Bancos vendem dívida de US$ 15 bi da Anthropic e Google – 06/08/2026 – Tec

Vista de complexo industrial com tanques metálicos grandes, tubulações e chaminés ao fundo, cercado por grades de metal. No primeiro plano, há cones de sinalização laranja e barreiras vermelhas em área de terra. Um poste de iluminação e fios elétricos estão visíveis, assim como parte de um veículo branco desfocado à esquerda.

Os bancos planejam se desfazer de US$ 15 bilhões (R$ 76,8 bilhões) em dívidas vinculadas a um data center no Texas apoiado pelo Google e alugado pela Anthropic, à medida que credores de Wall Street ficam mais cautelosos em manter dívidas de infraestrutura de inteligência artificial (IA) em seus balanços.

Um consórcio de bancos liderado pelo Morgan Stanley planeja recorrer ao mercado de títulos para refinanciar a dívida que comprometeram com o campus de data center de 809 hectares em construção em Hubbard, no Texas, assim que os empréstimos forem liberados, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O mercado de títulos se tornou uma alternativa cada vez mais popular para grandes iniciativas de inteligência artificial levantarem capital de longo prazo, já que sua profundidade permite que projetos sejam financiados de forma mais rápida e a um custo menor do que por meio de empréstimos bancários.

Para os bancos, se desfazer da dívida também ajuda a reduzir sua exposição geral ao risco da IA e libera capacidade para novos empréstimos.

Enquanto isso, o mercado voltado a bancos para financiamento de infraestrutura, que costumava financiar projetos como gasodutos e aeroportos, tem sido sobrecarregado pelas enormes necessidades de capital geradas pela expansão da IA.

Grandes bancos de Wall Street passaram meses buscando compradores para mais de US$ 50 bilhões (R$ 256,0 bilhões) em dívidas de construção relacionadas a vários projetos de centros de dados alugado pela Oracle no início deste ano, e alguns credores tentaram administrar sua exposição por meio de operações de transferência de risco.

O pacote de dívida de US$ 15 bilhões (R$ 76,8 bilhões) deveria ser dividido em várias vendas de títulos, já que o empréstimo bancário possui uma chamada cláusula de liberação escalonada (delay-draw feature), que permite à Nexus Data Centers —desenvolvedora do projeto— retirar os recursos ao longo de um período, após atingir determinados marcos de construção, disseram as fontes. Parte da dívida também poderia ser refinanciada no mercado de empréstimos alavancados.

O título deve receber uma classificação de grau especulativo, mesmo com o suporte do Google, que só será efetivo após a conclusão total do data center. Isso significa que os investidores terão de assumir riscos, incluindo atrasos na construção e estouros de custos, acrescentaram as fontes.

O data center será equipado com chips TPU personalizados do Google, que serão financiados separadamente.

O novo campus no Texas será abastecido por sua própria usina de gás natural para evitar atrasos e custos crescentes. O grande número de projetos de centros de dados previstos para o estado do Texas tem aumentado as preocupações sobre a pressão sobre o fornecimento de energia e água, além do aumento dos preços dos serviços públicos.

A combinação de ativos de data centers e geração de energia, no entanto, pode levar a estruturas de financiamento complexas, já que os credores precisam avaliar simultaneamente dois tipos diferentes de riscos. O Projeto Walleye, um data center semelhante liderado pela Meta com geração de energia própria, precisou oferecer aos investidores um rendimento adicional para compensar os riscos extras.

O apoio financeiro do Google ao projeto foi divulgado pela primeira vez em março. O Wall Street Journal informou na semana passada sobre alguns aspectos do financiamento.

Nexus e Morgan Stanley não quiseram comentar o assunto, enquanto Anthropic e Google não responderam às solicitações de posicionamento.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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