Sebrae-SP reúne lideranças para fortalecer empreendedorismo feminino na região de Sorocaba | ASN São Paulo

Sebrae-SP reúne lideranças para fortalecer empreendedorismo feminino na região de Sorocaba | ASN São Paulo

Karen Ajala, analista de negócios Sebrae-SP, durante o evento em Sorocaba

Segundo Alexandre, a mobilização das mulheres em posições de liderança é fundamental não apenas para o desenvolvimento dos negócios, mas também para uma sociedade mais equilibrada e competitiva. Ele ressaltou ainda a importância de ampliar a presença feminina nas diretorias das Associações Comerciais e fortalecer os movimentos organizados pelas próprias empreendedoras.
“Se a gente quer um Brasil mais equilibrado, mais justo, mais competitivo, a gente precisa da força de vocês mulheres empreendendo, fazendo parte das diretorias das associações comerciais, encampando esse movimento do CMEC”, afirmou.

Elizandra Zuliani Soares, presidente da Associação Comercial e Industrial de Cerquilho (ACIC); e Fabíola Marques, liderança do CMEC de Cerquilho

Parceria para ampliar o alcance

“Quando a gente une as forças de várias instituições que estão fazendo as mesmas ações para o mesmo público, não tem por que a gente concorrer, e sim colaborar”, afirmou Verônica. Para ela, iniciativas como o encontro realizado em Sorocaba fortalecem não apenas as instituições envolvidas, mas todo o ecossistema de apoio às empreendedoras e, consequentemente, a economia.
A gestora também destacou a importância de ouvir as lideranças locais para compreender as necessidades de cada município e, a partir desse diagnóstico, construir conjuntamente os próximos passos da parceria.

Entre as soluções oferecidas estão capacitações, atendimentos individuais, consultorias gratuitas, missões empresariais e caravanas para feiras e eventos. Segundo Karen, essas ações também podem ser articuladas com as Associações Comerciais e os CMECs, ampliando o acesso das empreendedoras a conhecimento, conexões e oportunidades de mercado.

A importância dessa articulação também foi ressaltada por Olival Almeida, assessor da presidência da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), da Facesp e da Associação Comercial de São Paulo. Ele explicou que a iniciativa foi precedida por uma agenda de escuta realizada em 21 Regiões Administrativas, envolvendo presidentes e executivos das Associações Comerciais.

Janaina Bernuncio, Analista de Negócios do Sebrae-SP e a Laura Brugnerotto, coordenadora da ACSO Mulher

A partir dessas conversas, segundo Almeida, foi possível identificar uma mudança importante no ambiente empresarial: as mulheres estão ampliando sua participação na abertura de empresas e em posições de liderança. Para ele, as Associações Comerciais precisam acompanhar essa transformação e criar espaços para que mais mulheres participem de suas estruturas.

Almeida também explicou que a proposta dos CMECs não é estabelecer um modelo único para os municípios, mas promover a troca de experiências e boas práticas entre as cidades. “O difícil não é ser pequeno na sua cidade. O difícil é estar sozinho”, afirmou, ao defender a cooperação entre os municípios para superar desafios comuns. Ele também destacou o crescimento do movimento dos CMECs, que, segundo os dados apresentados durante o encontro, passou de 18 conselhos no Estado de São Paulo para cerca de 900 no Brasil.

Troca de experiências mostra caminhos para fortalecer o empreendedorismo feminino

As lideranças compartilharam experiências sobre a formação e a consolidação dos grupos, os desafios para mobilizar empreendedoras e os resultados gerados pela criação de redes de apoio nos municípios.

Laura contou que o movimento de empreendedorismo feminino em Sorocaba começou em 2012, como Núcleo Mulher de Negócios, e passou a atuar como CMEC em 2019. À frente da iniciativa desde 2022, ela destacou que um dos principais desafios foi mudar a percepção das participantes sobre o propósito dos grupos. Segundo ela, muitas empreendedoras chegavam aos encontros com a expectativa de vender diretamente seus produtos e serviços, mas a proposta era construir relacionamentos e gerar negócios a partir das conexões. “Quando a gente começou a trabalhar essa questão da educação, melhorou muito. Elas perceberam que ali têm potenciais recomendadoras do trabalho delas e não potenciais clientes.”

Em Cerquilho, Elizandra e Fabíola também relataram os desafios de mobilizar mulheres em um município de menor porte. Fabíola destacou que a proximidade entre as empreendedoras nem sempre significava colaboração. Segundo ela, o CMEC foi estruturado justamente para estimular a troca de experiências, a educação e a efetividade das conexões. “O CEMEC veio não como um clube, não como só mais um grupo. Veio justamente para trazer a educação, para unir, para a troca mesmo e para a efetividade.”

A liderança também apontou a necessidade de superar uma cultura de competição entre empreendedoras. Na avaliação dela, quando uma empresária vê outra como concorrente, perde a oportunidade de compartilhar conhecimentos e construir soluções em conjunto.

Elizandra, que também atua na liderança do CMEC de Cerquilho, ressaltou outro aspecto do trabalho: o acolhimento. Com experiência de quase 30 anos no trabalho com mulheres, ela afirmou que muitas empreendedoras enfrentam uma rotina solitária e precisam de espaços em que possam falar sobre suas dificuldades e vulnerabilidades.

Em Cerquilho, esse acolhimento ganhou forma no chamado Plantão CMEC, realizado semanalmente para ouvir as empreendedoras e ajudá-las a encontrar caminhos para suas dificuldades. Segundo Elizandra, questões que inicialmente parecem simples podem gerar impactos positivos não apenas nos negócios, mas também na vida pessoal e familiar das participantes. “A empreendedora, a empresária, ela tem uma vida muito solitária. Então o CEMEC cabe exatamente nisso: você tem um lugar para ser ouvida, um lugar em que pode mostrar suas vulnerabilidades, e a gente vai juntas olhar para isso e dar as mãos para você.”

A experiência também mostrou resultados na relação das mulheres com a própria Associação Comercial. Elizandra classificou a criação do CMEC como uma “injeção de ânimo” para a entidade, que passou a ser percebida de maneira diferente pelas empreendedoras. “As mulheres entenderam que, se se engajar, elas conseguem ir além. Elas entenderam o protagonismo delas.”

Para ela, a aproximação também contribuiu para que mulheres que atuavam de maneira informal começassem a enxergar a possibilidade de profissionalizar seus negócios. O movimento, segundo Elizandra, ajudou a aproximar empreendedoras da Associação Comercial e ampliar a percepção sobre os serviços e oportunidades oferecidos pela entidade.

As lideranças também destacaram que os resultados não dependem necessariamente do tamanho do grupo. Em Sorocaba, cidade de maior porte e com diversas redes de empreendedorismo feminino, a estratégia foi buscar alianças. Em Cerquilho, o crescimento ocorreu de maneira mais orgânica, a partir da proximidade entre as participantes.

Para Fabíola, a falta de recursos financeiros pode ser compensada pela cooperação. Ela citou um encontro que reuniu mais de 100 empreendedoras sem investimento financeiro direto, com a contribuição de cada participante para viabilizar a atividade. “A gente supera a falta de recurso na união.”

Já Laura ressaltou que, além da parceria entre instituições e grupos, a constância é fundamental para manter o engajamento. Em Sorocaba, a realização regular dos encontros, somada à integração com a cultura da Associação Comercial, ajudou a consolidar a iniciativa.

Os relatos também mostraram impactos concretos nos negócios. Laura citou casos de empreendedoras que se conheceram nos encontros e, a partir dessas conexões, criaram sociedades, empresas e projetos conjuntos. Para ela, o principal valor dos grupos está justamente na possibilidade de transformar relacionamento em oportunidade de negócio. “O que a gente mais preza ali é pelas conexões que geram muito resultado nos negócios.”

Em Cerquilho, Elizandra relatou mudanças na autoestima e na visibilidade das participantes. Segundo ela, o fortalecimento começa quando a empreendedora passa a olhar para si mesma e reconhecer que também precisa estar bem para conduzir o negócio. “A dor da empresária é que ela sempre olha muito para o negócio, mas ela é o negócio. Ela tem que ficar bem.”

Lideranças reforçam importância da constância

Ao final do talk show, as participantes deixaram recomendações para as lideranças que pretendem criar ou fortalecer grupos de empreendedorismo feminino em seus municípios. Para Laura, o primeiro passo é ter disposição para começar, e, principalmente, não desistir diante de um início com poucas participantes.

Ela lembrou que o próprio movimento de empreendedorismo da região começou pequeno e cresceu com o tempo. Segundo a liderança, a experiência mostra que a consolidação de uma rede depende de persistência e continuidade. “Pode ser que apareçam cinco mulheres, dez mulheres. Não pode desistir. Hoje não foi legal, mas uma hora vai ser. Persistam.”

Fabíola ressaltou que a estrutura oferecida pelas Associações Comerciais pode ser um diferencial para quem deseja iniciar um movimento, enquanto Elizandra reforçou que propósito, carinho e disposição para ouvir são fundamentais para criar vínculos duradouros.

Na avaliação das participantes, independentemente do porte do município, a conexão entre mulheres pode gerar transformações que ultrapassam os negócios individuais e alcançam toda a comunidade.
Ao encerrar a conversa, Laura resumiu a proposta de fortalecimento da rede com uma mensagem às lideranças presentes: “O dinheiro que você ainda não tem está nas mãos de quem você ainda não conhece e de um conhecimento que você ainda não possui.”



Fonte ==> Sebrae

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