Por Bayard Do Coutto Boiteux
Poucos projetos ligados à promoção do Estado do Rio de Janeiro conseguiram atravessar mais de três décadas, diferentes governos, crises econômicas e profundas transformações no turismo sem perder sua essência. Os Embaixadores de Turismo do RJ pertencem a essa rara categoria. Mais do que um projeto, tornaram-se uma rede de pessoas que acreditam no Rio e, principalmente, trabalham por ele.
A ideia nasceu ainda na gestão do prefeito Saturnino Braga, no âmbito da Riotur, quando Alfredo Laufer, empresário visionário, presidia a empresa. Contamos também com a colaboração efetiva de José Eduardo Guinle, então diretor comercial do Copacabana Palace e presidente da Associação dos Hotéis de Turismo. Em um momento de poucos recursos para promoção turística, entendemos que era preciso encontrar formas criativas de divulgar o destino.
Nunca esquecerei a primeira versão do projeto, realizada em uma noite Black Tie, no Golden Room do Copacabana Palace, com pins de Embaixador criados pela H. Stern. Era impossível imaginar naquele momento a dimensão que aquela iniciativa alcançaria.

Bayard Do Coutto Boiteux vice presidente e executivo da Associação dos Embaixadores de Turismo
O conceito era simples: o Rio já possuía pessoas que, por meio de suas atividades profissionais, ajudavam espontaneamente a divulgar e fortalecer sua imagem. Por que não reconhecê-las e aproximá-las? Artistas, empresários, jornalistas, professores, médicos, diplomatas, chefs, profissionais do turismo e representantes dos mais diferentes segmentos passaram a formar uma rede plural. Posteriormente, o projeto ultrapassou os limites da capital e assumiu uma dimensão estadual.
Mas existe um conceito que faço questão de reafirmar: Embaixador de Turismo do RJ não é uma homenagem honorífica nem um prêmio por serviços realizados no passado. É um reconhecimento a uma pessoa física pelo trabalho que realiza atualmente, de maneira efetiva, em prol do Rio de Janeiro.
Não reconhecemos empresas, instituições ou cargos. Reconhecemos pessoas. Alguém pode presidir uma grande empresa, ocupar uma função pública, dirigir uma instituição ou exercer qualquer profissão. Isso não lhe garante o reconhecimento. O cargo é circunstancial e passageiro. O que nos interessa é a pessoa e aquilo que ela está fazendo hoje pelo Rio.

Museu de Arte Contemporânea de Niterói
Essa diferença pode parecer pequena, mas é fundamental para compreender a filosofia do projeto. Não buscamos simplesmente currículos importantes, nomes conhecidos ou posições sociais. A pergunta que deve orientar uma indicação é muito mais objetiva: o que essa pessoa faz atualmente pelo Rio de Janeiro?
Por isso, ao longo dos anos, estruturamos um processo de escolha por meio de um júri plural, com diferentes formações e olhares. Há também a possibilidade de nomes serem indicados pelo público. A pluralidade sempre foi uma das nossas maiores preocupações, porque um projeto que representa o Rio não pode ser construído a partir de uma única visão.
Ser escolhido, entretanto, não significa receber um diploma, tirar uma fotografia e desaparecer. O reconhecimento pressupõe continuidade. Esperamos que o Embaixador participe, divulgue, proponha, aproxime pessoas, abra portas e continue colocando sua atividade e sua capacidade de mobilização a serviço do Rio.
Não reconhecemos o cargo, reconhecemos a pessoa. Não premiamos o passado, valorizamos a atuação presente. E não entregamos simplesmente uma homenagem: estabelecemos um compromisso com o Rio de Janeiro.
Talvez esteja justamente aí uma das explicações para a longevidade do projeto. Ele atravessou administrações públicas, mudanças políticas, crises econômicas e até uma pandemia porque nunca pertenceu exclusivamente a um governo ou a um grupo. Sua força está nas pessoas.
A Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ ampliou ainda mais essa filosofia. Hoje, nosso trabalho envolve campanhas institucionais, atividades culturais, encontros, exposições, workshops, pesquisas, debates e ações de divulgação.
Há também algo que considero indispensável: o networking. Turismo é feito de relações humanas. Quando aproximamos profissionais que talvez jamais se encontrassem em suas atividades cotidianas, surgem ideias, projetos, amizades e parcerias. Turismo não se constrói apenas dentro de gabinetes. Turismo é cultura, gastronomia, hotelaria, comércio, segurança, mobilidade, meio ambiente, patrimônio, educação, comunicação e, sobretudo, gente.
Também nunca quisemos um grupo de pensamento único. Não é preciso ser chapa-branca para amar o Rio. Um verdadeiro Embaixador precisa ter liberdade para elogiar o que funciona e apontar aquilo que precisa mudar. Defender o Rio não é esconder seus problemas. É reconhecer suas extraordinárias potencialidades e trabalhar para enfrentar suas deficiências.
Agora nos aproximamos de uma nova etapa. 2027 será o último ano deste ciclo de reconhecimento de novos Embaixadores de Turismo do RJ. Em 2028 e 2029 não haverá novas nomeações. Será uma pausa planejada para concentrarmos esforços no fortalecimento da Associação, na integração dos Embaixadores e, principalmente, na ampliação de nossas ações.
Às vezes é preciso parar de crescer numericamente para crescer institucionalmente. Queremos mais participação, mais projetos e mais resultados. Em 2030 retomaremos as nomeações, iniciando um novo ciclo, renovado e ainda mais comprometido com a essência que nos trouxe até aqui.
Tenho orgulho de ter participado da criação dessa ideia e de continuar envolvido com ela. Mas um projeto que atravessa décadas jamais pode pertencer a uma única pessoa. Ele é resultado do trabalho de presidentes, diretores, jurados, parceiros, apoiadores e, sobretudo, dos próprios Embaixadores.
Depois de tantos anos, continuo acreditando que o maior patrimônio turístico do Rio de Janeiro não está somente em suas praias, montanhas, monumentos e paisagens. Está também nas pessoas que acreditam nele e trabalham por ele.
É isso que significa ser Embaixador de Turismo do RJ: ser reconhecido não pelo cargo que ocupa, nem apenas pelo que fez ontem, mas pelo que faz hoje pelo Rio de Janeiro.
Um projeto que deu certo, sem dúvida. Mas, sobretudo, um projeto que soube permanecer vivo porque nunca deixou de olhar para o futuro.
Bayard Do Coutto Boiteux é um eterno apaixonado e lutador por um Rio mais sustentável .Atualmente ocupa a vice presidencia executiva da Associação dos Embaixadores de Turismo do Rj