Idealizador do projeto Condado Digital Brasil, estudioso propõe a criação de polos tecnológicos regionais para ampliar a inclusão digital, fortalecer economias locais e reduzir desigualdades sociais no interior e nas periferias da Bahia.
A transformação digital deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade concreta da sociedade. Enquanto novas tecnologias remodelam a economia mundial, regiões com infraestrutura limitada enfrentam o desafio de acompanhar essa evolução sem ampliar ainda mais as desigualdades sociais.
É a partir dessa reflexão que Neylton Almeida, estudioso das dinâmicas sociais e idealizador do Condado Digital Brasil, defende a implantação de Centros Tecnológicos Digitais Regionais como estratégia para democratizar o acesso à tecnologia e preparar cidades do interior e periferias para a nova economia.
Segundo ele, o avanço da economia digital acontece em ritmo acelerado e já impacta diretamente a vida das pessoas, independentemente do porte da cidade ou da atividade econômica desenvolvida.
Interior e periferias vivem a urgência da inclusão digital
Para Neylton Almeida, os efeitos da transformação digital são percebidos com maior intensidade justamente nas regiões historicamente menos atendidas por investimentos em infraestrutura tecnológica.
A dificuldade de acesso à internet de qualidade, a baixa oferta de conectividade e a ausência de espaços voltados à inovação acabam limitando oportunidades de trabalho, empreendedorismo, educação e geração de renda.
“A conexão deixou de ser um diferencial. Hoje ela é uma necessidade e, em muitos casos, uma questão de sobrevivência econômica e social”, afirma.
Segundo o idealizador do Condado Digital Brasil, comunidades inteiras já dependem da tecnologia para estudar, trabalhar, comercializar produtos, acessar serviços públicos e participar da economia digital.
Uma proposta inspirada na organização dos territórios
A proposta do Condado Digital Brasil não surgiu de forma isolada. Neylton Almeida explica que o projeto é fundamentado em estudos sobre organização territorial, desenvolvimento regional e inclusão tecnológica.
Entre as referências está o pensamento do geógrafo Milton Santos, que analisou a relação entre território, tecnologia e desenvolvimento econômico, antecipando debates que hoje ganham relevância em diversas partes do mundo.
Inspirado por essa visão, o projeto propõe que a tecnologia seja distribuída de forma regionalizada, aproximando inovação das comunidades e reduzindo a concentração dos investimentos apenas nos grandes centros urbanos.
Centros tecnológicos para fortalecer economias locais
Em vez de concentrar esforços apenas em grandes estruturas tecnológicas, Neylton Almeida defende a implantação de polos regionais capazes de atender às necessidades específicas de cada território.
A proposta prevê espaços voltados à capacitação profissional, acesso à internet de alta velocidade, desenvolvimento de negócios digitais, incentivo ao empreendedorismo e formação tecnológica para jovens, professores, agricultores, profissionais autônomos e pequenos empresários.
Segundo ele, essa descentralização permitiria que a economia digital alcançasse localidades onde a infraestrutura ainda é insuficiente, criando novas oportunidades de desenvolvimento econômico e inclusão social.
Transição energética e economia digital caminham juntas
Outro ponto destacado por Neylton Almeida é que a transformação digital precisa ser acompanhada pela modernização das matrizes energéticas.
Na avaliação do pesquisador, economia digital e transição energética são agendas complementares e fundamentais para o desenvolvimento sustentável dos estados brasileiros.
Enquanto cresce a demanda por armazenamento de dados, inteligência artificial e novos serviços digitais, aumenta também a necessidade de infraestrutura energética capaz de suportar esse avanço.
Para ele, discutir tecnologia sem considerar eficiência energética significa limitar o potencial de crescimento das regiões.
Um debate que precisa ganhar espaço
Com a aproximação das eleições de 2026, Neylton Almeida acredita que temas como inclusão digital, infraestrutura tecnológica e energias renováveis deveriam ocupar posição central nas discussões sobre desenvolvimento regional.
Segundo ele, a ausência de planejamento pode gerar custos elevados no futuro, especialmente diante da crescente demanda por data centers, redes de conectividade e serviços digitais.
“A realidade da economia digital já está se impondo. A questão não é mais se essa transformação vai acontecer, mas como vamos preparar nossos territórios para que ninguém fique para trás”, ressalta.
Democratizar a tecnologia para reduzir desigualdades
Para o idealizador do Condado Digital Brasil, ampliar o acesso à tecnologia representa mais do que oferecer internet ou equipamentos. Trata-se de criar condições para que populações historicamente excluídas participem de uma economia cada vez mais baseada em conhecimento, inovação e conectividade.
Ao defender a criação de Centros Tecnológicos Digitais Regionais, Neylton Almeida propõe uma estratégia que alia desenvolvimento econômico, inclusão social e fortalecimento das economias locais.
Em sua avaliação, garantir acesso à tecnologia é investir na formação de profissionais, na competitividade das pequenas cidades, no fortalecimento do empreendedorismo e na construção de um futuro mais equilibrado para todas as regiões.
“Quando falamos em democratizar a tecnologia, estamos falando de ampliar oportunidades. Conexão hoje significa educação, trabalho, renda e desenvolvimento. É uma necessidade que não pode mais ser adiada”, conclui.