O Fundo Humanitário do Haiti mobilizou um novo investimento emergencial no valor de US$ 75 milhões para conter o avanço da crise que assola o país caribenho.
A ONU cita o avanço descontrolado da violência armada e pede doações para a iniciativa, que administra através do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha.
Serviços públicos essenciais
Além da violência, o pedido cita os deslocamentos forçados de comunidades inteiras e o colapso quase total dos serviços públicos essenciais, empurrando a nação caribenha para o limiar de uma catástrofe sem precedentes.
A meta é canalizar os recursos para 10 projetos cruciais espalhados por 28 comunidades prioritárias nos departamentos do Oeste, Centro e Artibonite. A meta é alcançar cerca de 507 mil pessoas em situação de extrema vulnerabilidade.
Como parte do cenário enfrentado pela população, cerca de 6,4 milhões de pessoas necessitam urgentemente de assistência humanitária no Haiti, enquanto quase 6 milhões enfrentam níveis graves de insegurança alimentar.
Violência desenfreada das gangues forçou quase 1,5 milhão de pessoas
A violência desenfreada das gangues forçou quase 1,5 milhão de pessoas a fugir, sendo que metade perdeu suas casas nos últimos 18 meses.
Alimentos, água potável e cuidados médicos
Para mitigar os impactos da situação, a verba gerida pelo Ocha viabilizará o fornecimento de alimentos, água potável, cuidados médicos urgentes e abrigos temporários.
Além disso, os fundos garantem tratamento para crianças com desnutrição aguda, assistência a pessoas com deficiência e serviços especializados de proteção psicológica e médica para sobreviventes de violência sexual e abusos.
Diante do bloqueio recorrente de vias e das ameaças constantes impostas por grupos armados, a estratégia de entrega da ajuda adota um modelo pioneiro focado na liderança local. Parte substancial do financiamento foi entregue diretamente a três consórcios de organizações não governamentais haitianas que atuam na linha de frente dos conflitos.
Estima-se que a abordagem fortaleça a governança local, conceda espaço decisório a quem vive a realidade do território e garanta que as operações cheguem aonde o apoio tradicional dificilmente alcança.
Organizações lideradas por mulheres
Um dos consórcios é liderado por uma coalizão de mulheres focada em combater os riscos específicos enfrentados por mulheres e meninas.
A coordenadora humanitária no Haiti, Nicole Kouassi, defende que colocar os parceiros nacionais no centro da resposta significa edificar uma arquitetura humanitária verdadeiramente sustentável para o país.
A representante expressou profundo otimismo ao ver organizações lideradas por mulheres assumindo a linha de frente na proteção feminina e infantil contra a exploração e a brutalidade.
O plano conta ainda com um mecanismo de resposta rápida de US$ 4,5 milhões, desenhado para agir com agilidade imediata diante de novos surtos de violência ou choques repentinos.
Defesa entre a sobrevivência e o colapso
Esse valor de US$ 75 milhões, financiado pelos Estados Unidos, soma-se aos US$ 125 milhões destinados anteriormente em março, totalizando US$ 203,6 milhões arrecadados pelo Fundo Humanitário do Haiti este ano.
No entanto, o Plano de Necessidades e Resposta Humanitária para o Haiti, estimado em US$ 880 milhões, atinge atualmente apenas 49% do valor necessário.
As Nações Unidas reiteram o apelo urgente à comunidade internacional por mais doações, enfatizando que cada contribuição adicional é a única linha de defesa entre a sobrevivência e o colapso definitivo de milhões de vidas.
Fonte ==> Gazeta