Mercado de viagens com pets pode alcançar US$ 4 bilhões até 2030, mas crescimento levanta alerta sobre segurança animal

Daniel Oliveira

Expansão do setor aumenta a preocupação com a informalidade, documentos fraudulentos e falta de capacitação profissional no transporte aéreo internacional de cães e gatos.

O mercado global de serviços de viagens com pets movimentou aproximadamente US$ 2,4 bilhões em 2024 e poderá alcançar US$ 4 bilhões até 2030, segundo dados divulgados pela Forbes Uruguai em 2 de setembro de 2026, com base em estimativas da Grand View Research. Entre os segmentos com maior expectativa de crescimento estão as viagens internacionais com animais de estimação.

A expansão do setor abre oportunidades comerciais para empresas especializadas, mas também amplia os desafios relacionados à segurança e ao bem-estar dos animais. A informalidade, a falta de capacitação profissional e a utilização de documentos fraudulentos estão entre os problemas que preocupam especialistas do segmento.

Para Daniel Oliveira, especialista em transporte aéreo internacional e representante da Transporte Pet Internacional LTDA, empresa fundada em 2017, o crescimento do mercado precisa ser acompanhado por maior profissionalização. Segundo ele, o transporte internacional de cães e gatos exige planejamento, conhecimento técnico e responsabilidade, já que os animais não devem ser tratados como mercadorias.

“Não estamos transportando mercadorias, mas membros de uma família. O mercado precisa crescer acompanhado de profissionalização, segurança e respeito ao bem-estar dos animais”, afirma.

Informalidade e falta de capacitação preocupam o setor

Entre os principais problemas enfrentados pelos tutores está a dificuldade de encontrar informações completas e confiáveis sobre o transporte internacional. De acordo com Oliveira, pessoas sem capacitação comprovada têm se apresentado como especialistas, enquanto algumas empresas deixam de esclarecer etapas importantes da viagem e os riscos envolvidos.

O especialista ressalta que contratar uma empresa especializada vai além da emissão de documentos ou da compra de passagens. É necessário conhecer as exigências de cada companhia aérea, planejar o trajeto, identificar possíveis riscos e considerar as necessidades individuais de cada animal.

Outro ponto de atenção envolve a oferta de documentos fraudulentos para apresentar animais de estimação como cães de serviço, com o objetivo de permitir o transporte na cabine. A procura por essa modalidade cresceu, mas as regras das companhias aéreas variam, e cães de médio e grande porte geralmente não são aceitos na cabine como animais de estimação.

Segundo Oliveira, existem profissionais e empresas que oferecem certificados e declarações sem considerar os requisitos legais para o reconhecimento de cães de serviço. Nos Estados Unidos, declarações falsas em formulários oficiais relacionados a esses animais podem gerar consequências legais, inclusive criminais, conforme a legislação aplicável.

O especialista explica que um cão de serviço precisa receber treinamento específico para executar tarefas relacionadas à deficiência de uma pessoa. Esse preparo não pode ser substituído pela simples aquisição de certificados ou pela realização de cursos teóricos pela internet.

Além das possíveis consequências legais para os tutores, a utilização de documentos fraudulentos pode prejudicar pessoas com deficiência que realmente dependem de cães de serviço treinados.

Daniel Oliveira

Caso Joca ampliou o debate sobre transporte aéreo de animais

A repercussão do caso Joca, cão que morreu durante um transporte aéreo no Brasil, intensificou a preocupação dos tutores com as condições de segurança oferecidas pelas companhias aéreas.

Para Oliveira, o transporte na cabine pode apresentar vantagens, principalmente pela proximidade entre o animal e seu tutor. Entretanto, essa possibilidade não está disponível para todos os portes e depende das regras de cada companhia.

O transporte no compartimento de carga também pode ser realizado, desde que sejam respeitadas as exigências aplicáveis e adotadas condições adequadas de segurança e bem-estar. A preparação do animal, a avaliação veterinária e o planejamento da viagem também fazem parte desse processo.

Na avaliação do especialista, a prevenção deve ser prioridade. Nesse sentido, a Transporte Pet Internacional desenvolveu o conceito de Bem-Estar Preventivo, apresentado em um de seus trabalhos publicados, com o objetivo de ampliar a segurança e o conforto dos animais durante o transporte.

Empresa aposta em acompanhamento técnico especializado

Como parte de sua proposta, a Transporte Pet Internacional desenvolveu o ETTA (Especialista em Transporte Técnico Acompanhado), modelo de acompanhamento técnico durante a viagem.

Segundo a empresa, os profissionais recebem capacitação em primeiros socorros, etologia aplicada ao manejo de baixo estresse, protocolos de Bem-Estar Preventivo, procedimentos aeroportuários e regras do transporte aéreo.

A função desses especialistas é acompanhar o animal, observar suas condições, realizar os cuidados previamente planejados e atuar diante de imprevistos, respeitando os limites de suas atribuições.

As propostas também são apresentadas em artigos técnico-científicos e no livro Voo Seguro, escrito por Daniel Oliveira e pela médica-veterinária Aléxia Rodrigues Lage.

O que avaliar antes de contratar o transporte de um pet

Para as famílias que pretendem viajar com seus animais, a recomendação é pesquisar a experiência da empresa, verificar a capacitação dos profissionais e entender como será realizado o acompanhamento durante todo o trajeto.

Também é importante desconfiar de promessas de facilidades irregulares, documentos sem validade comprovada ou garantias de viagens sem riscos. Uma empresa responsável precisa apresentar informações transparentes e reconhecer quando as condições não são adequadas para realizar o transporte.

Oliveira orienta que os tutores não escolham os serviços apenas pelo preço ou pela facilidade oferecida. A avaliação deve considerar principalmente a segurança do animal e a responsabilidade dos profissionais envolvidos.

“Um cão ou gato não é uma mercadoria nem uma bagagem. É um membro da família, e sua segurança e seu bem-estar precisam estar acima de qualquer vantagem comercial”, conclui.

Saiba mais: https://transportepetinternacional.com.br/

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