Um espetáculo celeste marca os últimos dias de fevereiro e segue até meados de março. Nesse período, seis planetas podem ser vistos logo após o pôr do Sol em várias regiões do mundo. Mercúrio, Vênus, Saturno, Júpiter, Urano e Netuno aparecem distribuídos ao longo de uma mesma faixa do céu, formando um arco visível no começo da noite.
O fenômeno desperta interesse porque concentra vários planetas em uma mesma região aparente do céu, um tipo de configuração que não acontece com frequência, o que aumenta a curiosidade do público. Além disso, a observação ocorre logo após o pôr do Sol, em um horário acessível, não sendo preciso acordar de madrugada nem enfrentar longas horas de espera para assistir.
Apesar de ser conhecido como “alinhamento planetário”, o termo não é totalmente preciso do ponto de vista científico, uma vez que os planetas não ficam enfileirados no espaço. O que ocorre é um efeito de perspectiva: vistos da Terra, eles parecem próximos uns dos outros porque orbitam o Sol em trajetórias semelhantes, quase no mesmo plano.
Segundo Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, a expressão “desfile de planetas” descreve melhor o que está acontecendo desta vez.
Em resumo:
- Alinhamento planetário é um termo astronômico usado para descrever o evento em que vários planetas se reúnem, aparentemente próximos, em um lado do Sol ao mesmo tempo.
- Desfile planetário é um termo coloquial que significa, no sentido mais amplo, que vários planetas estão presentes no céu em uma noite.

Informações:
Quando observar o “alinhamento planetário”
- Data principal: 28 de fevereiro de 2026
- Melhor horário: cerca de uma hora após o pôr do Sol
- Janela de observação: do fim de fevereiro ao início de março
Este sábado (28) representa o momento em que os planetas aparecem mais agrupados para muitas regiões do mundo. Ainda assim, conforme a latitude, a melhor oportunidade para observar pode ocorrer alguns dias antes ou depois.
No Brasil, por exemplo, Mercúrio e Vênus estarão imersos no brilho do crepúsculo, tornando a visualização mais complicada, principalmente para o primeiro, que tem o brilho mais tímido. Por aqui, o momento mais propício para ver os planetas ocorreu na semana passada, entre quinta (19) e sexta-feira (20), quando Mercúrio estava em seu maior afastamento aparente do Sol. De acordo com o guia de observação Starwalk.space, em cidades como São Paulo, o agrupamento pareceu mais compacto na quarta-feira (25).
Embora sábado seja o dia “oficial” do chamado “desfile planetário”, o fenômeno segue visível nas próximas semanas. Em 7 de março, Vênus, Saturno e Netuno estarão em conjunção, ainda mais próximos no céu, compondo uma cena celeste que se destaca na luz suave do crepúsculo.

Quatro planetas podem ser vistos a olho nu. Vênus é o mais brilhante, seguido por Júpiter, que se destaca facilmente no céu. Saturno está com brilho moderado e aparência estável, enquanto Mercúrio é o mais difícil de localizar. Devido ao seu brilho modesto e à sua proximidade do Sol, ele será visível apenas por alguns minutos no início da noite.
Já Urano e Netuno exigem o uso de binóculos ou telescópio. Ambos têm brilho fraco e não se destacam entre as estrelas, o que torna a observação mais desafiadora sem auxílio óptico.
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Onde olhar no céu
Logo após o anoitecer, os planetas estarão distribuídos de oeste para leste, formando um arco suave ao longo da eclíptica. No Hemisfério Sul, esse arco aparece inclinado com maior elevação voltada para a região norte do céu.
- Oeste / noroeste (baixo no horizonte): Mercúrio e Vênus
- Oeste / noroeste (um pouco mais alto): Saturno e Netuno
- Região norte do céu: Urano
- Leste / nordeste: Júpiter, próximo da Lua
Como o cenário muda ao longo da noite
Mercúrio e Vênus vão sumir no horizonte primeiro, seguidos por Saturno e Netuno. Urano permanece visível por mais tempo, enquanto Júpiter é o último a se pôr.
Por isso, a dica mais importante é iniciar a observação assim que o céu começar a escurecer. Com um horizonte desobstruído e condições meteorológicas favoráveis, será possível acompanhar um dos eventos astronômicos com maior impacto visual do período.

Você pode “ouvir o som” dos maiores planetas do Sistema Solar
A equipe científica do Observatório Espacial de Raios X Chandra, da NASA, produziu a sonificação de sinais de luz e raios X emitidos pelos planetas Júpiter, Saturno e Urano, os três maiores do Sistema Solar. Eles têm campos magnéticos intensos, capazes de gerar fenômenos energéticos detectados nessa faixa de luz.
Segundo a agência, a magnetosfera de Júpiter é a maior estrutura contínua do Sistema Solar depois da influência do Sol. Ela alcança milhões de quilômetros e supera em muito a força do campo magnético da Terra. Em Saturno, o campo magnético é menor, mas abriga fenômenos curiosos, como os jatos de gelo de Encélado, que produzem ondas eletromagnéticas ao redor do planeta. Já Urano chama atenção porque seu campo magnético é inclinado e deslocado do centro. Esse desalinhamento ajuda a explicar suas auroras incomuns e está ligado a um antigo impacto que também alterou sua rotação, fazendo o planeta girar “de lado”.
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Fonte ==> Olhar Digital