Como a gestão de imagem se tornou um ativo decisivo no valor de mercado dos atletas e na construção de trajetórias internacionais
No competitivo ecossistema do futebol global, talento técnico já não é suficiente para garantir protagonismo. Cada vez mais, o sucesso de um atleta é construído em duas frentes: dentro de campo, e, de forma silenciosa, fora dele.
É nesse bastidor que surge um fenômeno pouco visível ao grande público, mas altamente relevante para clubes, patrocinadores e seleções nacionais: a gestão estratégica de imagem.
À frente desse movimento está Bia Carmagnani, fundadora da Quattro G Assessoria e da Quattro G Sports, que vem chamando atenção do mercado por um dado expressivo: oito atletas de seu portfólio alcançaram o ápice da carreira, a convocação para suas seleções, enquanto estavam sob sua gestão.
A lógica por trás do “Efeito Seleção”
Mais do que coincidência, o chamado “Efeito Seleção” revela uma nova lógica de mercado. A convocação, antes vista exclusivamente como mérito técnico, passa também a refletir atributos intangíveis como maturidade, estabilidade emocional e posicionamento institucional.
“O treinador da seleção busca alguém que suporte a pressão de representar um país inteiro. Nosso trabalho é construir essa percepção de robustez”, afirma Carmagnani.
Nesse contexto, a imagem do atleta deixa de ser apenas comunicação e passa a ser um ativo estratégico, capaz de reduzir riscos percebidos e aumentar a confiança de decisores.
O business da imagem no esporte moderno
Diferente das assessorias tradicionais, o modelo adotado pela Quattro G funciona como uma boutique de gestão de carreira, com atuação altamente personalizada.
A estratégia se sustenta em três pilares fundamentais:
- Marcas: conexão com patrocinadores alinhados a valores sólidos
- Veículos: posicionamento estratégico e gestão de crises
- Torcedores: construção de narrativa e capital emocional
Essa tríade transforma o atleta em algo além de performance: uma marca institucional.
No mercado financeiro do esporte, esse conceito já tem nome: “premium de reputação”, um diferencial que pode impactar diretamente contratos, transferências e valorização de carreira.
Um portfólio que reflete consistência
A lista de atletas atendidos pela Quattro G evidencia o padrão de posicionamento construído ao longo dos anos. Entre os nomes estão jogadores que atuam em alto nível no futebol sul-americano e internacional, incluindo:
- Goleiros como Weverton e Lucas Perri
- Meias e atacantes como Raphael Veiga, Matheus Pereira e Jhon Jhon
- Talentos internacionais como Agustín Giay e Flaco López
O denominador comum entre eles não é apenas desempenho técnico, mas consistência de imagem, um fator cada vez mais valorizado por clubes e seleções.
Coincidência ou estratégia?
Embora a performance esportiva continue sendo determinante, especialistas apontam que a percepção de profissionalismo exerce influência crescente nas decisões do mercado.
Atletas com imagem bem estruturada são vistos como mais preparados para grandes palcos. Eles transmitem segurança, liderança e previsibilidade, atributos essenciais em contextos de alta pressão.
“Um atleta com imagem limpa e bem posicionada tende a ter contratos mais valiosos e uma carreira mais longa”, destaca Carmagnani.
Exclusividade como posicionamento
Outro diferencial do modelo é a limitação proposital da carteira de clientes. A estratégia prioriza profundidade em vez de escala.
“Não cuidamos de perfis, cuidamos de legados”, resume a executiva.
Essa abordagem cria um selo implícito de qualidade no mercado: ser assessorado dentro desse modelo passa a ser interpretado como um indicativo de potencial de crescimento e projeção internacional.
O futuro: reputação como ativo de carreira
O avanço desse tipo de gestão indica uma transformação estrutural no esporte profissional. A carreira de um atleta deixa de ser construída apenas com gols, defesas ou assistências, e passa a incorporar estratégia, posicionamento e inteligência de mercado.
Mais do que visibilidade, o jogo agora envolve percepção.
E, nesse cenário, o que acontece fora das quatro linhas pode ser tão decisivo quanto o que acontece dentro delas.