Como Mestre de Cerimônias do Projuris Summit 2026, acompanhei de uma posição privilegiada um dia de discussões sobre inteligência artificial, dados, automação, liderança e os novos caminhos do mercado jurídico.

No dia 27 de agosto, tive a oportunidade de conduzir como Mestre de Cerimônias o Projuris Summit 2026, em São Paulo.
Mais do que uma agenda de palestras, painéis e cases, o encontro propôs uma jornada sobre a evolução do jurídico: da organização e eficiência das operações ao uso de dados, automação e inteligência artificial como apoio à tomada de decisão. A própria Projuris definiu a proposta do Summit como um caminho para que cada participante pudesse compreender onde está, para onde pode avançar e como construir essa evolução.
E, depois de acompanhar todas essas conversas do palco, uma percepção ficou especialmente forte para mim: quanto mais falamos sobre tecnologia, mais precisamos falar sobre pessoas, responsabilidade e capacidade de decisão.
O futuro do jurídico começou com uma pergunta humana

A programação começou justamente nesse ponto.
Na palestra de abertura, André Marsiglia trouxe para o palco as tensões jurídicas entre a inteligência artificial e o ser humano.
E a pergunta que usamos para abrir essa conversa sintetizou muito do que viria pela frente:
Se a tecnologia consegue produzir respostas, quem responde pelas consequências?
Essa provocação atravessou, de diferentes maneiras, boa parte do Summit.
Porque adotar uma nova tecnologia é uma decisão. Saber onde aplicá-la, quais limites estabelecer, quais dados considerar e quem permanece responsável pelas consequências é outra discussão — muito mais estratégica.
Da discussão para a prática
Depois da provocação inicial, o Summit trouxe a tecnologia para dentro da operação jurídica.
Cases de organizações como Grupo Savegnago, Erbe Incorporadora e Meirelles Ramos Advocacia mostraram aplicações envolvendo colaboração, Legal Analytics, automação, dashboards, integração e novas formas de relacionamento e gestão.
Foi interessante perceber uma conexão entre experiências tão diferentes: tecnologia por si só não era a história principal.
A história estava no problema que cada organização precisava resolver.
Essa talvez tenha sido uma das mensagens mais relevantes do dia. A transformação não começa necessariamente pela pergunta “qual tecnologia podemos usar?”, mas por outra: “o que precisamos fazer melhor?”
Liderança também é tecnologia
Essa discussão ganhou outra dimensão no painel dedicado aos líderes que transformam tecnologia em vantagem competitiva.
Quando falamos em inovação, é fácil concentrar a conversa na ferramenta. Mas alguém precisa decidir o que automatizar, quais indicadores realmente importam, como implementar uma mudança e, principalmente, como fazer as pessoas participarem dela.
Por isso, liderança, cultura, governança e Legal Operations estiveram tão presentes quanto inteligência artificial.
E isso ajuda a explicar o próprio posicionamento atual da Projuris, que apresenta sua atuação conectando gestão, dados, automação e IA para apoiar eficiência e decisão nas operações jurídicas.
Depois de adotar IA, o que acontece?

À tarde, a conversa avançou.
Se a primeira fase do mercado foi descobrir inteligência artificial e a segunda foi experimentar ferramentas, surge agora uma questão mais madura: o que muda na organização quando a IA deixa de ser novidade e começa a fazer parte do trabalho?
As participações de Iago Capistrano e Paulo Silvestre, entre outros conteúdos da programação, ajudaram a levar a discussão para implementação, transformação digital e para uma advocacia cada vez mais AI-Centric.
Nesse estágio, não basta perguntar o que a inteligência artificial consegue fazer.
É necessário discutir processo, governança, contexto, dados e onde o julgamento humano precisa continuar presente.
Um jurídico cada vez mais conectado
Outro ponto importante foi olhar para o jurídico não como uma coleção de ferramentas isoladas, mas como um ecossistema.
Gestão, automação, jurimetria, inteligência artificial e análise de dados começam a conversar entre si. Atualmente, o ecossistema da Projuris reúne soluções voltadas a diferentes etapas dessa jornada, da gestão e governança à automação e análise de dados.
Essa lógica também apareceu nos cases da parte final do evento, com experiências de organizações como Copel, Grupo SADA e Hapvida, trazendo para o palco temas ligados à automação, inteligência a partir de dados e governança.
São aplicações diferentes, mas com algo em comum: a tecnologia começa a ganhar relevância quando deixa de ser uma iniciativa isolada e passa a fazer parte da estratégia.
O que o público vê — e o que acontece entre uma palestra e outra

Para mim, conduzir um evento como o Projuris Summit também proporciona uma experiência particular.
O público acompanha quem está falando naquele momento. Como Mestre de Cerimônias, preciso acompanhar também o que veio antes e o que precisa acontecer depois.
Ao longo de um dia inteiro, foram palestras, cases, painel, ativações, convidados entrando e saindo do palco, controle de tempo, mudanças de energia, premiação e dezenas de transições.
E existe um trabalho quase invisível nisso.
O desafio não é simplesmente anunciar o próximo nome.
É fazer com que o público entenda por que aquela próxima conversa faz sentido depois da anterior.
Quando isso funciona, palestras independentes começam a parecer capítulos de uma mesma história.

É também nos bastidores que boa parte do trabalho do Mestre de Cerimônias acontece: conferir nomes, alinhar entradas, entender o conteúdo, acompanhar o relógio, perceber a reação da plateia e estar preparado para adaptar uma transição quando a dinâmica do evento muda.
No palco, o objetivo é justamente que tudo isso pareça natural.
Reconhecer quem já está fazendo acontecer

O encerramento trouxe ainda o reconhecimento aos cases de sucesso.O programa da Projuris foi criado para compartilhar e celebrar organizações que alcançaram resultados relevantes utilizando suas soluções, considerando desafios, implementação e resultados dos projetos.
Foi uma maneira coerente de terminar o dia: depois de tantas conversas sobre o futuro, reconhecer quem já está transformando operações no presente.
A tecnologia avança. A responsabilidade continua humana.

No encerramento, voltei mentalmente à pergunta que havia aberto o nosso dia.
Depois de tantas conversas sobre inteligência artificial, automação, dados, jurimetria, eficiência e transformação, o que mais ficou para mim não foi uma ferramenta específica.
Foi a importância das escolhas.
Tecnologia conecta informações. Dados ampliam nossa capacidade de análise. IA pode acelerar respostas. Automação pode devolver tempo às pessoas.
- Mas alguém ainda precisa fazer as perguntas certas.
- Alguém precisa decidir.
- Alguém precisa assumir responsabilidade.
Talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes oportunidades deste novo momento do jurídico: usar cada vez melhor a tecnologia sem perder de vista aquilo que continua essencialmente humano.
Foi um prazer conduzir o Projuris Summit 2026 e acompanhar essa jornada de um lugar muito especial: o palco.
E saio dessa experiência com uma convicção ainda maior: o futuro do jurídico será cada vez mais tecnológico — mas continuará sendo construído por pessoas.