Presidente do Telescópio Gigante Magalhães busca novos recursos para finalizar o projeto

Presidente do Telescópio Gigante Magalhães busca novos recursos para finalizar o projeto

Astronomia

Presidente do Telescópio Gigante Magalhães busca novos recursos para finalizar o projeto

Em entrevista à Agência FAPESP, Daniel T. Jaffe falou sobre o andamento das obras do megatelescópio no Atacama e a expectativa para a aprovação de financiamento bilionário pelo Congresso norte-americano

Astronomia

Presidente do Telescópio Gigante Magalhães busca novos recursos para finalizar o projeto

Em entrevista à Agência FAPESP, Daniel T. Jaffe falou sobre o andamento das obras do megatelescópio no Atacama e a expectativa para a aprovação de financiamento bilionário pelo Congresso norte-americano

Jaffe: “Ninguém gosta de ter um plano B, prefiro seguir com o plano A. Eu me reúno regularmente com membros do Congresso [dos EUA] e todos estão dando sinais positivos claros” (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Helo Reinert | Agência FAPESP – O astrônomo Daniel T. Jaffe, presidente do consórcio responsável pela construção do Telescópio Gigante Magalhães (GMT), esteve no Brasil para participar de um seminário organizado pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) no dia 25 de maio. Na ocasião, ele apresentou um panorama atualizado sobre o andamento do projeto, considerado um dos mais ambiciosos da astronomia moderna.

O GMT está sendo erguido no Observatório de Las Campanas, no sul do deserto do Atacama (Chile), a uma altitude de mais de 2.500 metros. Ele pertence à próxima geração de supertelescópios terrestres, conhecidos como Telescópios Extremamente Grandes, projetados para enxergar o cosmos com nitidez e profundidade sem precedentes.

Desde 2014, a FAPESP participa do consórcio internacional, tendo investido US$ 55 milhões por meio do projeto “Explorando o Universo: da formação de galáxias aos planetas tipo-Terra”. O financiamento garante cerca de 4% do tempo anual de operação do GMT para pesquisadores do Estado de São Paulo. A expectativa é de que o telescópio atinja a sua “primeira luz” (as primeiras observações do céu) na década de 2030.

Antes de participar do evento na USP, Jaffe visitou a FAPESP com o objetivo de expandir a parceria com a Fundação. Confira a seguir trechos de entrevista concedida por ele à Agência FAPESP.

Agência FAPESP – Será possível manter o calendário previamente estabelecido para o início das operações científicas?

Daniel T. Jaffe – Sim, as operações estão previstas para começar em 2030. Atualmente, estamos na chamada ‘Fase Final de Design’, passo necessário para tornar o projeto elegível para financiamento federal [nos Estados Unidos]. Trabalhamos para desenvolver a capacidade organizacional e o conhecimento técnico que garantirão a participação do governo federal dos Estados Unidos no projeto. De acordo com o plano inicial, o governo financiaria a metade do custo total. A fase final é um processo multifacetado, que exige revisões dos aspectos técnicos do telescópio e dos custos envolvidos. Serão realizadas avaliações para saber se as estimativas foram feitas corretamente e se há recursos suficientes para terminar o projeto. Por isso, ao longo do próximo ano, haverá várias revisões menores até chegarmos à versão final do projeto.

Agência FAPESP – Qual a previsão de aprovação de recursos pelo Congresso norte-americano?

Jaffe – Esperamos que a aprovação dos recursos no orçamento ocorra no final do outono de 2027 [no hemisfério Norte], o que significa que o financiamento começaria poucos meses depois.

Agência FAPESP – Em que fase se encontra a construção do telescópio?

Jaffe – Chamamos a fase atual de trabalho preparatório, pois a construção formal não começa antes da aprovação do Congresso. Porém, mais de 40% da construção está em andamento e acreditamos que chegaremos a 50% quando a revisão [mencionada anteriormente] estiver concluída. O topo da montanha em Las Campanas, no deserto do Atacama, no Chile, foi nivelado e a fundação foi escavada. Prédios e dormitórios que compõem a estrutura de apoio já estão prontos. Contamos com água, energia e internet. Mas a base que apoiará a montagem mecânica do telescópio ainda não foi lançada. Todos os sete espelhos monolíticos, que são um elemento-chave, foram fundidos e três estão finalizados. No Arizona, um deles foi integrado em um protótipo do sistema de suporte, fundamental para o controle de precisão do telescópio. No Chile há terremotos, então é necessário se preocupar com isso. A estrutura mecânica e motorizada que sustenta o tubo óptico e controla os movimentos do telescópio para que ele possa ver todo o céu está sendo construída em Illinois [Estados Unidos]. O sistema de óptica adaptativa do telescópio, tecnologia criada para anular o tremeluzir das estrelas gerado pela atmosfera terrestre, está em fase de prototipagem. O projeto da cúpula de aço que protegerá o aparelho e terá altura equivalente a um prédio de 22 andares ainda está sendo elaborado. O trabalho de design avança e as propostas devem ser apresentadas no ano que vem.

Agência FAPESP – Quantos parceiros fazem parte desse projeto até agora? Entre eles existe alguma empresa privada?

Jaffe – Até o momento temos 16 parceiros. Os mais recentes a ingressar são a Northwestern University, de Chicago, e o MIT [Massachusetts Institute of Technology], de Boston. Existem doadores individuais, pessoas privadas, que geralmente doam recursos por meio da universidade, mas não empresas privadas. As contribuições do MIT para o telescópio, por exemplo, vêm de um único doador. Há universidades públicas e privadas, mas não há empresas entre os membros do consórcio, só como contratadas desenvolvendo tecnologia para o telescópio.

Agência FAPESP – Outras negociações estão em curso?

Jaffe – Com certeza. O projeto já arrecadou cerca de US$ 1 bilhão junto aos parceiros e precisa de mais aproximadamente US$ 300 milhões. Esses fundos virão tanto de novas parcerias ou de doadores dispostos a apoiar diretamente o telescópio. Estamos confiantes de que, à medida que a construção avançar, haverá mais interessados. Alguns dos parceiros existentes estão contribuindo ativamente agora. Esse é o caso do Instituto Coreano de Astronomia e Ciências Espaciais [KASI], que recentemente ampliou suas contribuições.

Agência FAPESP – Existe um plano B para o caso de a liberação dos recursos no Congresso não avançar?

Jaffe – Ninguém gosta de ter um plano B, prefiro seguir com o plano A. Eu me reúno regularmente com membros do Congresso e com pessoas do Executivo, e todos estão dando sinais positivos claros. Seguimos nesse espírito de otimismo. Normalmente, projetos na fase formal de revisão final avançam para a execução. Mas precisamos estar preparados para desacelerar se houver um atraso.



Em construção no Observatório de Las Campanas, no sul do deserto do Atacama (Chile) e a uma altitude de mais de 2.500 metros, o GMT pertence à próxima geração de supertelescópios terrestres, projetados para enxergar o cosmos com nitidez e profundidade sem precedentes (imagem: GMT/divulgação)



Fonte ==> Folha SP

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