Muitos grupos, muitos eventos. Mas onde realmente vale a pena estar?
Pare por alguns segundos e pense: quantos convites para cafés, encontros empresariais, eventos e grupos de networking você recebeu nas últimas semanas? Provavelmente mais do que conseguiria aceitar. A oferta de espaços para “fazer conexões” nunca foi tão grande. Ao mesmo tempo, a rotina de quem empreende é um exercício diário de equilibrar muitos pratos: clientes, equipe, vendas, financeiro, fornecedores, família e decisões que não podem esperar. Nesse cenário, tempo e energia se tornam dois dos ativos mais valiosos de um empresário. E, se eles são limitados, estar em todos os lugares simplesmente não é uma opção. A questão, portanto, deixa de ser “onde posso fazer networking?” e passa a ser: “onde realmente vale a pena estar?”
Talvez a melhor forma de responder a essa pergunta seja fazer outras. Qual é, de fato, o objetivo daquele grupo? Existe uma proposta clara para gerar valor aos participantes ou ele nasceu principalmente dos interesses de quem o criou? Há método, organização e continuidade ou tudo depende da boa vontade de algumas pessoas? Os membros conseguem medir os resultados que estão obtendo? Existem indicadores, histórias concretas e evidências de que as conexões estão se transformando em oportunidades? Antes de entrar em mais um grupo, talvez o empresário precise deixar de perguntar apenas “quem estará lá?” e começar a perguntar: “o que este ambiente foi construído para gerar?”
Isso também ajuda a entender por que tantos movimentos começam cheios de entusiasmo e, pouco tempo depois, perdem força ou simplesmente desaparecem. Muitas vezes, não faltam pessoas; falta uma visão clara de onde aquele grupo pretende chegar. Em outros casos, falta propósito, organização ou engajamento para transformar encontros em algo que faça sentido no longo prazo. Aos poucos, a participação diminui, as agendas passam a competir com outras prioridades e os membros começam a questionar se vale a pena continuar. Afinal, entusiasmo pode colocar muita gente na primeira reunião, mas é a percepção contínua de valor que faz alguém querer estar na décima, na vigésima e na centésima.
Mas existe uma pergunta anterior a todas essas: o que a sua empresa precisa agora? Você está buscando fechar negócios? Precisa ampliar seu conhecimento, trocar experiências com outros empresários ou encontrar pessoas que possam abrir portas para novos mercados? Ou, neste momento, procura simplesmente um ambiente social para conhecer pessoas, sair da rotina e bater um bom papo? E está tudo bem se esse for o objetivo. Existem excelentes grupos capazes de proporcionar exatamente isso. O problema não está em escolher um ambiente mais social ou mais voltado para negócios; está em esperar um resultado que aquele ambiente nunca se propôs a entregar. Quando você sabe o que procura, fica muito mais fácil reconhecer o lugar que faz sentido para você.
Independentemente do formato escolhido, alguns elementos são indispensáveis quando o objetivo é construir um networking que realmente funcione. O primeiro deles é entender que relacionamento não se constrói em uma troca de cartões ou em uma única conversa: confiança exige tempo, consistência e interesse genuíno pelo outro. Também é preciso existir uma filosofia de ajuda mútua, na qual as pessoas estejam dispostas a contribuir antes de simplesmente perguntar o que podem ganhar. Some a isso atitude positiva, autoresponsabilidade, porque ninguém pode terceirizar os próprios resultados, aprendizagem contínua e abertura para inovar. Um bom ambiente de networking não deveria apenas reunir pessoas; deveria estimular comportamentos que façam essas pessoas crescerem juntas. No fim, networking não é sobre quantas pessoas você conhece, mas sobre quantas relações de confiança você consegue construir e cultivar.
E aqui cabem alguns sinais de alerta. Fuja de grupos em que somente quem os criou está permanentemente em destaque e os membros parecem apenas compor a plateia. Fuja de ambientes cuja missão, visão e propósito ninguém consegue explicar com clareza. Desconfie de grupos que falam muito sobre resultados, mas não conseguem medi-los; que não possuem agenda, método, consistência ou casos concretos de sucesso. Se a proposta é construir relações profissionais de longo prazo, também é importante que existam compromissos de participação, regras claras, código de ética e políticas bem definidas. Estrutura não é burocracia quando existe para proteger a experiência e os interesses de todos. Um grupo de networking sustentável precisa ser maior do que seu fundador, mais consistente do que o entusiasmo inicial e capaz de demonstrar o valor que gera para quem escolhe fazer parte dele.
No final, talvez a decisão mais importante não seja sobre networking, mas sobre tempo. Cada hora dedicada a um encontro é uma hora que poderia estar sendo investida em sua empresa, no seu crescimento, em descanso ou ao lado das pessoas que você ama. Dinheiro perdido pode ser recuperado. Uma oportunidade pode ser substituída por outra. Tempo, não. Por isso, diante de uma verdadeira feira de grupos, eventos, cafés e convites, escolher bem deixou de ser apenas uma questão de networking e passou a ser uma questão de gestão da própria vida. Não precisamos estar em todos os lugares, conhecer todo mundo ou aceitar todos os convites. Precisamos estar nos lugares certos, com as pessoas certas e por razões que façam sentido para o momento que estamos vivendo. A Feira do Networking oferece muitas possibilidades. Só não permita que, em meio a tantas opções, você se perca e acabe gastando justamente aquilo que não pode comprar de volta: o seu tempo.

Cleiton Benízio
Empresário, palestrante, especialista em Networking