Mulheres da inovação: a presença feminina que impulsiona o ecossistema de Jundiaí | ASN São Paulo

Mulheres da inovação: a presença feminina que impulsiona o ecossistema de Jundiaí | ASN São Paulo

A presença feminina em posições de liderança dentro do ecossistema de inovação brasileiro vem crescendo nos últimos anos. Leves, mas importantes avanços têm sido feitos nesse âmbito, com cada vez mais mulheres se inserindo no ecossistema. De acordo com o Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups de 2025, feito pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups), 19,9% de mulheres são fundadoras de startups, em comparação com 78,4% de homens. Foram mais de três mil startups mapeadas em todo o Brasil para esse estudo e, apesar de ainda serem em menor número, a participação de mulheres entre as pessoas fundadoras aumentou de 19,2% para 19,9% no último ano.

Cenário atual em Jundiaí

Apesar da forte presença masculina, as mulheres founders em Jundiaí exercem um papel fundamental no impulsionamento do ecossistema de inovação local.

Bruna Amaral é cofundadora da EN1, uma startup que nasceu para desburocratizar a gestão e dar agilidade operacional a negócios que buscam escala. Usando inteligência artificial, a EN1 conecta pessoas, processos e tecnologia para reduzir esforço operacional e melhorar a performance do negócio, desde startups até grandes empresas.

Juntamente com Danielle Macabeu, sua sócia, Bruna conta que a grande motivação para o desenvolvimento do negócio foi poder criar essa ponte para que a IA não ficasse restrita apenas às gigantes do mercado.

“É vital que os pequenos e médios negócios se adaptem rápido à tecnologia para não perderem competitividade. Atualmente, a EN1 está em fase de Operação e Tração, com foco total em levar inovação acessível e robusta para nossa base crescente de clientes”, comenta.

Bruna diz que os desafios nessa área são multifacetados, já que o ambiente de tecnologia sempre foi considerado muito masculino, e que isso exige delas uma carga extra de adaptação e resiliência. A empreendedora, que também é neurodivergente e parte da comunidade LGBTQIA+, destaca a necessidade de, muitas vezes, precisarem “traduzir” a forma que pensam e agem para serem compreendidas em ambientes mais tradicionais, além do desafio de manter sua autenticidade enquanto navegam em estruturas que nem sempre foram desenhadas para a diversidade.

“Para incentivarmos mais mulheres nesse campo, precisamos humanizar o sucesso”, continua Bruna. “Precisamos mostrar que mulheres reais — com suas neurodivergências, orientações e histórias — estão construindo o futuro. Ocupar posições de poder é um ato de resistência e de inovação por si só. Meu conselho é: busquem redes que acolham quem vocês são integralmente. O futuro da tecnologia pertence a quem tem coragem de ser autêntica”.

Apesar das dificuldades, Bruna acredita muito na força do ecossistema de Jundiaí e vê como um avanço e claro sinal de amadurecimento de mercado o fato de identidades diversas já poderem liderar seus próprios negócios.

“A presença feminina na inovação hoje é sinônimo de resultados e pluralidade. No meu caso, essa visão é ampliada por ser uma mulher lésbica e neurodivergente. A neurodivergência, em particular, me traz uma forma única de processar problemas e enxergar padrões que outros talvez não vejam, o que é um ativo valioso no mundo das startups. Estou à disposição para apoiar outras empreendedoras que, como eu, acreditam que a tecnologia e a diversidade são os maiores motores da economia atual”, finaliza.

Estefânia Raffanti, fundadora da Tavolozza, também vê Jundiaí com um ecossistema forte e pronto para receber mais diversidade entre seus líderes.

“Eu vejo um crescimento muito significativo da presença feminina nesse ecossistema, embora eu acredite que ainda temos um caminho muito importante a percorrer”, comenta. “Cada vez mais eu vejo que a mulher está ali se posicionando, criando negócios inovadores, liderando projetos e começando a ocupar esse espaço que sempre foi historicamente masculino. As mulheres estão se apoiando cada vez mais, criando redes de contatos e estando mais presentes em tudo que se refere a esse ecossistema de inovação. Esse movimento tem sido muito positivo e eu levo isso como um alívio e uma motivação a mais para podermos continuar. Até por isso precisamos fortalecer cada vez mais iniciativas ligadas ao empreendedorismo feminino, e não só agora, no mês das mulheres, mas precisamos mostrar mesmo o empoderamento da mulher em todos os setores da sociedade, inclusive dentro das startups”.

Com sua startup em fase de desenvolvimento de um Produto Mínimo Viável (MVP) e apesar de observar um cenário em constante evolução, a empreendedora não esconde que ainda há sim dificuldades pelo caminho. Estefânia diz que, entre elas, está a necessidade de precisar se provar o tempo todo nesse ambiente. Provar que possuem capacidades técnicas e competências comportamentais para conseguirem atuar em posições de liderança e mediar situações de conflito, por exemplo.

Estefânia destaca, por fim, a importância das mulheres se unirem e se capacitarem. “Como eu sou também professora, costumo dizer que tudo que eu aprendi foi através de uma pessoa que era especialista, que entendia e que transformou tudo que eu imaginava em algo real. Ninguém nunca vai poder tirar o nosso conhecimento. Então, o que eu posso dizer para incentivar as mulheres a entrarem nesse mundo é, com certeza, estejam sempre próximas de pessoas que entendem e que participam do ecossistema. Busquem sempre a capacitação e a mentoria para que vocês consigam transformar suas ideias em projetos. Eu tenho muito carinho pela minha startup, pois foi através dela que eu tive a oportunidade de observar um problema real das pessoas e oferecer uma solução. Isso é ser inovadora e isso é empreender”, finaliza.



Fonte ==> Sebrae

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *