Estudo investiga associação de clorexidina e fitoterápicos contra fungo causador de infecção hospitalar

Estudo investiga associação de clorexidina e fitoterápicos contra fungo causador de infecção hospitalar

Biomedicina

Estudo investiga associação de clorexidina e fitoterápicos contra fungo causador de infecção hospitalar

Trabalho conduzido na Unifran demonstrou forte sinergismo entre antisséptico e compostos como eugenol e mentol no combate ao fungo Candida parapsilosis

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Estudo investiga associação de clorexidina e fitoterápicos contra fungo causador de infecção hospitalar

Trabalho conduzido na Unifran demonstrou forte sinergismo entre antisséptico e compostos como eugenol e mentol no combate ao fungo Candida parapsilosis

A primeira placa mostra crescimento do fungo Candida parapsilosis sem exposição ao antisséptico, enquanto a segunda mostra redução após exposição à composição à base de clorexidina, eugenol e mentol (imagem: Gabrielle Lameado Pereira/Laboratório de Microbiologia-Unifran)

Cristiane Macedo | Agência FAPESP – Estudo publicado na revista Pathogens avaliou o efeito de uma formulação antisséptica à base de clorexidina alcoólica a 0,5% combinada com compostos orgânicos naturais (como eugenol e mentol), demonstrando capacidade de inibir e reduzir drasticamente a resistência do fungo Candida parapsilosis, uma das principais causas de infecções em ambientes hospitalares.

A descoberta é importante porque o fungo apresenta grande capacidade de formar biofilmes em dispositivos médicos e superfícies inanimadas, além de exibir resistência a medicamentos e produtos desinfetantes.

Normalmente, o C. parapsilosis vive na microbiota humana sem causar danos. No entanto, se entrar em contato com feridas, incisões cirúrgicas ou dispositivos implantados, como cateteres, pode provocar infecções graves. Nos hospitais, a contaminação ocorre frequentemente de forma cruzada, por meio das mãos dos profissionais de saúde.

A pesquisa recebeu apoio da FAPESP e é coordenada pela professora Regina Helena Pires, da Universidade de Franca (Unifran), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia, do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), além da Universidade do Minho, em Portugal.

“Esses microrganismos são resistentes aos fármacos e muitos acabam sendo resistentes também aos antissépticos e aos desinfetantes, por isso é tão importante desenvolver um produto que seja eficiente na eliminação desse fungo”, afirma Pires.

Como explica a pesquisadora, embora a clorexidina alcoólica a 0,5% e o etanol a 70% já figurem entre os agentes com maior eficácia fungicida em testes de superfície, a associação com fitoterápicos visa potencializar a ação antimicrobiana e mitigar os efeitos adversos do uso contínuo de álcool, que costuma ressecar a pele.

“Um profissional da saúde precisa higienizar as mãos muitas vezes ao dia e isso acaba causando o ressecamento. A composição que nós estamos desenvolvendo traz componentes de óleos essenciais justamente porque esses fitoterápicos também ajudam a hidratar a pele”, explica.

Os testes

As amostras dos fungos usadas nos testes in vitro do produto foram obtidas das mãos de 60 profissionais que trabalhavam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátrica e oncológica.

De acordo com a professora, foram testadas diferentes combinações de antissépticos e fitoterápicos. Os ensaios demonstraram forte sinergismo entre a clorexidina e compostos como eugenol e mentol.

“Como o C. parapsilosis adere tanto à pele humana quanto a plásticos e superfícies, os resultados indicam que o uso de combinações de compostos pode aumentar a eficácia contra o fungo”, afirma Pires.

Próximos passos da pesquisa

O grupo de pesquisadores trabalha com essa linha de estudos desde 2023. Atualmente, realiza avaliações complementares de eficácia e testes de toxicidade in vivo utilizando o modelo de invertebrado Caenorhabditis elegans.

De acordo com Pires, os estudos auxiliam na prospecção de formulações mais seguras e específicas para o uso em ambientes de assistência crítica.

“Estamos trabalhando agora com testes em pedaços de pele de porco, em laboratório, porque é a mais próxima que temos da pele humana. Essa parte da pesquisa já está na fase final. Em outubro [de 2026], uma das pesquisadoras irá a Portugal para fazer novos testes em diferentes tipos de superfícies por meio de uma parceria com pesquisadores da Universidade do Minho. Usaremos, por exemplo, microscopia de varredura para ver o que acontece com essas células do fungo após a aplicação das composições que estão sendo testadas, e faremos ensaios com imunofluorescência para determinar a quantidade de células que ficaram deterioradas após a aplicação”, destaca a pesquisadora.

O artigo Surface carrier testing of hospital antiseptics against Candida parapsilosis from healthcare workers’ hands pode ser lido em: mdpi.com/2076-0817/15/4/410.

 



Fonte ==> Folha SP

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