À frente do Eruption Club, Rodrigo Ferri Parisotto reúne empresários em uma jornada voltada ao crescimento dos negócios, lucratividade e desenvolvimento de lideranças; iniciativa também promoveu o Eruption Day como espaço de conexão e evolução empresarial
O crescimento costuma ocupar o centro das discussões no ambiente empresarial. Vender mais, conquistar novos clientes, ampliar equipes e aumentar o faturamento aparecem entre os objetivos mais comuns de quem empreende. Mas existe uma questão anterior que começa a ganhar espaço entre empresários: quem desenvolve o líder enquanto ele está ocupado desenvolvendo a própria empresa?
A pergunta ajuda a compreender uma mudança importante na maneira de enxergar a gestão. Afinal, uma empresa pode aumentar seu faturamento sem necessariamente se tornar mais saudável, organizada ou lucrativa. Da mesma forma, o crescimento da operação pode expor fragilidades que permaneciam menos evidentes enquanto o negócio era menor.
É nesse cenário que Rodrigo Ferri Parisotto vem direcionando sua atuação para o desenvolvimento de empresários e de suas organizações. Estrategista, mentor e multiempresário, ele reúne uma trajetória de mais de duas décadas ligada aos negócios e defende que crescimento empresarial, lucro e evolução de quem ocupa a liderança precisam caminhar juntos.

Quando crescer deixa de ser suficiente
Existe uma diferença significativa entre ter uma empresa que vende e construir uma organização capaz de gerar resultados de maneira consistente. À medida que o negócio avança, decisões antes tomadas intuitivamente passam a exigir indicadores, planejamento, processos e uma compreensão mais profunda da operação.
Questões relacionadas a finanças, marketing, vendas, estratégia e tecnologia deixam de ser departamentos isolados e passam a fazer parte de uma mesma discussão: como construir uma empresa que cresça com estrutura e rentabilidade.
Nesse processo, o próprio empresário pode se tornar um dos principais fatores de crescimento ou um dos maiores gargalos da organização.
Quando praticamente todas as decisões precisam passar pelo fundador, a expansão encontra um limite. Delegar, formar lideranças, acompanhar indicadores e desenvolver uma visão estratégica deixam de ser competências desejáveis e passam a ser necessárias.
Para Parisotto, portanto, desenvolver uma empresa significa também desenvolver quem está à frente dela. É uma transformação que envolve abandonar gradualmente uma atuação concentrada apenas na execução para assumir, cada vez mais, o papel de liderança empresarial.
Uma comunidade formada por empresários
Essa visão está entre as bases do Eruption Club, iniciativa conduzida por Parisotto e atualmente formada por 12 membros. O grupo tem como foco o crescimento e o desenvolvimento de empresas, trabalhando aspectos relacionados à construção de negócios mais lucrativos e à evolução dos próprios empresários.
A proposta parte da compreensão de que os desafios enfrentados por quem lidera uma organização não se resumem aos números do balanço. A capacidade de tomar decisões, formar equipes, estabelecer prioridades e compreender o próprio papel dentro da empresa influencia diretamente o desempenho da operação.
Ao reunir empresários em torno desses desafios, o clube também cria um ambiente de troca de experiências. Embora cada negócio tenha particularidades, questões como lucratividade, crescimento, liderança, gestão de pessoas e profissionalização aparecem em diferentes setores e estágios empresariais.
Faturamento não é sinônimo de lucro
Um dos pontos centrais dessa discussão está na diferença entre crescer e crescer de maneira saudável. O faturamento, isoladamente, não revela necessariamente a qualidade de uma empresa.
Uma organização pode vender cada vez mais e, ao mesmo tempo, enfrentar margens reduzidas, custos elevados, processos ineficientes e uma dependência excessiva do proprietário. Em alguns casos, aumentar as vendas sem corrigir essas questões significa apenas aumentar também a dimensão dos problemas.
É por isso que a lucratividade ocupa espaço importante na proposta defendida por Parisotto. Mais do que perseguir números maiores, o empresário precisa compreender quais resultados sua operação efetivamente produz.
Essa mudança de perspectiva exige domínio sobre indicadores e capacidade de transformar informações em decisões. Saber quanto a empresa vende é apenas uma parte da equação. Entender quanto sobra, onde estão os gargalos e quais atividades efetivamente geram valor torna-se fundamental para sustentar o crescimento.
Eruption Day amplia as discussões sobre liderança

Essa proposta de desenvolvimento também ganhou espaço no Eruption Day, evento realizado a partir do ecossistema construído em torno do projeto. O encontro levou para o ambiente presencial discussões relacionadas aos desafios enfrentados pelos empresários e reforçou a importância da conexão entre gestão, estratégia e liderança.
Mais do que concentrar o debate apenas em ferramentas empresariais, a iniciativa coloca o empresário no centro da transformação. Isso porque mudanças estruturais dentro de uma organização frequentemente começam pela maneira como seus líderes interpretam problemas, estabelecem prioridades e conduzem suas equipes.
O evento também reforçou uma característica presente na construção do Eruption Club: a troca entre pessoas que vivem, na prática, os desafios de administrar negócios.
Do empreendedor operacional ao líder empresarial
A trajetória de Parisotto ajuda a explicar essa abordagem. Com 22 anos de atuação, mais de 190 palestras realizadas e mais de 10 mil pessoas alcançadas em sete países, ele acumulou experiências em diferentes ambientes profissionais. Entre elas está também a passagem pela gestão pública, período em que exerceu o cargo de secretário municipal de Turismo de Bento Gonçalves.
Hoje, parte desse repertório está direcionada à orientação de empresários e à estruturação do Método Eruption, que trabalha cinco dimensões relacionadas à gestão: estratégia, finanças, marketing, vendas e tecnologia.
A ideia é olhar para a empresa de maneira integrada. Afinal, dificuldades financeiras podem ter origem na precificação; problemas comerciais podem estar relacionados ao marketing; baixa produtividade pode revelar falhas de processos; e dificuldades para crescer podem estar ligadas à centralização das decisões.
Nesse cenário, liderança empresarial deixa de significar simplesmente estar no comando. Passa a envolver a capacidade de construir uma organização que funcione, evolua e gere resultados para além da presença constante de seu fundador.
Quem desenvolve o empresário?
Empreendedores dedicam grande parte de sua trajetória ao desenvolvimento de produtos, serviços, equipes e clientes. Porém, conforme as empresas amadurecem, surge uma questão que dificilmente pode ser ignorada: o empresário também precisa continuar evoluindo.
Os desafios de uma organização com cinco funcionários não são os mesmos de uma empresa com 20, 50 ou 100 profissionais. Da mesma maneira, as competências necessárias para iniciar um negócio não são necessariamente suficientes para conduzi-lo durante uma fase de expansão.
É nesse ponto que desenvolvimento empresarial e desenvolvimento pessoal se encontram.
A experiência construída por Parisotto com o Eruption Club e seus membros parte justamente dessa relação. O objetivo não está apenas em fazer empresas crescerem, mas em contribuir para que esse crescimento venha acompanhado de lucro, estrutura e líderes mais preparados para os novos desafios.
Porque, em determinado momento da trajetória de qualquer negócio, a próxima etapa de crescimento pode não depender de trabalhar mais, vender mais ou contratar mais. Pode começar pela evolução de quem está tomando as decisões.