IPT e Politécnico de Turim vão criar novo Centro Internacional de Pesquisa em São Paulo

IPT e Politécnico de Turim vão criar novo Centro Internacional de Pesquisa em São Paulo

Cooperação internacional

IPT e Politécnico de Turim vão criar novo Centro Internacional de Pesquisa em São Paulo

Com apoio da FAPESP, o Polito Hub desenvolverá projetos conjuntos em transição energética, inteligência artificial, cidades inteligentes, transportes, arquitetura e planejamento urbano

Cooperação internacional

IPT e Politécnico de Turim vão criar novo Centro Internacional de Pesquisa em São Paulo

Com apoio da FAPESP, o Polito Hub desenvolverá projetos conjuntos em transição energética, inteligência artificial, cidades inteligentes, transportes, arquitetura e planejamento urbano

João Carlos Savio Cordeiro, superintendente técnico da Unidade de Energia do IPT, conduz Stefano Corgnati, reitor do Politécnico de Turim, e Roberto Zanino, da mesma instituição, em visitas técnicas a estruturas instaladas no campus do instituto (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – O Estado de São Paulo e a região italiana do Piemonte deram nesta semana dois passos importantes para ampliar a colaboração em pesquisas entre o Brasil e a Itália. Na segunda-feira (31/08), a FAPESP e o Politécnico de Turim (Polito) assinaram uma carta de intenções para a criação do Polito Hub, um Centro Internacional de Pesquisa (CIP) sediado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Dois dias depois, na quarta-feira (02/09), a FAPESP firmou outra carta de intenções com a fundação italiana Compagnia di San Paolo para financiar projetos conjuntos entre as três universidades estaduais paulistas e instituições de pesquisa do Piemonte.

“A ideia do novo Centro Internacional de Pesquisa é unir duas instituições históricas, como o Polito e o IPT, para impulsionar o desenvolvimento tecnológico conjunto, gerando resultados práticos e impactos positivos para a indústria, empresas de inovação e a sociedade”, disse Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, durante a cerimônia no IPT.

No novo centro, serão desenvolvidos projetos de ciência, tecnologia e inovação que reunirão universidades, indústria e empresas nas áreas de transição energética, inteligência artificial, cidades inteligentes, transportes, arquitetura e planejamento urbano.

O Polito Hub integrará o programa Centros Internacionais de Pesquisa (CIP) da FAPESP, que visa estimular a criação de centros de excelência científica em São Paulo em parceria com instituições de pesquisa e universidades de renome mundial. Já estão em funcionamento o Centro Internacional Institut Pasteur de São Paulo (IPSP) – uma parceria entre o Institut Pasteur (França) e a Universidade de São Paulo (USP) – e o Centro Internacional de Pesquisa “Worlds in Transitions” (IRC Transitions), que envolve o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França e a USP.

Segundo Zago, a Fundação atualmente discute a possibilidade de criar iniciativas similares com o Instituto Max Planck (Alemanha), a Universidade de Tsinghua (China) e o Instituto Nacional de Pesquisa em Ciência da Computação e Automação (França).

Raul Machado, gerente de Relações Institucionais da FAPESP, destacou que o Polito Hub permitirá que cientistas paulistas e italianos trabalhem lado a lado. “É uma união de forças que deve enriquecer o ecossistema de inovação e ampliar a capacidade de pesquisa com suporte da FAPESP”, disse.

O reitor do Politécnico de Turim, Stefano Corgnati, ressaltou que o trabalho conjunto fortalece as duas instituições de pesquisa, que podem criar um ecossistema no qual elas se tornam totalmente complementares. “Se estivermos juntos, seremos mais fortes”, afirmou.

Já o diretor-presidente do IPT, Anderson Correia, destacou que o acordo vai fortalecer a internacionalização do instituto e enriquecer seu ambiente de inovação. “Ao mesmo tempo em que trabalharemos lado a lado com os italianos aqui, também vamos colocar o IPT na Europa”, comemorou. O instituto tem, por meio do programa de inovação aberta IPT Open, se conectado a parceiros e multinacionais de relevância global, como Google, Intel, Vale, Tupi e WEG.

O prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, que também é cientista e professor do Politécnico de Turim, afirmou que as cidades são um teste fundamental para a competitividade de projetos de pesquisa. “O conceito moderno de cooperação internacional consiste em unir cidades, universidades e instituições públicas. Isso porque essa integração pode representar uma perspectiva fundamental para inovar na missão política das instituições que servem às nossas comunidades”, defendeu.



A delegação italiana conheceu o laboratório da área de hidrogênio, na Unidade de Energia do IPT (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Celeiro de craques

Depois de anunciar o novo Centro Internacional de Pesquisa, na quarta-feira (02/09), a FAPESP e a Fondazione Compagnia di San Paolo, fundação filantrópica italiana, assinaram uma carta de intenções para o financiamento de pesquisas conjuntas entre as três universidades estaduais paulistas – USP, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) –, o Politécnico de Turim, a Universidade de Turim e a Universidade do Piemonte Oriental.

“Mais que compartilhar o nome do mesmo santo padroeiro, temos a missão de contribuir para o desenvolvimento de nossos países. Também reconhecemos o valor geopolítico de fortalecer relações acadêmicas e científicas entre Itália e América Latina”, disse Marco Gilli, presidente da Fondazione Compagnia di San Paolo, por videochamada. Ele também afirmou que a instituição se comprometeu com o investimento inicial de € 200 mil ao longo de dois anos.

Para Gilli, o projeto é estratégico. “Ele conecta dois dos mais fortes clusters universitários do mundo. O da região de São Paulo é provavelmente um dos melhores da América do Sul, e também está entre os melhores do mundo”, afirmou.

A reitora da Unesp e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), Maysa Furlan, lembrou que os acordos representam um novo capítulo científico e acadêmico que aproxima grupos de pesquisa das duas regiões, criando novas oportunidades de interação.

Corgnati, que além de reitor do Politécnico de Turim é também coordenador da associação que reúne as três universidades estatais do Piemonte, afirmou que a parceria e a estrutura do novo centro de pesquisa podem criar o que ele chamou de “celeiro de craques”, ou seja, líderes científicos capazes de influenciar positivamente as trajetórias de suas regiões e do mundo.



A FAPESP e a Fondazione Compagnia di San Paolo assinaram uma carta de intenções para o financiamento de pesquisas conjuntas entre as universidades estaduais paulistas e instituições italianas (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Rápido e devagar

Tanto a criação do Polito Hub no IPT quanto o acordo para financiar pesquisas conjuntas se originaram de conversas impulsionadas pela Rede Magalhães, um consórcio internacional de universidades da Europa, da América Latina e do Caribe focado em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e arquitetura.

“Tudo começou na celebração do aniversário de 20 anos da Rede Magalhães, em 2025. Foi lá que vimos a oportunidade de conectar Turim e São Paulo. A conversa foi muito fácil desde o início, apesar da quantidade de videoconferências para desenharmos esses dois projetos. Mas, finalmente, há dois dias vimos o lugar onde trabalharemos juntos nos próximos anos”, lembrou Zago.

Roberto Zanino, presidente da Rede Magalhães, ressaltou que essa aproximação é também um marco para o consórcio, que originalmente tinha foco em tópicos educacionais e agora passa a capitanear investimentos em pesquisa científica.

Ele também contou que a rede pretende “exportar” esse modelo de colaboração inter-regional, oferecendo oportunidades para que outros parceiros estabeleçam acordos semelhantes. “Isso é algo especialmente relevante no contexto geopolítico atual”, concluiu.

 



Fonte ==> Folha SP

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