Empresas familiares fortalecem economia no Alto Tietê e inspiram novas gerações | ASN São Paulo

Empresas familiares fortalecem economia no Alto Tietê e inspiram novas gerações | ASN São Paulo

Ercílio Hoçoya

A agricultura é um dos principais pilares econômicos da região, consolidando o Alto Tietê como o Cinturão Verde do Estado de São Paulo. Dados do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e Região (Condemat+) apontam que o setor movimenta mais de R$ 1 bilhão em faturamento bruto por ano. O território produz cerca de 800 mil toneladas de hortaliças anualmente, além de mais de 60 mil toneladas de frutas, com destaque para o caqui e a nêspera.

Essas frutas são o carro-chefe da Fruticultura Hoçoya, empresa familiar com mais de 60 anos de história e atualmente na terceira geração de produtores rurais. A propriedade também cultiva lichia e pitaia e é referência na produção das chamadas frutas de mesa, reconhecidas pela qualidade, aparência e manejo diferenciado.

Fundada pelos avós de Ercílio, a propriedade foi adquirida já com pés de caqui e, durante 30 anos consecutivos, conquistou o prêmio de melhor caqui Fuyu do Brasil. Posteriormente, sob a gestão de Takeo Hoçoya, a produção foi diversificada com culturas como ponkan, abacate e murcote.

“Desde pequenos, meus irmãos e eu ajudávamos na propriedade, mas, na adolescência, eu não gostava muito da roça. Depois de uma entrevista que meu pai concedeu a um jornal, falando sobre sucessão e dizendo que esperava que um dos filhos assumisse o negócio, fiquei sensibilizado e decidi tentar o vestibular para Agronomia. Como não passei, optei por cursar Administração para contribuir com a gestão da empresa. Tivemos algumas divergências, não concluí a faculdade e fui morar fora do Brasil”, relembra.

Ao retornar ao país, em 2006, Ercílio voltou a atuar na empresa, assumindo uma das propriedades da família.

“Por mais experiência que meu pai tivesse, ele me deixou tentar e errar. Foi assim que me ensinou. Não ficava cobrando ou pressionando. Ele me dava liberdade e, depois, explicava por que determinada decisão não tinha dado certo. Essa forma de transição foi muito positiva, sempre baseada no diálogo e no apoio”, afirma.

Para o empresário, um dos principais desafios enfrentados pelo setor é a sucessão familiar. Segundo ele, muitas propriedades deixam de ter continuidade e acabam sendo vendidas, principalmente para loteamentos.

“Esse é um tema muito discutido. Um dos grandes desafios é tornar essas empresas sustentáveis e rentáveis para despertar o interesse para sucessão. Durante muito tempo, a agricultura foi vista como um caminho para quem não estudou, mas essa realidade mudou. Hoje o setor utiliza tecnologias avançadas, como drones para pulverização, além de oferecer oportunidades nas áreas de gestão, liderança e administração dos negócios”, destaca.

Hoje, Ercílio reconhece a responsabilidade de dar continuidade ao legado construído pela família e compartilha conselhos para pais e filhos que vivem a realidade das empresas familiares.

“O maior desafio para mim, como terceira geração, é carregar o peso dessa trajetória. Existe a comparação com as conquistas dos meus avós e do meu pai, além da responsabilidade de manter e expandir o negócio. Aos pais, digo que permitam que os filhos errem, não cobrem tanto e deixem claro que estarão sempre ao lado deles, oferecendo apoio. E, para quem está no agronegócio, digo para não desistir. É um setor muito desafiador, seja pelo clima ou pela rotina intensa, mas poder alimentar uma família com uma fruta ou uma verdura é algo gratificante. É fantástico”, ressalta.



Fonte ==> Sebrae

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