Um grupo de nações que escolheram a língua portuguesa como língua oficial ou nasceram com o idioma.
Um bloco político, presente em quatro continentes e com membros em outras organizações regionais como União Europeia, Mercosul, União Africana, Asean, Sadc e Cedeao.
Nações emergentes e dividendos demográficos
Ao completar 30 anos, neste 17 de julho, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, abriga mais de 30 nações observadoras e associadas, interessadas neste bloco de países lusófonos, emergentes, ricos em recursos naturais e dividendos demográficos.
Para o Brasil, toda esta convergência política prova o crescimento do interesse do mundo pela língua portuguesa e pelos países lusófonos. Nesta entrevista à ONU News, o embaixador do Brasil junto às Nações Unidas, Sérgio Danese, lembra da decisão de criar a Comunidade durante um Encontro de Cúpula de Chefes de Estado e Governo, em São Luís, do Maranhão, em 1989.
“Com o movimento de independência dos países africanos de língua portuguesa, ficou patente que nós estávamos adquirindo uma nova identidade no concerto mundial. E eu acho que isso motivou que nós procurássemos então começar um movimento primeiro: valorizar a língua portuguesa porque ela passou a ser língua oficial de um número maior de países nas Nações Unidas. Então, foi uma iniciativa do presidente Sarney, em 1989, de fazer a reunião de São Luís, cujo primeiro impulso foi de promover a língua portuguesa como uma língua de civilização, uma língua de identidade de um grupo de países. E a partir daí, se começou a construção da Cplp.”
Durante a Cimeira de Chefes de Estado e Governo, no Maranhão, foi estabelecido ainda o Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Iilp, que tem sede em Cabo Verde, e a tarefa de cuidar do idioma com políticas da língua e outras medidas aprovadas por todos os países lusófonos.
A promoção e difusão da língua é um dos pilares da Cplp ao lado da concertação político-diplomática e da cooperação multilateral. E pelo mundo, a força da comunidade lusófona começa a ser notada também em eleições de organizações internacionais e nas oportunidades de negócios de seus mercados nacionais.
Para o embaixador Sérgio Danese, “a capacidade de atuação” da Cplp já é aceita por todos.
“Eu acho que esses países que são observadores viram isso: uma comunidade que tem uma identidade forte, que tem uma capacidade de atuação, que está presente em quatro continentes diferentes e que tem, portanto, uma capacidade de atuação que vale, imagino, a pena acompanhar. E também, obviamente, há um interesse pela língua portuguesa, que é a língua mais falada no Hemisfério Sul, e uma língua de civilização, como eu disse, de início.”
Representantes da Cplp na exposição “Gentes e Terras” na sede da ONU. Da esq. à dir. Angola, Moçambique, Timor-Leste, Cabo Verde e Portugal
Angola e Timor-Leste no comando rotativo
Atualmente, a Comunidade é liderada pela embaixadora angolana, Maria de Fátima Jardim, como secretária-executiva, e presidida por Timor-Leste, numa presidência pró-tempore. Com cada país valendo um voto, a Cplp se organiza de maneira democrática e entrega a Presidência da Casa, de forma rotativa e alfabética, a todos os Estados-membros com direito pleno.
E ao ser comparada com outros blocos regionais como Commonwealth ou Organização da Francofonia, a Cplp, é a que mais abriga organizações da sociedade civil. A ONU News perguntou ao embaixador do Brasil, Sérgio Danese, o que os cidadãos desses países podem obter da Cplp na prática.
“A Cplp mostrou à sociedade civil, as nossas sociedades civis, que existe uma possibilidade de sair das suas fronteiras usando a sua língua. E isso, obviamente, é um fator de incentivo muito grande para que as nossas sociedades, as nossas entidades, os nossos grupos, se sintam motivados a olhar para o exterior e a olhar para aqueles que falam a sua língua. A língua é o grande instrumento de vida das pessoas. É o grande instrumento de participação das pessoas. E se você se sente isolado por causa da sua língua, você obviamente está limitado, está perdendo oportunidades de promover os seus interesses, a sua visão de mundo e assim por diante.”
Atualmente, a Comunidade é liderada pela embaixadora angolana, Maria de Fátima Jardim
Oportunidades nas diásporas pelo mundo
O embaixador Sérgio Danese também lembrou da cooperação econômica dos países que falam português e do poder das diásporas brasileira, portuguesa, cabo-verdiana e de outras nações lusófona em países como Estados Unidos e outros destinos de migrantes que falam português.
As celebrações para os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa estão marcadas para ocorrer nas nove nações neste 17 de julho culminando no Encontro de Cúpula de Ministros do bloco em Díli, capital do Timor-Leste, em agosto.
O Podcast ONU News, edição especial, conversará com os representantes das nações lusófonas assim como jovens na diáspora durante todo o mês de julho para marcar o aniversário da Comunidade.
*Monica Grayley é editora-chefe da ONU News.
Fonte ==> Gazeta