Hiran Castiel transforma memória sefardita e história da Amazônia em livros sobre identidade, sociedade e Brasil

Hiran Castiel

Empresário, jurista, jornalista, docente e escritor, autor resgata a trajetória das famílias Castiel e Serfaty e amplia produção literária dedicada à memória, à política e às transformações da sociedade brasileira

Das antigas comunidades judaicas da Península Ibérica e do Norte da África até as margens do Rio Amazonas, séculos de deslocamentos, perseguições, reconstruções e preservação cultural formam o caminho percorrido por Hiran Pinto Castiel em uma de suas obras mais pessoais. Em “Castiel e Serfaty: Uma Jornada Milenar até a Amazônia Brasileira”, o escritor transforma a história de seus antepassados em uma narrativa que ultrapassa os limites da memória familiar para dialogar com a própria formação histórica da região amazônica.

Hiran Castiel

Empresário, administrador, jurista, jornalista, escritor e docente, Castiel desenvolve uma produção intelectual marcada por temas que transitam entre história, política, organização social e identidade. Também preside o IEAB (Instituto Educacional da Amazônia Brasileira) e reúne em seus livros reflexões construídas a partir de diferentes áreas de sua trajetória profissional.

Em “Castiel e Serfaty”, porém, o ponto de partida está dentro da própria família.

De Castela e do Marrocos para a Amazônia

A obra acompanha especialmente as trajetórias familiares ligadas aos avós Moisés e Alegria. A partir delas, Castiel recupera a história de linhagens sefarditas marcadas pelas transformações vividas pelas comunidades judaicas ao longo dos séculos.

A narrativa conecta as raízes ibéricas, a passagem pelo Norte da África e a posterior chegada à Amazônia brasileira, inserindo a trajetória familiar no contexto das migrações que acompanharam períodos importantes do desenvolvimento econômico da região.

O Ciclo da Borracha ocupa lugar relevante nessa reconstrução. Foi durante esse período que a Amazônia atraiu comerciantes, trabalhadores e famílias de diferentes origens, transformando cidades e estabelecendo novas conexões entre o Norte brasileiro e outras partes do mundo.

Ao recuperar a experiência dos Castiel e Serfaty, Hiran procura mostrar como grandes acontecimentos históricos também podem ser compreendidos pelas histórias particulares das famílias que os atravessaram.

Nesse sentido, a genealogia deixa de funcionar apenas como registro de parentesco. Torna-se um instrumento para discutir deslocamento, pertencimento, religião, trabalho e preservação da identidade.

Livro dialoga com estudos sobre presença judaica na Amazônia

Para construir essa ponte entre memória privada e história regional, a obra dialoga com estudos relacionados à presença judaica na Amazônia, incluindo trabalhos associados ao pesquisador Samuel Benchimol e pesquisas antropológicas ligadas ao Museu Paraense Emílio Goeldi.

O resultado pretendido pelo autor é situar a trajetória de sua própria família dentro de um movimento histórico muito mais amplo.

A experiência sefardita apresentada no livro é marcada pela necessidade de adaptação sem abandono completo das tradições. Diante das sucessivas mudanças territoriais, práticas religiosas, valores familiares e formas de organização comunitária tornaram-se instrumentos importantes para preservar vínculos entre diferentes gerações.

É nesse ponto que “Castiel e Serfaty” ganha uma dimensão que vai além de uma biografia familiar.

A história de Moisés, Alegria e seus descendentes passa a representar também a capacidade de comunidades migrantes reconstruírem suas vidas em novos territórios sem romper completamente com aquilo que carregavam do passado.

Amazônia torna-se parte de uma história milenar

Ao levar a narrativa até o Norte brasileiro, Castiel insere a Amazônia em uma linha histórica que atravessa continentes e séculos.

A região deixa de aparecer somente como cenário e passa a assumir papel decisivo na reconstrução dessas famílias. É nela que antigas tradições encontram uma nova realidade social, econômica e cultural.

O livro aborda, assim, uma Amazônia construída não apenas por seus povos originários e pelos movimentos internos do Brasil, mas também pelas diferentes correntes migratórias que ajudaram a formar cidades, atividades econômicas e comunidades da região.

A preservação das tradições dentro de casa ganha especial importância nessa narrativa. O ambiente familiar surge como espaço de transmissão de valores, memória, identidade religiosa e ética do trabalho.

Ao recuperar essas histórias, Castiel também registra experiências que poderiam desaparecer à medida que as gerações mais antigas deixam de transmiti-las oralmente.

Hiran Castiel amplia produção como escritor

“Castiel e Serfaty” integra uma produção intelectual que não se limita à memória familiar.

Em outra frente, Hiran Pinto Castiel direciona seu olhar para questões contemporâneas da sociedade brasileira. Entre suas obras está “Contrato Social Fraturado – Estamos Vivendo em um Mundo Doente”, livro no qual discute problemas relacionados às instituições, à cidadania, à política e às relações que sustentam a organização social.

Na obra, o autor parte da percepção de uma ruptura progressiva entre sociedade, instituições e responsabilidades coletivas para provocar uma reflexão sobre o funcionamento do mundo contemporâneo.

“Contrato Social Fraturado” é apresentado como uma análise crítica sobre degradação institucional, corrupção sistêmica e apatia social, abordando suas consequências para a democracia e para o exercício da cidadania.

Hiran Castiel

Outra obra apresentada pelo escritor é “A Pobre Política Brasileira”, ampliando sua incursão pelo debate sobre o país, suas estruturas políticas e os desafios relacionados ao desenvolvimento institucional.

Hiran Castiel

Com isso, a produção de Castiel percorre dois movimentos que, embora diferentes, encontram pontos de contato.

De um lado, está o esforço para olhar para trás e compreender de onde vieram determinadas famílias, valores e identidades. Do outro, está a tentativa de interpretar o presente e questionar quais estruturas sociais e políticas estão sendo deixadas para as próximas gerações.

Uma trajetória profissional construída em diferentes áreas

A diversidade temática também acompanha a trajetória profissional de Hiran Pinto Castiel.

Além da literatura, ele reúne experiências nas áreas empresarial, administrativa, jurídica, jornalística e educacional. Registros oficiais do Estado de Rondônia documentam sua passagem por funções públicas, incluindo atuação na área de planejamento e administração e participação em estruturas relacionadas à regulação e gestão pública.

Em documento da Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia, Castiel também aparece como coordenador do Núcleo Técnico de Gestão, participando de trabalhos relacionados à gestão pública estadual.

Atualmente, essa experiência também se conecta à educação por meio de sua atuação como docente e como presidente do IEAB — Instituto Educacional da Amazônia Brasileira.

A multiplicidade de áreas ajuda a compreender a característica interdisciplinar presente em seus livros. História, administração, direito, política, comportamento social e memória aparecem como campos que se cruzam em sua produção.

Entre memória familiar e reflexão sobre o Brasil

Se em “Contrato Social Fraturado” e “A Pobre Política Brasileira” o olhar está direcionado aos problemas e contradições da sociedade contemporânea, “Castiel e Serfaty” percorre o caminho inverso: retorna ao passado para entender as raízes de uma história que termina, ou recomeça, na Amazônia.

É justamente essa relação entre passado e presente que conecta diferentes dimensões da produção de Hiran Castiel.

Ao registrar a trajetória de Moisés e Alegria, o escritor não preserva somente nomes de uma árvore genealógica. Recupera deslocamentos, costumes, escolhas e valores transmitidos entre gerações.

A jornada das famílias Castiel e Serfaty atravessa a memória sefardita, passa pelo Norte da África e encontra na Amazônia brasileira um novo capítulo. Uma história familiar que, transformada em livro, procura contribuir também para preservar parte da memória das comunidades que participaram da formação social e econômica da região.

Para Hiran Castiel, escrever torna-se, assim, uma forma de registrar o passado e simultaneamente questionar o presente. Seja investigando as raízes de sua família ou discutindo as fragilidades da sociedade brasileira, seus livros partem de uma preocupação semelhante: compreender como aquilo que uma geração constrói, ou deixa de construir, pode determinar o mundo encontrado pela geração seguinte.

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