Por Rodrigo Rezende
Eu sou Rodrigo Rezende.
Sou Profissional de Educação Física, American Fitness Trainer e Sports & Exercise Nutrition Coach, especialista em Biomecânica do Movimento, Fisiologia do Exercício e Nutrição Esportiva, desenvolvedor da Dieta Ondulatória e Psicoterapeuta e Psicanalista Clínico.
Existe uma pergunta que, durante muitos anos da minha carreira, eu não conseguia responder.
Se todo ser humano busca felicidade… Por que tantas pessoas insistem em repetir aquilo que as machuca?
Essa pergunta parece simples. Mas ela desmonta uma das maiores ilusões que temos sobre nós mesmos.

Recentemente terminei a leitura de “Além do Princípio do Prazer”, de Sigmund Freud. E, na minha opinião, esse talvez seja um dos textos mais atuais já escritos sobre comportamento humano.
Freud começa o livro defendendo algo que todos nós aprendemos desde cedo: O ser humano busca prazer e evita sofrimento. Até aí, tudo faz sentido.
Mas então ele observa algo que contradiz completamente essa lógica. Pacientes traumatizados reviviam seus traumas. Crianças repetiam brincadeiras relacionadas a experiências dolorosas. Pessoas voltavam aos mesmos tipos de relacionamento. Escolhiam parceiros parecidos. Viviam conflitos parecidos. Fracassavam pelos mesmos motivos.
E Freud se perguntou: Se dói tanto… por que repetir?
Essa pergunta continua extremamente atual.
Hoje eu trabalho com pessoas que querem emagrecer. Elas sabem exatamente o que precisam fazer. Conhecem a dieta. Conhecem o treino. Conhecem as consequências. Mesmo assim, repetem os mesmos comportamentos.
Na psicoterapia acontece algo semelhante. A pessoa diz que não quer mais relacionamentos abusivos. Mas escolhe alguém emocionalmente indisponível. Afirma que deseja paz. Mas vive criando conflitos. Promete que agora será diferente. E, meses depois, está exatamente no mesmo lugar.

Será que isso é falta de força de vontade? Eu acredito que não.
Freud chamava isso de compulsão à repetição. Na minha visão, essa é uma das ideias mais importantes da psicanálise. Porque ela muda completamente a pergunta.
Talvez o ser humano não repita porque gosta de sofrer. Talvez ele repita porque o inconsciente insiste em tentar resolver hoje aquilo que ficou sem solução ontem. É como assistir ao mesmo filme esperando um final diferente. Só que o roteiro continua sendo o mesmo.
E aqui eu faço uma ponte com a sociedade atual. Vivemos na era da novidade. Troca-se de celular. Troca-se de emprego. Troca-se de cidade. Troca-se de parceiro. Troca-se de academia. Troca-se de dieta.
Mas poucas pessoas percebem que carregam consigo o mesmo modo de funcionar. Mudam os cenários. Os personagens. Os endereços. Mas o enredo permanece.
Na minha prática clínica, vejo isso acontecer o tempo todo. A pessoa acredita que o problema está na dieta. Troca de dieta. Acredita que está no treino. Troca de treino. Acredita que está no relacionamento. Troca de relacionamento.
Ao invés de perguntar: “Por que essa pessoa faz isso?”
Passamos a perguntar: “O que existe nessa repetição que ainda não foi elaborado?”
Mas raramente pergunta: “Será que quem precisa mudar sou eu?”
“Você pode mudar de ambiente quantas vezes quiser. Se o padrão continuar o mesmo, o resultado tende a se repetir.”
E talvez seja exatamente isso que Freud queria mostrar. Não somos movidos apenas pelo prazer. Somos movidos também por histórias que ainda não terminaram dentro de nós.

Outro ponto que me marcou foi perceber que o cérebro adora previsibilidade. Mesmo quando ela machuca. O conhecido, por pior que seja, muitas vezes parece mais seguro do que o desconhecido. É por isso que algumas pessoas permanecem anos em relacionamentos destrutivos. Empregos infelizes. Hábitos nocivos.
Não porque sejam incapazes de mudar. Mas porque o sofrimento conhecido pode parecer menos ameaçador do que uma liberdade desconhecida.
E aqui entra uma reflexão que faço todos os dias. Será que as pessoas realmente têm medo do fracasso? Ou têm medo da mudança? Porque mudar significa abandonar uma identidade. E isso assusta.
Freud também descreve algo fascinante. Ele percebe que muitas dessas repetições não são conscientes. Elas acontecem sem que a pessoa perceba. Ela acredita estar fazendo escolhas livres. Mas, muitas vezes, está apenas reproduzindo antigos roteiros emocionais.
Na clínica, isso muda completamente a forma de trabalhar. Porque o objetivo não é simplesmente eliminar um comportamento. É compreender por que ele continua existindo. Quando a causa permanece escondida, o sintoma apenas muda de roupa.
Hoje é compulsão alimentar. Amanhã pode ser excesso de trabalho. Depois pode ser dependência emocional. Depois perfeccionismo. O comportamento muda. A lógica inconsciente continua.
Por isso acredito que saúde não é apenas ausência de sintomas. Saúde é interromper ciclos. É olhar para padrões que parecem naturais, mas que, na verdade, foram aprendidos. É deixar de viver no piloto automático. É parar de repetir.
Talvez o maior desafio da nossa geração não seja aprender coisas novas.
Seja ter coragem de abandonar histórias antigas.
Depois de tantos anos estudando o corpo humano e, agora, mergulhando profundamente na mente humana, cheguei a uma conclusão: as pessoas raramente são prisioneiras do passado porque se lembram dele o tempo todo. Elas se tornam prisioneiras quando continuam repetindo esse passado sem perceber. E talvez a verdadeira liberdade não comece quando encontramos respostas para tudo, mas quando finalmente identificamos os padrões que dirigem nossa vida em silêncio e decidimos que eles não escreverão mais o nosso futuro
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Rodrigo Rezende é Profissional de Educação Física, registrado no CREF 011394-G/MS, American Fitness Trainer & Coach em Nutrição Esportiva e Exercício. É especialista em Biomecânica, Fisiologia do Exercício e Psicanálise.
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