Látex de jaca combinado com estatinas mostra potencial contra a periodontite

Látex de jaca combinado com estatinas mostra potencial contra a periodontite

Materiais Funcionais

Látex de jaca combinado com estatinas mostra potencial contra a periodontite

Biomaterial, que também contém extrato de casca de romã, mostrou-se eficiente para combater a infecção, a inflamação e a perda de tecido ósseo dos dentes em testes laboratoriais

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Látex de jaca combinado com estatinas mostra potencial contra a periodontite

Biomaterial, que também contém extrato de casca de romã, mostrou-se eficiente para combater a infecção, a inflamação e a perda de tecido ósseo dos dentes em testes laboratoriais

Segundo pesquisadora, o látex extraído da jaca apresenta uma característica adesiva, podendo permanecer mais tempo no local afetado pela periodontite, o que favorece a liberação mais direcionada de compostos terapêuticos (imagem: Brieuc Fertard/iNaturalist)

Thais Szegö | Agência FAPESP – Pesquisadores brasileiros desenvolveram um biomaterial à base de látex de jaca, extrato de casca de romã e sinvastatina (medicamento à base de estatinas) que se mostrou promissor para o tratamento da periodontite em testes de laboratório.

A periodontite é uma enfermidade inflamatória crônica, de origem infecciosa, que leva à destruição progressiva dos tecidos de suporte do dente, resultando em reabsorção óssea e perda de inserção (perda do dente).

Os tratamentos convencionais visam controlar a infecção e a inflamação, sem promover a renovação dos tecidos periodontais de maneira efetiva, o que faz com que tenham resultados limitados em longo prazo. Técnicas como regeneração tecidual guiada e enxerto ósseo já foram propostas para esses casos, mas seus efeitos clínicos permanecem variáveis e, por vezes, imprevisíveis.

Para reverter esse problema, os pesquisadores focaram em explorar biomateriais naturais e bioativos que pudessem atuar de forma integrada no combate ao quadro. O trabalho foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Sorocaba. Os resultados foram divulgados na revista Polymer Bulletin.

“Começamos a ver o látex extraído da jaca como uma alternativa interessante, pois ele apresenta uma característica adesiva. Isso nos fez pensar que ele poderia permanecer mais tempo no local afetado pela periodontite, favorecendo a liberação mais direcionada dos compostos terapêuticos e, potencialmente, reduzindo a necessidade do uso sistêmico de antibióticos”, conta a professora Eliana Aparecida de Rezende Duek, do Departamento de Cirurgia da FCMS, que coordenou o trabalho apoiado pela FAPESP (projetos 23/17083-8 e 23/12039-0).

Combinação de ativos

O látex, após extraído, foi combinado com extrato de casca de romã, que tem reconhecido potencial antimicrobiano para aplicação local, e sinvastatina, um fármaco com atividade anti-inflamatória que tem sido amplamente estudado pelo seu potencial de estimular a formação óssea. A combinação desses elementos resultou em uma matriz mucoadesiva (ou seja, que adere às mucosas do corpo) com capacidade de atuar diretamente no local da lesão.

O efeito da sinvastatina aplicada localmente também se torna mais eficaz, já que, quando a substância é administrada por via oral, é predominantemente retida pelo fígado, com apenas uma pequena fração atingindo a circulação sistêmica, o que exige doses mais elevadas que podem aumentar o risco de efeitos adversos, incluindo degeneração muscular aguda.

No trabalho, os cientistas fizeram um experimento em que o látex, após ser extraído manualmente de jacas recém-colhidas, passou por um processo cuidadoso de purificação. A partir dessa matriz foi incorporado o extrato de casca de romã. Ao longo do estudo, foi realizada uma série de caracterizações físico-químicas e biológicas para entender melhor a estrutura e o comportamento do material.

Para avaliar a eficácia, foi conduzido um ensaio in vitro com células-tronco derivadas do tecido adiposo humano com a formulação e diferentes concentrações da sinvastatina (0,3%, 0,6% e 1,2%) que não alteraram a estrutura do gel e são tecnicamente seguras. Todas se mostraram capazes de aumentar a osteoindução (ou seja, fazer com que as células-tronco se diferenciassem em osteoblastos, as células responsáveis pela formação de novo tecido ósseo) em 14 dias, com um efeito ainda mais pronunciado após 21 dias, corroborando o potencial do material para o tratamento da periodontite.

“De forma geral, os resultados foram bastante animadores para nós. Observamos que o biomaterial desenvolvido apresenta um grande potencial para aplicações futuras no tratamento da periodontite e até em outras áreas, especialmente por envolver um material ainda pouco explorado na literatura científica para uso biomédico”, diz Duek. 

Apesar dos resultados bastante promissores, pondera a pesquisadora, ainda será preciso vencer etapas importantes da pesquisa, como testes em animais e em pacientes.

O artigo Jackfruit latex-pomegranate extract biomaterial incorporated with simvastatin as a potential osteoinductive system for periodontal applications pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1007/s00289-026-06358-w.



Fonte ==> Folha SP

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