Khalilur Rahman eleito presidente da 81ª Assembleia Geral da ONU

Khalilur Rahman eleito presidente da 81ª Assembleia Geral da ONU

Numa votação renhida, o atual ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Khalilur Rahman, foi eleito nesta terça-feira para presidir a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. 

Para liderar a sessão, que começa em setembro próximo, Rahman venceu o candidato Andreas Kakouris, do Chipre, por uma margem estreita de 99 votos contra 91, num universo de 190 Estados-membros votantes. 

Defesa da Carta da ONU como necessidade diária

Doutor em Economia pela Universidade de Harvard, o próximo presidente do maior órgão deliberativo das Nações Unidas assume a liderança da Casa num momento de “viragem histórica e profundos desafios geopolíticos”.

O primeiro discurso de felicitações coube à Annalena Baerbock, presidente da 80ª sessão da Casa. Ela frisou que a defesa da Carta das Nações Unidas é “uma necessidade diária”, que recai sobretudo sobre a Assembleia Geral, seu presidente e o secretário-geral.

Baerbock realçou que o órgão terá de continuar focado em processos intergovernamentais cruciais, como a implementação prática do Pacto para o Futuro e os esforços de reforma através da Iniciativa ONU80, em colaboração com o secretário-geral.

ONU/Manuel Elias
Próximo presidente do maior órgão deliberativo das Nações Unidas assume a liderança da Casa num momento de viragem histórica

Desafios e novas possibilidades

O tema de Khalilur Rahman na corrida para presidência foi “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Servem a Todos”, numa tradução livre. O secretário-geral disse ser um inspirador apelo à ação para o sistema multilateral 

António Guterres disse que Khalilur Rahman assume o posto num momento de “profundo desafio, mas também de profunda possibilidade”. 

O secretário-geral traçou um diagnóstico do mundo que “enfrenta conflitos, divisões crescentes, caos climático e um progresso inaceitável nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável onde um quinto das metas está no rumo certo.”

O líder da ONU apontou ainda o anacronismo das estruturas globais ao realçar a luta com instituições e estruturas que ficaram presas no mundo de 1945, e não na realidade atual, desde o Conselho de Segurança à arquitetura financeira global.

Num contexto em que as necessidades humanitárias atingem recordes, o secretário-geral lembrou que o financiamento ao auxílio essencial e ao progresso sustentável continua a diminuir, aprofundando o défice de confiança entre as nações.

Foto da ONU/Loey Felipe
Um quinto das metas globais está no caminho certo em mundo marcado por crise climática e recordes de necessidades humanitárias

A Esperança na Ação Coletiva

Mesmo com este panorama, Guterres expressou uma esperança renovada baseada no trabalho diário de diálogo e colaboração que ocorre na Assembleia Geral. 

Para o secretário-geral, o Pacto para o Futuro e a Iniciativa ONU80 representam o plano de ação necessário para aplicar reformas ousadas e conduzir a organização rumo aos dias vindouros.

Guterres defende que o mandato de Khalilur Rahman na 81ª sessão da Assembleia Geral será essencial para tornar esses compromissos em soluções reais, capazes de devolver ao mundo a fé no multilateralismo e na eficácia das Nações Unidas.

Até assumir o cargo, Rahman foi ministro dos Negócios Estrangeiros de Bangladesh numa trajetória em que serviu à diplomacia e à segurança nacional. 

Antes de conduzir as relações do país com o mundo, ele foi assessor de Segurança Nacional e alto representante para a Questão dos Rohingya no governo interino como parte da carreira diplomática iniciada em 1979.

*Eleutério Guevane é jornalista sênior da ONU News.



Fonte ==> Gazeta

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