‘Planeta fênix’, que surgiu das cinzas, é identificado – 09/10/2026 – Ciência

Planeta com superfície nebulosa e tons avermelhados e azulados, envolto por uma nuvem de gás ou poeira, próximo a uma estrela brilhante em fundo escuro do espaço.

Na mitologia, a fênix era uma ave que pereceu nas chamas apenas para renascer das cinzas. Agora, astrônomos descobriram um mundo que pode ser chamado assim.

Segundo pesquisadores, esse exoplaneta —como são chamados os planetas situados fora do nosso Sistema Solar— parece ter nascido de material expelido para o espaço durante os estágios finais da morte de uma estrela um pouco maior que o Sol. Hoje, ele orbita o remanescente estelar extremamente compacto deixado para trás, conhecido como anã branca.

“Este é o primeiro exemplo de um planeta se formando ao redor de uma anã branca”, disse Jamie Williams, doutorando em astrofísica na Universidade de Warwick, na Inglaterra. Ele é o principal autor do estudo publicado na última segunda-feira (5) na revista Nature Astronomy.

A anã branca está localizada a cerca de 250 anos-luz da Terra, perto da constelação de Cetus. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano: 9,5 trilhões de quilômetros.

O planeta é um gigante gasoso, talvez um pouco mais massivo que Júpiter, o maior planeta do nosso Sistema Solar. Ele orbita a anã branca a cada 4,4 dias e a 4% da distância entre a Terra e o Sol. Está tão próximo que a intensa radiação ultravioleta extrema emitida pela anã branca, extremamente quente, faz com que a atmosfera externa do planeta evapore e parte dela acaba caindo sobre a anã branca.

Esse corpo celeste é classificado como um planeta de segunda geração, o que significa que não se formou a partir do disco giratório de material ao redor de uma estrela recém-nascida, como ocorreu com a Terra e outros mundos de primeira geração, e sim dos restos de uma estrela condenada.

É o padrão químico do planeta que aponta para sua origem de segunda geração. Ele é rico em nióbio, cobre e zinco, elementos que certos tipos de estrelas moribundas lançam ao espaço ao se expandirem em seus estertores finais, indicando que o planeta se formou a partir de um disco desse material expelido que circundava o remanescente estelar.

“Nos mitos, uma fênix renasce das próprias cinzas. No caso deste planeta, ele renasceu das cinzas de sua estrela hospedeira moribunda e, portanto, o sistema planetário também renasceu. Um planeta de segunda geração é definido como aquele que nasce após a morte de sua estrela hospedeira —neste caso, depois que ela se tornou uma anã branca”, explicou Williams.

Os pesquisadores usaram dados dos telescópios espaciais Hubble, Tess e Fuse e esperam utilizar o Telescópio Espacial James Webb para confirmar suas conclusões.

Um pequeno número de possíveis planetas de segunda geração já foi identificado orbitando pulsares, um tipo raro de estrela de nêutrons —outra espécie de remanescente estelar.

“As anãs brancas são muito mais comuns do que os pulsares, e mais de 95% das estrelas da Via Láctea evoluirão até se tornar anãs brancas. Portanto, haveria muito mais planetas de segunda geração ao redor de anãs brancas do que de pulsares”, afirmou Williams.

Embora o planeta recém-descoberto seja inóspito à vida, outro planeta de segunda geração poderia, em tese, ser habitável.

“Se um gigante gasoso se formou ao redor de uma anã branca, então um planeta rochoso também poderia se formar”, disse o pesquisador. “As anãs brancas esfriam de maneira previsível ao longo do tempo e, à medida que ficam mais frias, seu resfriamento desacelera. Portanto, se um planeta rochoso de segunda geração se formasse perto o suficiente da anã branca, poderia permanecer na zona habitável por bilhões de anos.”

UMA ANÃ VERMELHA E UMA ANÃ MARROM

Um segundo estudo também publicado na Nature Astronomy descreve outro fenômeno celeste exótico, a cerca de 300 a 500 anos-luz da Terra, na constelação de Touro.

Pesquisadores usaram o Zwicky Transient Facility, no Observatório Palomar, na Califórnia (EUA), para descobrir uma estrela anã vermelha com 8% da massa do Sol em uma órbita muito próxima de uma anã marrom —um objeto pequeno demais para ser uma estrela e grande demais para ser um planeta. A anã marrom tem em torno de 30 vezes a massa de Júpiter e um terço da massa da estrela.

Esses dois corpos orbitam um ao outro a cada 87 minutos, a uma distância pouco superior à metade daquela entre a Terra e a Lua, e a atração gravitacional da estrela parece estar sugando matéria da anã marrom. Os pesquisadores detectaram um ponto quente na superfície da estrela onde esse material aparentemente está caindo.

“Este é o primeiro exemplo observado desse fenômeno”, disse Aaron Householder, estudante de pós-graduação em astrofísica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e principal autor do estudo. “Os dois objetos estão tão próximos que toda a órbita caberia dentro do Sol.”



Fonte ==> Folha SP – TEC

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