e acompanhados.
O dado é considerado uma das maiores conquistas da medicina moderna no tratamento das deformidades da coluna.
Tempo é fator decisivo no tratamento
Para os especialistas, a principal dificuldade ainda está no diagnóstico tardio. Quanto mais cedo a escoliose é identificada, maiores são as chances de controlar a evolução da deformidade e evitar impactos físicos e emocionais na vida do paciente.
“Na escoliose, o tempo faz diferença. Muitas vezes, alguns minutos de observação dos pais podem representar a diferença entre um tratamento simples e uma cirurgia complexa anos depois”, alertam os profissionais da área.
A recomendação é que crianças e adolescentes tenham a coluna observada regularmente durante toda a fase de crescimento, especialmente durante a puberdade, quando ocorre o maior pico de desenvolvimento ósseo.
Junho Verde reforça conscientização sobre saúde da coluna
A campanha Junho Verde busca ampliar a conscientização sobre a importância da detecção precoce da escoliose e estimular a participação ativa de pais, escolas, pediatras e profissionais de saúde na identificação dos sinais iniciais da doença.
O objetivo é garantir que mais jovens tenham acesso ao diagnóstico no momento correto, aumentando as chances de tratamentos menos invasivos e melhores resultados a longo prazo.
Referência nacional em deformidades da coluna
Entre os especialistas que reforçam a importância da conscientização está o Dr. Carlos Eduardo Barsotti, médico ortopedista formado pela Faculdade de Medicina da USP, integrante do Núcleo de Coluna do Hospital Sírio-Libanês e membro de sociedades nacionais e internacionais dedicadas ao tratamento das deformidades da coluna vertebral.

Com atuação voltada ao diagnóstico e tratamento das doenças da coluna, o especialista destaca que informação e prevenção continuam sendo as ferramentas mais importantes para reduzir os impactos da escoliose na vida de crianças e adolescentes.
Porque, quando falamos em escoliose, prevenir significa preservar o futuro.
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Dr. Carlos Eduardo Barsotti
Médico ortopedista Formado pela
Faculdade de medicina da USP- SP, médico do Núcleo de Coluna do Hospital Sírio-Libanês e membro de sociedades nacionais e internacionais dedicadas ao tratamento das deformidades da coluna.