Nasa dá novo impulso à espaçonave Starliner, da Boeing – 29/09/2026 – Ciência

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A Nasa não desistiu da problemática Starliner, da Boeing.

A espaçonave levou astronautas ao espaço somente uma vez, há mais de dois anos. Os astronautas Sunita Williams e Barry Wilmore acabaram tendo de ficar na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) por nove meses devido a problemas no sistema de propulsão da espaçonave. A agência espacial recorreu a uma alternativa para o retorno deles à Terra a bordo de uma Crew Dragon, da SpaceX.

Apesar dos contratempos, a Nasa anunciou nesta segunda-feira (28) que pagará à Boeing mais US$ 359 milhões (R$ 1,8 bilhão) para a execução de mudanças no projeto e certificar a Starliner para ser lançada por um foguete diferente daquele que já foi utilizado.

“Dado o nosso longo histórico com a Starliner e o investimento já feito pelos contribuintes, acreditamos que ela representa o caminho mais rápido para preservar um acesso tripulado confiável à órbita baixa da Terra”, disse Jared Isaacman, administrador da Nasa, durante uma entrevista coletiva nesta segunda-feira.

A próxima viagem da Starliner à estação espacial poderá ocorrer já em dezembro deste ano, mas essa missão levará apenas carga, não astronautas. A viagem seguinte, com astronautas, não deverá ocorrer antes de meados de 2028, enquanto a Boeing e a Nasa concluem as correções no projeto.

Isaacman anunciou que o astronauta Woody Hoburg, da Nasa, será o comandante do próximo voo tripulado. “Tenho enorme confiança nas decisões que estamos anunciando hoje”, disse Hoburg durante a entrevista coletiva.

Em 2014, a Nasa contratou a Boeing e a SpaceX, de Elon Musk, para transportar astronautas à estação espacial. As duas empresas levaram anos a mais do que haviam prometido inicialmente. Só em 2020 a SpaceX conseguiu enviar dois astronautas até lá em um voo de teste.

Desde então, a SpaceX lançou uma dúzia de missões operacionais transportando tripulantes. A 13ª está programada para decolar nesta quinta-feira (1º).

Neste mês, a Nasa concedeu à SpaceX mais três missões da Crew Dragon, no valor de US$ 946 milhões (R$ 4,9 bilhões), previstas para 2027 e 2028. Os planos da agência preveem a desativação da Estação Espacial Internacional em 2030, quando deverá ser substituída por estações comerciais.

Executivos da SpaceX afirmaram que pretendem aposentar a espaçonave Crew Dragon, assim como o foguete que a leva ao espaço, o Falcon 9, depois que o novo foguete da empresa, o gigantesco Starship, entrar em operação.

O veículo chegou à órbita pela primeira vez durante seu 14º voo de teste, nesta segunda-feira, embora tenha retornado à Terra antes do previsto e o voo tenha terminado em uma bola de fogo no oceano Pacífico.

“Certificar a Starliner, da Boeing, é importante tanto para dar suporte à ISS quanto para futuros destinos comerciais”, disse Dana Weigel, gerente do programa de órbita baixa da Terra da Nasa.

No entanto, as três missões da Starliner da Boeing —duas sem astronautas e uma em junho de 2024, com Williams e Wilmore— apresentaram falhas técnicas significativas.

Durante a missão de junho de 2024, os propulsores da Starliner falharam quando a nave se aproximava da estação espacial. Um número suficiente deles voltou a funcionar, permitindo que os astronautas fizessem a acoplagem com sucesso. O sistema de propulsão da espaçonave também sofreu vazamentos de hélio.

Enquanto engenheiros da Boeing e da Nasa tentavam entender o que havia dado errado, Williams e Wilmore —cuja permanência na ISS deveria ser de oito dias— permaneceram na estação por meses.

No fim, a Nasa decidiu que a Starliner retornaria vazia, e os dois astronautas acabaram voltando à Terra em uma espaçonave Crew Dragon, da SpaceX.

Em fevereiro deste ano, a Nasa divulgou um relatório com duras críticas à Boeing e classificou a missão como um “acidente tipo A”, a designação de nível mais alto para o fracasso de uma missão.

“A Boeing e a Nasa estão comprometidas com a Starliner como fornecedora de longo prazo de voos espaciais tripulados dos Estados Unidos para a órbita terrestre baixa”, afirmou John Mulholland, vice-presidente e gerente do programa de tripulação comercial da Boeing.

Weigel disse que a Nasa e a Boeing entenderam por que os problemas haviam ocorrido e quais mudanças eram necessárias.

No futuro, a Starliner precisará ser adaptada para um novo foguete. Ela foi projetada para voar no foguete Atlas V, da United Launch Alliance (ULA), mas restam apenas seis unidades desse modelo, que utiliza motores fabricados na Rússia.

O Vulcan, sucessor do Atlas V da ULA, ainda não está certificado para voos espaciais tripulados. A Nasa arcará com os custos desse trabalho.

Weigel afirmou que continuava sendo importante para a Nasa ter duas opções de transporte disponíveis. “Assim, se eu tiver algum problema —seja um foguete impedido de voar ou algum contratempo com uma espaçonave tripulada—, posso fazer um ajuste e recorrer a outro veículo.”



Fonte ==> Folha SP – TEC

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