Grand Canyon tem sua história geológica decifrada – 17/04/2026 – Ciência

Formações rochosas e camadas geológicas do Grand Canyon sob céu azul com poucas nuvens. Sombras destacam a profundidade do cânion.

Pesquisadores identificaram como e quando o rio Colorado passou a fluir pela região do Arizona, esculpindo o Grand Canyon ao longo de milhões de anos. O resultado do estudo é apresentado em um artigo publicado nesta quinta (16) na revista Science.

Os autores da pesquisa conseguiram rastrear os caminhos que o rio percorreu no passado. Para isso, examinaram minúsculos grãos do mineral zircão em arenito composto de sedimentos transportados pelo rio e partículas de cinzas de erupções vulcânicas.

O estudo indica que o rio, há cerca de 6,6 milhões de anos, começou a fluir para uma grande depressão no nordeste do Arizona, formando um lago amplo e raso a leste de onde o Grand Canyon se formaria posteriormente.

A água do lago se acumulou ao longo do tempo até transbordar por um ponto baixo na margem, há cerca de 5,6 milhões de anos. Isso fez com que ela percorresse a região que se tornaria o Grand Canyon.

O rio então preencheu e transbordou por outra série de bacias a jusante do Grand Canyon, chegando finalmente ao golfo da Califórnia há cerca de 4,8 milhões de anos, desaguando no mar em um ponto no noroeste do México.

O lago, que pode ter atingido uma largura de mais de 150 quilômetros, desapareceu há muito tempo. Os pesquisadores o chamaram informalmente de lago Bidahochi, com base no nome de uma formação geológica local. Ele estava situado em grande parte onde hoje é a reserva da Nação Navajo.

“Cientistas há muito debatem quando o Grand Canyon foi esculpido, e nosso estudo contribui para essa discussão”, disse o geólogo John He, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, autor da nova pesquisa.

“Imagine que você vai até a margem de um rio e pega um punhado de areia. Nesse punhado, há centenas de milhares de grãos de areia que parecem iguais a qualquer outro grão de areia. Mas dentro desse punhado haverá algumas centenas ou até milhares de grãos microscópicos de cristal de zircão, cada um dos quais é um cofre de informações sobre sua origem”, explicou He.

A datação das cinzas ajudou a determinar quando os leitos de areia fluvial contendo os zircões foram depositados.

O rio Colorado nasce em La Poudre Pass, no Parque Nacional das Montanhas Rochosas, no Colorado, e percorre em torno de 2.300 quilômetros.

“Uma questão de longa data tem sido: para onde ia o rio antes de fluir pelo Grand Canyon?”, afirmou o geólogo Ryan Crow, pesquisador do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) em Flagstaff, Arizona, e coautor da nova pesquisa.

“Sabemos há muito tempo que o rio existia no oeste do Colorado há 11 milhões de anos e que ele não atravessava o Grand Canyon até depois de 5,6 milhões de anos atrás. Mas até agora não sabíamos quase nada sobre onde ele estava durante o período intermediário”, acrescentou Crow.

Outros mecanismos geológicos também podem ter ajudado a moldar o percurso do rio, segundo o geólogo.

O Grand Canyon, cujas paredes revelam rochas sedimentares e vulcânicas formadas há até 1,8 bilhão de anos, tem cerca de 450 quilômetros de extensão, até 30 quilômetros de largura e mais de 1,6 quilômetro de profundidade.

“Trabalhos anteriores mostram que, ao longo do último milhão de anos, o rio Colorado tem escavado a rocha a uma taxa média de cerca de 100 a 160 metros por milhão de anos, então o processo de formação do cânion continua. O cânion que vemos hoje é resultado de cerca de 5 milhões de anos de incisão e erosão fluvial”, disse Crow.

O cânion continua a inspirar admiração.

“O Grand Canyon é uma maravilha natural do mundo e chama a atenção de quase todos que o veem. As pessoas se relacionam com ele de diferentes maneiras. Mas acho que muitas, mesmo aquelas que raramente pensam em geologia, têm perguntas semelhantes quando o veem. Como ele se formou? Quando? Essas são perguntas que nos esforçamos para responder”, afirmou Crow.

“A arquitetura do planeta está tão exposta, desnuda diante de nós”, disse ele sobre as paredes do cânion. “Há algo inquietante nisso, ser desafiado a imaginar os milhões de anos de tempo geológico pela solidez de uma imponente parede de rocha.”



Fonte ==> Folha SP – TEC

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