o grito da pastora Helena Raquel contra o silêncio que protege abusadores
Por Marcelo Generoso, jornalista e presidente da Associação Nacional de Jornalismo Digital.
O que aconteceu no Gideões 2026 ultrapassou os limites de uma simples pregação religiosa. O pronunciamento da pastora Helena Raquel se transformou em um dos momentos mais repercutidos do evento ao abordar, de maneira direta, temas como violência doméstica, abuso sexual e pedofilia dentro de ambientes religiosos.
Ao utilizar o púlpito de um dos maiores congressos evangélicos do país para denunciar situações frequentemente silenciadas por estruturas de poder, a pastora provocou forte impacto entre os presentes e nas redes sociais. Sua fala foi interpretada por muitos como um rompimento com décadas de omissão, medo e proteção institucional diante de denúncias graves envolvendo mulheres e crianças.
Durante o discurso, Helena Raquel afirmou que não existe autoridade espiritual acima da lei e que nenhum cargo político, influência religiosa ou poder econômico pode justificar ou relativizar a violência. A declaração repercutiu justamente por tocar em uma realidade enfrentada silenciosamente por milhares de famílias brasileiras dentro de casas, igrejas e até instituições públicas.
O texto também relembra episódios ocorridos no Amazonas que, ao longo dos anos, geraram forte repercussão pública. Um dos casos citados é o do ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, cujo nome esteve ligado a denúncias envolvendo exploração sexual de menores, situação que ganhou destaque nacional e reacendeu debates sobre impunidade e normalização de escândalos envolvendo figuras políticas influentes.
A deputada estadual Alessandra Campelo, presidente da Comissão da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas, também é mencionada no contexto das cobranças feitas por parte da sociedade em relação à condução e posicionamento diante de determinadas denúncias envolvendo pessoas ligadas a grupos de poder.
Outro ponto que ampliou a repercussão do episódio foi a manifestação do pastor Silas Malafaia, que criticou a postura da pastora e afirmou compreender o “jogo político” por trás do momento. A declaração gerou novos debates sobre o limite entre posicionamento religioso, responsabilidade institucional e proteção às vítimas.
Ao longo do texto, o autor sustenta que a sociedade brasileira precisa abandonar qualquer tentativa de relativizar crimes contra mulheres e crianças de acordo com a influência do acusado. Também defende que o silêncio institucional frequentemente acaba favorecendo agressores e enfraquecendo a confiança das vítimas na Justiça e nas instituições sociais e religiosas.
A repercussão nacional da fala da pastora Helena Raquel evidenciou um debate que ultrapassa questões religiosas e alcança temas centrais da sociedade brasileira: proteção às vítimas, responsabilização de abusadores e o enfrentamento de estruturas que historicamente preferiram preservar reputações em vez de preservar vidas.