À frente da Polirad, empresa brasileira de biotecnologia que desenvolve materiais sustentáveis para aplicações industriais e na construção civil, Roberta encontrou no negócio uma oportunidade de unir visão empresarial e inovação. O diferencial está nas soluções baseadas em química verde e economia circular, incluindo materiais que aproveitam resíduos orgânicos e alternativas de origem vegetal aos derivados de petróleo.
“Quando todo mundo enxerga o lixo como fim, nós vemos a oportunidade de mudar o planeta.” A frase resume uma maneira de olhar para os desafios do negócio: não apenas como problemas a resolver, mas como oportunidades para desenvolver novas soluções.
A relação de Roberta com a empresa, porém, não começou na posição de liderança. Antes de assumir a gestão, ela trabalhava em uma multinacional e acompanhava a Polirad de maneira mais distante. Já reconhecia o potencial dos produtos, mas foi depois da morte do pai que precisou ocupar o lugar de quem toma as decisões e conduz os próximos passos.
A experiência acumulada no mercado corporativo contribuiu para essa transição. Ao longo do tempo, Roberta aprendeu a descentralizar atividades, estruturar a equipe e dedicar mais atenção à estratégia do negócio. Ainda assim, assumir a liderança significou enfrentar dúvidas que nem sempre aparecem nos resultados de uma empresa.
É justamente nesse ponto que o prêmio ganha um significado particular. Roberta não costumava enxergar o próprio trabalho como algo extraordinário. O reconhecimento, no entanto, ajudou a ampliar sua percepção sobre o que vem construindo.
“Eu não olho para o meu negócio e penso que ele é diferente ou extraordinário. Para mim, é o trabalho que precisa ser feito todos os dias. Receber esse prêmio me fez perceber que aquilo que estamos construindo tem valor e um propósito maior capaz de inspirar outras pessoas. É uma confirmação de que estou no caminho certo, mas também sei que ainda temos muito a fazer”, afirma.

“Quando uma mulher tem seu trabalho reconhecido, ela ganha visibilidade, credibilidade e novas oportunidades para o negócio. Mas existe também um valor coletivo: essas mulheres passam a se conectar, trocar experiências e abrir caminhos umas para as outras. O empreendedorismo feminino se fortalece quando uma conquista individual também impulsiona outras mulheres”, destaca.

“Araraquara tem uma produção científica importante e reúne instituições e profissionais capazes de desenvolver conhecimento de qualidade. Um dos grandes desafios é transformar esse conhecimento em soluções que cheguem ao mercado. A trajetória da Roberta mostra como o empreendedorismo pode fazer essa conexão entre ciência, tecnologia e oportunidade de negócio”, avalia.
O prêmio representa, segundo Roberta, um incentivo para seguir em frente. Depois de assumir uma empresa com história, reconhecer o potencial do negócio e construir sua própria forma de conduzi-lo, ela encontra no reconhecimento a confirmação de que está no caminho certo mesmo sabendo que ainda há muito a fazer.
Fonte ==> Sebrae