Inteligência operacional integrada chega ao setor aeroportuário brasileiro em meio à maior onda de concessões da história
Por Mariana Soares, fundadora e CEO da Auter Airports
Em 2019, ao iniciar seus estudos sobre o setor aeroportuário brasileiro, Mariana Soares se deparou com um problema ainda sem nome oficial: a fragmentação operacional. Aeroportos regionais e executivos funcionam como ilhas desconectadas, operação de solo, fiscalização, segurança e gestão de equipamentos operam de forma isolada, com dados coletados manualmente e decisões baseadas em informações parciais.
Enquanto grandes hubs como Guarulhos conseguem contornar essa realidade com volume de recursos, para a grande maioria dos aeroportos da malha brasileira essa fragmentação representa um teto rígido: limita crescimento, compromete segurança e impede que operem no patamar exigido pelo mercado atual.
“O problema não era a falta de dados. Era a falta de conexão entre eles”, resume Mariana Soares.
Uma fundadora técnica em um setor tradicional
Formada em Computação por universidade pública, Mariana Soares construiu carreira desenvolvendo sistemas críticos nas áreas de saúde, financeiro e prevenção a fraudes. Quando foi convidada para uma consultoria tecnológica em um aeroporto regional, identificou rapidamente a oportunidade e a urgência.
“Comecei a estudar o setor em 2019. O que me assustou não foi a complexidade, mas perceber que a maioria das soluções disponíveis trata o aeroporto como uma soma de partes, e não como um sistema integrado”, conta.
A pandemia, que paralisou o setor aéreo mundial, tornou-se o momento ideal para agir. Sem captação externa, aceleradoras ou atalhos, Mariana Soares e dois sócios desenvolveram a plataforma da Auter Airports. Em 2021, a solução entrou em operação no primeiro aeroporto.
O case do Aeroporto Catarina: prova de conceito
O Aeroporto Catarina, um dos maiores executivos do Brasil, serve como o melhor exemplo do impacto da plataforma. Com média de 60 a 70 posições ativas e picos de até 200 voos diários, o aeroporto precisava de precisão cirúrgica.
A Auter entregou:
- Planejamento inteligente de ocupação do pátio (considerando tipo de aeronave, natureza do voo e riscos de bloqueio);
- Rastreabilidade completa em tempo real de pessoas, equipamentos e vistorias;
- Processos automatizados por gatilhos que conectam eventos às equipes certas.
Resultado: No início de 2026, o Catarina registrou aumento de 50% na movimentação de aeronaves sem ampliar a equipe de operação e apoio.
Durante a auditoria para a certificação IS-BAH Nível 2, o auditor da IBAC (organismo internacional de referência em aviação de negócios) destacou a solução como inédita: “Em nenhum outro aeroporto já auditado encontrei um sistema com esse nível de rastreabilidade das operações de solo.”
O timing perfeito das concessões
O lançamento da Auter coincide com uma das maiores ondas de concessões aeroportuárias do Brasil. O programa AmpliAR (Rodadas 2 e 3) deve transferir dezenas de aeroportos regionais e executivos para novos concessionários, que precisarão de inteligência operacional desde o primeiro dia.
“Aeroportos regionais nunca terão o volume de dados dos grandes hubs. Mas isso não significa que precisam operar sem inteligência. Eles precisam de uma lógica diferente”, explica Mariana Soares.
A plataforma foi projetada exatamente para isso: opera atualmente em aeroportos de 3 estados brasileiros e possui arquitetura preparada para conectar múltiplos ativos de uma mesma concessão, com visões consolidadas, níveis de acesso flexíveis e centralização de funções críticas (gestão de risco, CCO etc.).
Mais que uma ferramenta: infraestrutura de inteligência
Para Mariana Soares, a Auter vai além de uma plataforma de gestão. Trata-se de uma infraestrutura de inteligência para um setor que historicamente operou de forma fragmentada.
“O setor está em um ponto de inflexão. Os concessionários que perceberem que o maior retorno sobre o investimento vem da operação centralizada e inteligente vão largar na frente. Não se trata apenas de tecnologia, é uma questão de como se decide operar.”
Mariana Soares é fundadora e CEO da Auter Airports, plataforma de inteligência operacional para aeroportos regionais e executivos.
LinkedIn: marihsoares
Site: auter.com.br