Instagram escuta conversas? CEO nega e explica como é – 04/10/2025 – Tec

Três mãos seguram celulares com telas iluminadas em frente a um grande logo colorido do Instagram desfocado ao fundo.

Adam Mosseri, chefe do Instagram, publicou um vídeo nesta semana para tentar desmistificar uma das suspeitas mais frequentes entre os usuários da plataforma: a de que a empresa estaria utilizando os microfones dos celulares para escutar conversas e, com isso, direcionar anúncios de forma precisa.

O executivo disse em publicação na rede social que a empresa não espiona os smartphones e disse que a precisão da publicidade está relacionada ao comportamento do usuário na internet e na própria plataforma. A maior fonte de receita da Meta, dona do Facebook e WhatsApp, são anúncios.

“Nós não usamos o microfone do telefone para espionar você. Primeiramente, se fizéssemos isso, seria uma grave violação de privacidade. Você notaria o consumo excessivo da bateria do seu telefone, além de ver uma pequena luz no topo da tela indicando que o microfone está ativo”, disse Mosseri.

Para justificar por que os usuários podem ver anúncios de produtos que acabaram de discutir em voz alta, o executivo da Meta citou quatro mecanismos legítimos de rastreamento e direcionamento de publicidade que, segundo ele, explicam as coincidências.

O primeiro fator, segundo Mosseri, é que o usuário pode ter clicado em algo relacionado ou até mesmo pesquisado o produto em um site antes da conversa.

Ele disse que a Meta trabalha em conjunto com anunciantes que compartilham informações sobre quem visitou seus sites. Isso permite que a empresa direcione anúncios para alcançar justamente essas pessoas.

É uma prática comum no modelo de negócios das grandes redes sociais e do Google, que oferecem um serviço gratuito em troca de veiculação de publicidade e coleta de dados.

“Trabalhamos com anunciantes que compartilham informações conosco sobre quem esteve em seus sites para tentar direcionar anúncios a essas pessoas. Então, se você estava olhando um produto em um site, esse anunciante pode ter nos pago para alcançá-lo com um anúncio”, disse.

Os anúncios exibidos também são parcialmente baseados no que os amigos do usuário ou pessoas com interesses semelhantes estão demonstrando interesse. Assim, se o usuário estava conversando com alguém que pesquisou ou demonstrou interesse no produto, ou se pessoas com perfis parecidos fizeram o mesmo, o anúncio pode aparecer.

O terceiro ponto apresentado por Mosseri é que o usuário pode, na verdade, ter visto o anúncio antes da conversa, mas não ter registrado conscientemente.

“Nós rolamos [os feeds] rapidamente. Nós rolamos rapidamente pelos anúncios e às vezes você internaliza parte disso e isso realmente afeta o que você fala mais tarde”, disse.

Por último, o executivo citou o acaso como um fator. Coincidências acontecem, disse.

Apesar da negação, Mosseri reconheceu o desafio de convencer os céticos, admitindo que alguns usuários “simplesmente não acreditarão”.

A Meta e o CEO Mark Zuckerberg vêm negando ao menos desde 2016 o uso não consensual do microfone. Em uma página de suporte do Facebook, a empresa diz que só o usa “quando você está ativamente usando um recurso que requer o microfone”, como filmar um vídeo para um story ou iniciar uma conversa de voz com a Meta AI.

Em setembro, o Instagram alcançou 3 bilhões de usuários mensais, consolidando-se como um dos aplicativos de consumo mais populares de todos os tempos e levando a Meta a dar ainda mais ênfase às ferramentas que impulsionam esse crescimento: vídeos curtos e mensagens privadas.

O app vai alterar a barra de navegação da tela inicial para destacar as mensagens privadas e o Reels, rival do TikTok (da ByteDance), o que tornará esses recursos mais fáceis de encontrar.

Também está testando na Índia deixar o Reels como a tela principal do aplicativo, em vez do feed tradicional —um design que a empresa também aplicou em seu novo aplicativo para iPad.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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