Conhecido por sua passagem pela MTV Brasil, artista percorre diferentes municípios desde 2017 promovendo intervenções culturais e buscando democratizar o acesso à arte
O artista Felipe Ricotta, conhecido do público por sua participação na MTV Brasil com o personagem Kiabbo, vem desenvolvendo, desde 2017, um projeto independente voltado à difusão de manifestações artísticas em espaços públicos. A iniciativa reúne música, literatura e artes visuais em intervenções realizadas em cidades do Brasil e da América Latina, financiadas com recursos próprios.

Felipe Ricotta
Segundo Ricotta, a proposta nasceu da intenção de ampliar o acesso à produção artística em localidades que, muitas vezes, recebem pouca oferta de atividades culturais.
“Vou nas cidades que ninguém vai levar arte para o povo de graça. Banco do meu próprio bolso esse corre”, afirma.
Arte urbana como estratégia de aproximação
Uma das marcas da iniciativa é a utilização de performances em espaços urbanos para despertar a curiosidade do público e incentivar o contato com a produção artística.
Por meio do personagem mascarado MEME HUMANO, Ricotta realiza intervenções em locais como viadutos, rotatórias e outros pontos de circulação das cidades, complementando as ações com divulgação direcionada nas redes sociais para alcançar o público local.

“O personagem MEME HUMANO faz parte dessa proposta. As performances acontecem em locais inusitados justamente para despertar curiosidade e aproximar as pessoas da música, da literatura e das artes visuais que desenvolvo”, explica.
Democratização do acesso à arte
Além das performances, o artista também disponibiliza reproduções de suas obras em espaços públicos como forma de ampliar o acesso à arte.

Segundo Ricotta, o objetivo não é comercializar essas intervenções, mas permitir que pessoas que normalmente não frequentam galerias ou não possuem acesso a obras de arte possam conhecer seu trabalho.
“Não obtenho retorno financeiro quando disponibilizo minhas obras nas ruas. As versões emolduradas são comercializadas, mas considero importante que pessoas que não costumam consumir arte também possam ter contato com esse universo. Acredito que a arte deve ser acessível a todos.”

Reconhecimento internacional
A produção artística de Felipe Ricotta também recebeu avaliações de profissionais ligados ao setor cultural. Entre elas está a crítica da pesquisadora francesa Pauline Jailette, que apontou aproximações entre aspectos de sua linguagem visual e referências da arte moderna.
Segundo Jailette, o trabalho do artista desenvolve uma investigação sobre a abstração contemporânea, reunindo diferentes referências estéticas e construindo um vocabulário visual próprio.
“Ricotta desenvolve uma prática pictórica que investiga, de modo incisivo, os limites e desdobramentos da abstração no contexto contemporâneo. Ao longo de sua trajetória, Ricotta vem consolidando um vocabulário visual singular, marcado pela liberdade operacional e pela combinação propositadamente friccionada de repertórios. Suas obras revelam um tipo de “caos organizado” que emerge da sobreposição de referências históricas, corpos expostos e expressões irônicas instaurando uma convivência produtiva entre erudição e cultura pop”, afirma a pesquisadora francesa Pauline Jailette.

Projeto musical reúne mil composições
Paralelamente às intervenções urbanas, Felipe Ricotta afirma ter composto mil músicas entre 2019 e 2024, repertório que ainda não foi lançado oficialmente.
Segundo o artista, sua intenção é apresentar esse material por meio de parcerias com a indústria fonográfica.
“Escrevi um grande número de músicas nos últimos anos e continuo acreditando no potencial desse repertório. Meu objetivo é encontrar parceiros que compartilhem essa visão e possam contribuir para levar esse trabalho ao público”, afirma.
Ao manter simultaneamente projetos voltados à música, à literatura e às artes visuais, Felipe Ricotta afirma que pretende continuar percorrendo diferentes cidades, utilizando os espaços públicos como ponto de encontro entre a produção artística e a população.