Morgana Souto Maior recebeu convidados em brunch no Centro do Rio

Arquivo pessoal

Atividade promovida pela Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ integrou o projeto Prata da Casa. Artista visual e arquiteta apresentou sua trajetória, marcada pelas raízes paraibanas, pela pesquisa sobre memória e pela paixão pelo Rio.

A artista visual e arquiteta Morgana Souto Maior abriu as portas de seu ateliê, no Centro do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 9 de outubro, para receber convidados em um brunch. A atividade foi promovida pela Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ (AET-RJ) e integrou o projeto Prata da Casa, que valoriza os talentos, as trajetórias e a produção cultural de pessoas ligadas à entidade.

O encontro ofereceu aos participantes a oportunidade de conhecer de perto o espaço de criação de Morgana e de conversar sobre as referências que atravessam seu trabalho. Entre telas, linhas, cores e memórias, a artista compartilhou aspectos de um percurso que une sua origem paraibana à vida construída no Rio de Janeiro. O ateliê tornou-se, durante a visita, um ponto de encontro entre arte, história pessoal e os vínculos que cada pessoa estabelece com os lugares onde vive.

A iniciativa integra a proposta do Prata da Casa de aproximar o público das atividades, dos espaços de trabalho e das expressões culturais de pessoas vinculadas à Associação. Ao realizar encontros em ateliês e outros ambientes de criação, o projeto amplia o conhecimento sobre as trajetórias de seus participantes e estimula o contato direto com diferentes formas de produzir e compartilhar cultura.

Natural de Campina Grande, na Paraíba, Morgana vive no Rio de Janeiro há mais de duas décadas. Arquiteta de formação e artista visual, desenvolveu uma produção marcada pela experimentação de materiais e linguagens. Sua obra parte de lembranças pessoais, mas se abre para temas coletivos: as raízes culturais, os deslocamentos, as formas de morar, os objetos cotidianos e as maneiras pelas quais a memória permanece viva mesmo quando a vida leva alguém para longe de seu lugar de origem.

A relação entre a Paraíba e o Rio é um dos fios que percorrem sua trajetória. As paisagens, as cores, os sons e os costumes do agreste paraibano continuam presentes em sua imaginação artística. A infância em Campina Grande e as referências de uma vida ligada à cultura nordestina oferecem à artista um repertório de imagens e sensações que se transforma ao longo do tempo. Já a experiência de viver no Rio ampliou seu olhar para as cidades, para os espaços domésticos e para as histórias de quem migra.

A paixão de Morgana pelo Rio se expressa na vida que construiu na cidade e na atenção com que observa seus espaços e seus habitantes. O Rio não apagou as referências de sua origem; tornou-se uma nova camada de sua experiência, incorporada a uma trajetória feita de encontros entre diferentes lugares. A cidade participa de sua história artística e profissional, acolheu etapas importantes de seu percurso e ofereceu cenários para exposições e projetos que deram visibilidade à sua produção.

A arquitetura, sua formação, também influencia a maneira como a artista percebe o mundo. O interesse pelos ambientes, pelas casas e pelos objetos que acompanham a vida das pessoas aparece em sua pesquisa visual. Para Morgana, o espaço de morar pode guardar hábitos, afetos, histórias familiares e marcas de uma cultura. A casa, portanto, não é apenas uma construção: é também um lugar de memória, de convivência e de transformação.

Essa reflexão aparece com força na série Morar, dedicada à transitoriedade do morar, tanto no sentido físico quanto no sentimental. A proposta convida a observar os ambientes cotidianos e a perceber como eles guardam sinais de mudança e permanência. Uma residência pode acompanhar diferentes fases da vida, receber novos moradores e conservar marcas de quem já partiu. Na obra de Morgana, essa dimensão do espaço doméstico conduz a uma reflexão sobre o que levamos conosco e o que permanece nos lugares.

As referências à infância e às raízes nordestinas também se manifestam em elementos que remetem à paisagem e à vida cultural da Paraíba. As casas de taipa, as festas, as bandeirolas, a música, o algodão, as pipas e a luminosidade do céu do agreste aparecem no repertório de lembranças que alimenta a produção da artista. Esses elementos não são tratados como registros imóveis do passado. Eles são revisitados e transformados, ganhando novas relações e sentidos nas obras.

Na série Raízes, tradição e ressignificação se encontram. O passado aparece como matéria viva, capaz de estabelecer conexões com o presente e de abrir caminhos para o futuro. Morgana retoma referências culturais sem fixá-las em uma imagem única ou definitiva. A memória se transforma, passa por novos olhares e continua a produzir sentidos. Essa forma de trabalhar com as origens permite que experiências pessoais dialoguem com histórias compartilhadas por muitas pessoas.

Outra etapa de sua pesquisa está reunida na série Frestas, que surgiu durante a pandemia, em meio à inquietação diante daquele período e às incertezas sobre o futuro. Portais, bandeiras e telhados, elementos associados ao morar, participam de composições que sugerem a possibilidade de olhar para além do momento imediato. A fresta se torna uma imagem de passagem e de abertura: um espaço por onde a cor, a luz e a imaginação apontam para outros caminhos.

A série também traduz uma reação artística ao ambiente de isolamento e às mudanças que atravessaram a vida cotidiana. Em algumas obras, o fundo claro e a presença marcante de uma cor direcionam o olhar para aquilo que ainda pode surgir. A cor assume papel central na composição e abre espaço para pensar a esperança como possibilidade de recomeço. O trabalho não pretende oferecer respostas prontas; propõe uma pausa para observar o presente e imaginar o que pode vir depois.

O fazer manual ocupa um lugar especial na produção de Morgana. Na série Linhas, a bordadura sobre as telas dá materialidade ao tempo e ao gesto. O fio atravessa a superfície, cria conexões e transforma a observação em uma experiência que pede atenção. Bordar exige continuidade, paciência e contato com a matéria. Esse processo aproxima a obra da memória afetiva e de práticas transmitidas entre gerações, ao mesmo tempo que renova o lugar do trabalho manual na arte contemporânea.

A artista descreve a bordadura como um gesto contínuo, em que o fio pode conectar e conduzir à ressignificação do fazer manual. O bordado, associado a diferentes tradições domésticas, passa a ocupar a tela e a integrar uma pesquisa visual própria. A linha não funciona apenas como ornamento: ela constrói relações, marca percursos e acrescenta à pintura uma dimensão tátil. Essa combinação entre pintura, textura e bordado é uma das características que singularizam parte de sua produção.

Em Projeto Mutare, a arte é entendida como algo em movimento, capaz de trocar de lugar e interagir com diferentes culturas. A própria ideia de mutare remete a mudar, deslocar-se e transformar-se. Essa perspectiva se aproxima da experiência da artista, cuja trajetória reúne referências paraibanas, vida carioca e contato com públicos e ambientes diversos. A obra se modifica à medida que novas experiências são incorporadas, sem perder o diálogo com as raízes que lhe dão origem.

Na série Rupestres, referências antigas são aproximadas do presente. A pesquisa parte da ideia de que certos sinais e imagens podem atravessar o tempo, adaptando-se a novos contextos sem perder sua força. A memória cultural, nesse caso, não é somente lembrança de algo que ficou para trás: é uma presença que pode continuar relevante e contribuir para a construção de outras formas de olhar.

Essa diversidade de séries revela uma produção que se movimenta entre diferentes questões, mas mantém pontos de encontro claros. Memória, pertencimento, transformação, moradia e identidade aparecem em várias etapas da pesquisa. A artista explora essas ideias por meio de materiais, cores, texturas e referências que convidam o público a fazer suas próprias associações. Cada obra pode começar em uma lembrança individual e alcançar experiências reconhecíveis para outras pessoas.

Ao longo de sua trajetória, Morgana participou de exposições no Rio de Janeiro, em outras cidades brasileiras e no exterior. Entre os registros de seu currículo estão a mostra Atrás do Vidro, no CasaShopping, e Olhar para as Cidades, no Rio, em 2018. Também participou da Casa Cor Rio, em 2017, e de exposições como O Coração da Casa, na Todeschini Barra, Galerio e Morar Mais Rio, em 2016.

Em Búzios, integrou a coletiva Atitude II, na Galeria Atelier Flory Menezes, e participou de uma exposição no Espaço Zanine, ambas em 2017. Em Petrópolis, esteve na Mostra Mastercasa. No Rio, seu percurso inclui a Universidarte XII e XIII, a Mostra 3 Tempos, no Espaço Leblon de Cinema, e uma exposição na Galeria Subsolo do Parque Lage, com curadoria de Maria do Carmo Secco.

A presença de Morgana em espaços ligados à arquitetura e ao design também dialoga com sua formação. A artista participou de mostras que aproximam as artes visuais dos ambientes de morar e da relação entre obras e espaços. Essa circulação amplia as possibilidades de encontro com o público: as obras podem ser vistas em galerias, exposições coletivas e ambientes que fazem parte do cotidiano, convidando visitantes a perceber como a arte se relaciona com os lugares onde vivemos.

Sua trajetória também ultrapassou fronteiras brasileiras. Morgana participou do Design Day, em Paris, em 2012; da The 7th East West Art Award Competition, em Londres, em 2016; e do Carrousel du Louvre, em Paris, em maio de 2018. Essas participações levaram sua produção a contextos internacionais e ampliaram o diálogo entre suas referências brasileiras e públicos de outros países.

Em setembro de 2026, a artista participou da exposição coletiva A Arte dos Apaixonados pelo Rio, realizada no MGallery Santa Teresa. A mostra reuniu diferentes olhares sobre a cidade e celebrou os vínculos afetivos que artistas e participantes mantêm com o Rio. Para Morgana, integrar a exposição significou apresentar sua produção em uma iniciativa dedicada justamente à relação entre arte e paixão pela cidade que ela escolheu para viver e criar.

A presença na mostra do MGallery também se conecta à maneira como a artista reúne suas diferentes referências. A Paraíba permanece como raiz importante de sua pesquisa, enquanto o Rio faz parte de sua experiência diária e de sua história profissional. Esses vínculos não se anulam: coexistem e se transformam em matéria de criação. A obra passa a expressar uma vida construída entre lugares, com lembranças que viajam e novas experiências que se incorporam ao percurso.

Em 2025, Morgana voltou à Paraíba com a exposição Sob o Efeito do Morar, no SESI Museu Digital, em Campina Grande. A mostra reuniu 27 telas e apresentou ao público uma pesquisa relacionada às memórias, aos afetos e às raízes culturais paraibanas. O retorno à cidade natal por meio de uma exposição trouxe novamente para o centro de sua produção referências que a acompanham desde a infância.

No mesmo ano, trabalhos da artista foram apresentados na Casa OFFICINA, também na Paraíba. A iniciativa aproximou arte, design e cultura regional durante o período das celebrações juninas. As obras dialogaram com temas recorrentes em sua produção, como pertencimento, memória afetiva e a permanência das raízes culturais na vida de quem passa a morar em outros lugares. A experiência reforçou o vínculo entre a artista e sua terra natal, além de dar visibilidade à cultura paraibana por meio das artes visuais.

O brunch no ateliê, no Centro do Rio, foi mais uma oportunidade de compartilhar essa trajetória de deslocamentos, permanências e encontros. O espaço de criação permitiu aos convidados conhecer o ambiente de trabalho da artista e se aproximar das ideias que alimentam sua produção. A conversa sobre obras e processos tornou o encontro uma experiência de contato direto, em que o público pôde compreender melhor a relação entre as referências biográficas de Morgana e as escolhas presentes em sua arte.

A visita também revelou o valor do ateliê como lugar de pesquisa e organização do trabalho artístico. É ali que ideias podem ser desenvolvidas, materiais reunidos e diferentes possibilidades testadas. Conhecer o espaço de criação aproxima os visitantes das etapas que muitas vezes não aparecem quando a obra está exposta em uma galeria. O ateliê mostra a arte em sua dimensão cotidiana: um trabalho construído com observação, memória, experimentação e tempo.

Para a Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ, a atividade deu continuidade à proposta do Prata da Casa de valorizar talentos e promover encontros com a produção cultural de seus integrantes. A iniciativa contribui para ampliar a visibilidade de trajetórias que ajudam a compor a vida cultural do Rio e oferece aos participantes a oportunidade de conhecer seus protagonistas em espaços que fazem parte de seu cotidiano profissional e criativo.

Ao receber os convidados, Morgana compartilhou uma história em que a arte funciona como ponte entre passado e presente, entre o lugar de origem e a cidade escolhida, entre a experiência individual e as memórias coletivas. Sua produção preserva a força das raízes sem deixar de se transformar. O Rio ocupa lugar central nessa história: é a cidade onde vive, onde desenvolve seu trabalho e com a qual mantém uma relação de afeto que se soma às lembranças permanentes da Paraíba.

Entre a pintura, a bordadura, as texturas e as imagens do morar, Morgana Souto Maior constrói uma obra aberta a diferentes leituras. Suas séries demonstram que a memória pode ser reinventada e que a identidade não precisa estar ligada a um único território. A artista leva consigo elementos de Campina Grande, incorpora as experiências acumuladas no Rio e transforma esse encontro em linguagem visual.

A atividade realizada nesta sexta-feira no Centro do Rio encerrou-se como uma celebração da arte, da convivência e dos vínculos que se formam em torno de uma trajetória. O brunch reuniu os convidados em torno do trabalho de Morgana e deu ao projeto Prata da Casa mais uma oportunidade de aproximar pessoas, histórias e expressões culturais. No ateliê, as obras falaram da Paraíba, do Rio e das muitas maneiras pelas quais uma vida pode encontrar, na arte, uma forma de permanecer conectada às suas origens e ao lugar que escolheu para florescer

Arquivo pessoal

Morgana Souto Maior e Bayard Boiteux

Arquivo pessoal

Lígia Teixeira, Matheus Oliveira e Maria Clara Souto Maior

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Regina Bogossian e Dorys Daher

Arquivo pessoal

Eliane Mourão, Val Guimarães, Dorys Daher e Chico Vartulli

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Bayard Boiteux, Morgana Souto Maior e Matheus Oliveira

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A cantora Hanna e a artista plástica Morgana Souto Maio

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Diana Kinch, presidente Acie e Morgana Souto Maior

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O grupo que participou do evento

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Matheus Oliveira, Morgana Souto Maior e Alex Varella

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Bayard Boiteux e Chico Vartulli

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Morgana e a filha Maria Clara Souto Maior

Arquivo pessoal

Chico Vartulli, Vera Aninha e Dorys Daher

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