Inovação
Centro de Inovação em Tecnologia Offshore inaugura sede e novos laboratórios
Com investimento de R$ 165 milhões, o OTIC reúne FAPESP, Shell Brasil, USP e IPT para desenvolver tecnologias focadas em eficiência operacional e baixa emissão de carbono
Inovação
Centro de Inovação em Tecnologia Offshore inaugura sede e novos laboratórios
Com investimento de R$ 165 milhões, o OTIC reúne FAPESP, Shell Brasil, USP e IPT para desenvolver tecnologias focadas em eficiência operacional e baixa emissão de carbono
NavLab é um dos quatro novos laboratórios do OTIC, focado em realidade aumentada e virtual para o treinamento e avaliação de riscos humanos em operações complexas (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
Elton Alisson | Agência FAPESP – Foi inaugurada na quarta-feira (15/04), na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), a sede e quatro novos laboratórios do Centro de Inovação em Tecnologia Offshore (OTIC) – um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) financiado pela FAPESP em parceria com a Shell Brasil, a USP e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Lançado em junho de 2024, o OTIC tem a missão de desenvolver tecnologias para a geração de mais energia a partir do oceano, com menores emissões de gases de efeito estufa, garantindo operações mais eficientes e seguras. Com investimento previsto de R$ 165 milhões ao longo dos cinco primeiros anos de operação, o centro reúne mais de 250 pesquisadores vinculados a universidades e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior, iniciando suas atividades com um portfólio de 24 projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Dessa carteira de projetos, 11 apresentam maturidade tecnológica em estágio de descoberta, voltados à geração de conhecimento fundamental. Outros seis têm características de desenvolvimento de tecnologia e quatro estão em nível mais avançado, com demonstração de protótipos e tecnologias prestes a chegar ao mercado.

Carlos Graeff (na foto, em terceiro da direita para a esquerda), diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP: OTIC é mais um exemplo de sucesso do modelo de CPAs, voltados a promover a união entre a academia e o setor empresarial para a realização de pesquisa aplicada (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
“O setor offshore brasileiro terá um papel de protagonismo na transição energética. Somente se o Brasil conseguir integrar os setores industriais onshore e offshore teremos chance de alcançar a neutralidade de carbono. Mas isso requer uma visão que vai muito além da pesquisa e desenvolvimento e passa por um planejamento nacional dos setores industriais. Por isso, o OTIC integra a indústria, o governo e a academia”, afirmou Gustavo Assi, professor da Poli-USP e diretor-executivo do OTIC.
Em seu pronunciamento na abertura do evento, Assi sublinhou que o país possui um setor offshore altamente desenvolvido, fruto de quatro décadas de intensos investimentos em ciência e tecnologia. Esse esforço permitiu a exploração do pré-sal a partir de 2010, consolidando-o como a principal fonte de produção de petróleo e gás natural do Brasil, representando hoje mais de 80% do total nacional.
“Somos um país que extrai sua energia fóssil do oceano. Portanto, se precisamos realizar a transição energética e nossa energia vem do oceano, não há como o setor offshore não participar desse processo e passar por transformações”, avaliou.
Parceria estratégica
Na avaliação de Carlos Graeff, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da FAPESP, o OTIC é mais um exemplo de sucesso do modelo de CPAs, voltados a promover a união entre a academia e o setor empresarial para a realização de pesquisa aplicada.
“O Brasil está em uma posição confortável geopoliticamente hoje, em um contexto de guerra e bloqueio [no Estreito de Ormuz, no Irã] de 20% do petróleo produzido no mundo, por causa do investimento em pesquisa feito há décadas para viabilizar o offshore em águas profundas. O OTIC é o próximo passo dessa evolução”, afirmou o dirigente na abertura do evento.
O diretor-presidente do IPT, Anderson Ribeiro Correia, destacou que o sucesso brasileiro na produção de petróleo offshore só foi possível devido à parceria estratégica entre academia, governo e indústria, repetindo modelos adotados na criação da Petrobras e da Embraer. “Quando foi lançada a ideia de exploração do pré-sal, muita gente duvidou da possibilidade de extrair petróleo a 7 mil metros de profundidade. Isso só foi vencido graças à visão de todos os participantes. Será preciso repetir essa parceria, agora, para enfrentar os novos desafios do setor”, avaliou.
A diretora de tecnologia e inovação da Shell Brasil, Manuela Lopes, destacou que essa colaboração multissetorial está no cerne do centro: “O OTIC nasceu com a posição clara de conectar academia, governo e indústria para desenvolver soluções tecnológicas sustentáveis baseadas na ciência brasileira, que tem um potencial incrível”.
O reitor da USP, Aluísio Segurado, afirmou que o centro tem plena aderência à missão institucional da universidade de “produzir, difundir e traduzir o conhecimento inovador em tecnologias que possam subsidiar políticas capazes de promover o desenvolvimento econômico e social de São Paulo e do país”.
Ecossistema de laboratórios
Durante o evento, foram apresentados quatro novos laboratórios do OTIC, que utilizam tecnologias de fronteira para simular e preparar operações no ambiente oceânico. Um deles é o NavLab, focado em realidade aumentada e virtual para o treinamento e avaliação de riscos humanos em operações complexas.

O Digital Ocean Lab processa em tempo real dados de milhares de sensores instalados no mar. A unidade conta com um simulador de manobras de atracação de alta fidelidade, capaz de reproduzir as condições de navegação de todos os portos do país (imagem: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
O segundo é o Cosmos, voltado à simulação de operações remotas, infraestrutura essencial para projetos de plataformas não tripuladas. O terceiro laboratório, o SpotLab, dedica-se à percepção social da tecnologia, utilizando ciências cognitivas para alinhar o desenvolvimento técnico aos valores da sociedade.
Por fim, o Digital Ocean Lab, localizado no Instituto Oceanográfico (IO) da USP, cria um “oceano digital” ao processar em tempo real dados de milhares de sensores instalados no mar. A unidade conta com um simulador de manobras de atracação de alta fidelidade, capaz de reproduzir as condições de navegação de todos os portos do país, permitindo o treinamento avançado de comandantes e práticos.

Tanque de provas numérico (TPN) do Instituto Oceanográfico da USP (imagem: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
Fonte ==> Folha SP