A Amazon fechou um acordo de US$ 11,6 bilhões (R$ 57,83 bilhões) para adquirir o grupo de satélites Globalstar. A aquisição reforçará o embate entre a multinacional e a Starlink, de Elon Musk, com seu próprio negócio rival de satélites em órbita da Terra.
O acordo, anunciado na terça-feira (14), é uma das maiores aquisições da história da Amazon e fortalecerá os esforços do grupo sediado em Seattle para alcançar a liderança da SpaceX no setor. O jornal Financial Times já havia antecipado as negociações entre os dois grupos.
“Ao combinar a experiência comprovada e a base sólida da Globalstar com a obsessão pelo cliente e a inovação da Amazon, os clientes podem esperar um serviço mais rápido e confiável em mais lugares”, disse Panos Panay, vice-presidente sênior de dispositivos e serviços da Amazon.
Para os acionistas, Amazon informou que oferecerá US$ 90 (R$ 448,71) por ação da Globalstar ou 0,32 ações da Amazon, sujeito a várias outras condições. A expectativa é que o acordo seja concluído no próximo ano.
Ao adquirir a Globalstar, fundada em 1991, a Amazon também garantirá direitos imediatos ao espectro de ondas de rádio, abrindo caminho para fornecer comunicações móveis diretas para dispositivos (D2D) no futuro.
O serviço, que já é oferecido pela Starlink, fornece conectividade móvel a usuários que estão fora das redes móveis terrestres.
Painel S.A.
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As ações da Globalstar dispararam nos últimos meses em meio a especulações sobre aquisição. Suas ações subiram mais de 270% no último ano, fechando na segunda-feira (13) a US$ 73 antes do anúncio da Amazon.
Um fator que complicou as negociações foi a participação de 20% da Apple na Globalstar. Como parte do acordo, a Amazon concordou que sua unidade de satélites Leo apoiará o serviço de satélite para os produtos iPhone e Watch da Apple, incluindo o serviço de SOS de emergência.
A Amazon tem mais de 200 satélites em órbita, mas sua implantação é ofuscada pelos mais de 10 mil satélites ativos operados pela SpaceX, controladora da Starlink. Devido ao atraso na implantação, em fevereiro a Amazon foi forçada a solicitar uma extensão de dois anos do prazo de julho junto à Comissão Federal de Comunicações para o lançamento de 1.600 satélites.
A Amazon planeja ter cerca de 700 satélites no espaço até meados deste ano, mas afirmou que a escassez de capacidade de lançamento está prejudicando a expansão de seu serviço, de acordo com documentos regulatórios.
Apesar dos desafios, a Amazon assinou contratos com a JetBlue e a Delta Air Lines para serviços de internet em voos com início em 2027 e 2028, respectivamente.
A Amazon assinou contratos com a JetBlue e a Delta Air Lines para serviços de internet em voos com início em 2027 e 2028, respectivamente.
Andy Jassy, CEO da Amazon, disse aos investidores em fevereiro que a Leo fazia parte de um conjunto de “oportunidades incrementais” que estavam sendo focadas pela gigante do comércio eletrônico de US$ 2,2 trilhões.
A Globalstar reportou receita anual de US$ 273 milhões (R$ 1,36 bilhão) em seus últimos resultados anuais, um aumento de 9% em relação a 2024. A receita operacional foi de US$ 7,4 milhões em 2025, uma recuperação após um pequeno prejuízo no ano anterior.
O acordo é uma das maiores aquisições da história da Amazon, ficando abaixo da aquisição de US$ 13,7 bilhões da rede de supermercados premium Whole Foods em 2017, mas maior que a aquisição de US$ 8,45 bilhões do estúdio de cinema MGM, fechada em 2021.
Fonte ==> Folha SP – TEC