Comunicação poderosa, conexões extraordinárias: como Maurício Dutth transformou relacionamentos em uma estratégia de negócios

Por Patricia Gomes

Da televisão ao empreendedorismo, da indústria do entretenimento à tecnologia, Maurício Dutth construiu uma carreira atravessando diferentes mercados. Agora, defende que uma das competências mais valiosas da nova economia não está apenas em saber falar, mas em saber construir conexões capazes de gerar oportunidades.

Durante boa parte de sua trajetória profissional, Maurício Dutth esteve diante das câmeras. Em outra parte, esteve nos bastidores. Mais recentemente, passou também a ocupar mesas de negócios, ambientes de inovação e espaços de decisão.

À primeira vista, televisão, entretenimento, gastronomia, tecnologia e empreendedorismo poderiam parecer universos desconectados.

Na trajetória de Dutth, porém, existe um elemento que atravessa todos eles: a capacidade de comunicar, conectar pessoas e transformar relacionamentos em oportunidades.

É daí que nasce um conceito que passou a sintetizar sua visão sobre negócios e carreira: “Comunicação Poderosa, Conexões Extraordinárias”.

Mais do que falar bem ou acumular contatos, Dutth defende uma interpretação empresarial do networking: comunicação gera percepção; percepção gera confiança; confiança abre relacionamentos; e relacionamentos podem abrir negócios.

Da televisão aos negócios

Empresário, jornalista e relações-públicas, Maurício Dutth construiu parte importante de sua carreira no universo da comunicação e do entretenimento.

Passou por emissoras como Band, Record TV e RedeTV, desenvolvendo e apresentando projetos ligados principalmente à música e ao entretenimento.

Entre os episódios de maior projeção de sua trajetória na televisão está sua atuação como âncora da Record TV Internacional, em transmissões internacionais para 153 países, além de sua participação como auditor do programa Ídolos, da Record TV.

Maurício Dutth

Maurício Dutth

A televisão, entretanto, acabou se tornando apenas uma das frentes de sua carreira.

Especializado em Marketing de Entretenimento e Brand Experience, Dutth começou a transformar sua experiência em comunicação em uma ferramenta para empresas e marcas. Desde 2005, atua no desenvolvimento de projetos de comunicação voltados ao fortalecimento de marcas e negócios.

A passagem do comunicador para o empresário aconteceu sem abandonar aquilo que havia aprendido diante das câmeras: compreender pessoas, construir narrativas e estabelecer relacionamentos.

Maurício Dutth

Entretenimento como negócio

Hoje, Dutth é sócio-diretor do Espaço Hall, casa de espetáculos no Rio de Janeiro que recebe grandes artistas e produções nacionais e internacionais. Também é sócio da rede Toruk Sushi, voltada ao segmento de gastronomia japonesa premium.

Os investimentos mostram uma característica que se repetiria em outros momentos de sua carreira: a capacidade de circular entre setores diferentes e identificar oportunidades a partir das relações construídas em cada ecossistema.

Para Dutth, essa capacidade tornou-se ainda mais relevante em uma economia em que negócios, entretenimento, tecnologia e influência estão cada vez mais interligados.

Quando a tecnologia encontrou a música

Durante a pandemia, Dutth voltou sua atenção para outro mercado. A aproximação com tecnologia e ativos digitais resultou na criação de uma plataforma destinada à comercialização de beats musicais tokenizados.

A iniciativa colocou em um mesmo projeto dois territórios que já faziam parte de sua trajetória, música e empreendedorismo, associados a uma nova camada tecnológica. Mais uma vez, o ponto central estava na conexão entre diferentes universos.

Das conexões aos grandes ecossistemas de inovação

Nos últimos anos, essa atuação passou a incluir também alguns dos principais ambientes brasileiros dedicados à economia criativa, tecnologia e inovação. Dutth passou a integrar bancas ligadas à música no Rio2C e virou curador na Rio de Janeiro Innovation Week e em São Paulo Innovation Week. Nesses ambientes, networking deixa de ser apenas relacionamento social.

Executivos, investidores, artistas, empreendedores, startups, grandes empresas, criadores e especialistas dividem os mesmos espaços. Saber identificar quem deveria conversar com quem pode ser tão relevante quanto dominar determinada tecnologia. É nesse cenário que Dutth posiciona sua principal tese profissional: conexões extraordinárias começam com uma comunicação poderosa.

Em 2026, sua trajetória no entretenimento ganhou ainda uma nova frente com o convite para integrar o grupo de colunistas da Billboard Brasil, a maior revista especializada em música e entretenimento do mundo.

Maurício Dutth

Foi reconhecido com a Comenda de Comendador da Cidade do Rio de Janeiro pelo Conselho Internacional de Acadêmicos de Ciências, Letras & Artes e pela Confraria Brasileira de Cultura, pelo impacto de suas contribuições à cultura e ao entretenimento. Recebeu a medalha pela maior honraria Soberana Ordem do Mérito do Empreendedor Juscelino Kubitschek, concedido pela Academia Brasileira de Honrarias ao Mérito (ABRAHM).

Para alguém que iniciou parte de sua carreira falando para grandes audiências, a evolução parece circular: comunicar continua sendo central, mas agora a comunicação também é instrumento de negócios.

Patricia Gomes conversou com Maurício Dutth em uma entrevista em que foi compartilhada com nossa redação;

“Comunicação poderosa não significa falar mais. Significa fazer a mensagem certa chegar à pessoa certa.”

Por que você acredita que comunicação e conexão se tornaram ativos tão importantes no mundo dos negócios?

Porque nenhuma empresa existe isoladamente. Por trás de qualquer negócio existem pessoas tomando decisões, construindo confiança, fazendo indicações e abrindo oportunidades. Durante muitos anos, as pessoas entenderam networking como trocar cartão, adicionar alguém em uma rede social ou estar em muitos eventos. Para mim, conexão é outra coisa.

Uma conexão verdadeira acontece quando existe confiança, relevância e reciprocidade.

É por isso que eu falo tanto sobre comunicação poderosa e conexões extraordinárias. Quando você aprende a comunicar quem você é, o que faz e o valor que consegue gerar, começa a construir relações muito mais consistentes.

O que é, na prática, uma comunicação poderosa?

Não é falar difícil. Não é falar alto. E definitivamente não é falar o tempo inteiro. Comunicação poderosa é conseguir gerar entendimento, confiança e movimento. Uma pessoa pode ter uma ideia extraordinária, um excelente produto ou uma empresa incrível. Se ela não consegue comunicar esse valor, muitas oportunidades podem simplesmente passar por ela.

Comunicar bem é fazer a mensagem certa chegar à pessoa certa, da maneira certa.

E o que transforma uma conexão comum em uma conexão extraordinária?

Propósito.

Quando você se aproxima das pessoas pensando apenas no que pode conseguir delas, provavelmente está construindo uma relação transacional. Quando começa pensando no que pode gerar naquela relação, tudo muda. Eu gosto de entender pessoas, saber o que estão construindo, quais são seus projetos e onde existem pontos de convergência.

Às vezes, a maior oportunidade não está em fazer negócio diretamente com aquela pessoa, está em conectar duas pessoas que deveriam se conhecer. Esse tipo de comportamento constrói reputação.

Sua carreira passou por televisão, música, eventos, tecnologia, gastronomia e empreendedorismo. O que conecta áreas aparentemente tão diferentes?

Pessoas.

Os mercados mudam, as tecnologias mudam, as empresas mudam. Mas negócios continuam sendo construídos por pessoas. A televisão me ensinou comunicação, o entretenimento me ensinou experiência, o empreendedorismo me ensinou execução, a tecnologia me ensinou velocidade e transformação e todos esses ambientes me ensinaram alguma coisa sobre relacionamento.

Quando você junta essas experiências, começa a enxergar oportunidades que talvez não fossem tão evidentes olhando para apenas um setor.

Existe uma diferença entre networking e construir uma rede de relacionamentos?

Uma diferença enorme. Networking pode virar uma coleção de contatos, mas relacionamentos exigem tempo, confiança e entrega. Eu não acredito muito na pergunta “quantas pessoas você conhece?”. A pergunta mais importante é: quantas pessoas confiam em você?

Você pode ter milhares de contatos no telefone e nenhuma relação verdadeira.

Por outro lado, algumas dezenas de relacionamentos consistentes podem mudar completamente uma carreira ou uma empresa.

Qual é o maior erro das pessoas quando entram em ambientes importantes de negócios?

Querer vender antes de criar relacionamento.

Muitas pessoas entram em um evento procurando imediatamente alguém que possa comprar alguma coisa delas, eu prefiro entrar querendo entender quem está naquela sala. Quem são essas pessoas? O que estão construindo? Quais problemas estão tentando resolver? Quem eu conheço que poderia ajudá-las?

Quando você começa pela curiosidade genuína, as conversas ficam melhores e negócios acabam acontecendo como consequência.

Em eventos de inovação, você convive com empresários, executivos, investidores, artistas e empreendedores. O que percebe nas pessoas que conseguem construir as melhores conexões?

Elas sabem ouvir.

Isso parece simples, mas é raro. Muita gente está esperando a outra pessoa terminar de falar apenas para começar a falar sobre si, mas quem sabe construir relacionamento presta atenção.

E quando você presta atenção, identifica interesses, necessidades e oportunidades de conexão.

Comunicação poderosa também é escuta poderosa.

A tecnologia e a inteligência artificial podem enfraquecer as relações humanas?

Podem enfraquecer relações superficiais, mas também podem aumentar muito a capacidade das pessoas de se conectar. A tecnologia elimina distâncias e acelera acesso.

Hoje você consegue encontrar pessoas, estudar empresas, identificar interesses e iniciar conversas de uma forma que seria praticamente impossível algumas décadas atrás.

Mas tecnologia não substitui confiança. A inteligência artificial pode ajudar você a chegar até alguém, mas ela não consegue construir sua reputação por você.

Então relacionamento continuará sendo uma vantagem competitiva mesmo com o avanço da IA?

Talvez se torne ainda mais importante.

Quando todo mundo tiver acesso às mesmas ferramentas tecnológicas, o diferencial volta para aquilo que é mais difícil de automatizar: confiança, reputação, criatividade, leitura de contexto e relacionamento humano.

Tecnologia escala capacidade, relacionamento escala oportunidade e quem souber combinar os dois terá uma vantagem enorme.

É possível aprender a construir uma rede de relacionamentos ou isso depende de personalidade?

É absolutamente possível aprender.

Existe uma ideia de que networking é uma habilidade exclusiva de pessoas extrovertidas. Eu não concordo.

Uma pessoa introvertida pode construir relações extraordinárias porque relacionamento não depende de falar muito, depende de saber ouvir, gerar valor e manter vínculos. Networking é método, comportamento e consistência.

Qual conselho você daria para um empreendedor que está começando hoje e ainda não possui uma grande rede de contatos?

Comece sendo útil, você não precisa conhecer todo mundo.

Conheça algumas pessoas e seja alguém de quem elas se lembrem positivamente, faça boas perguntas, cumpra o que promete, compartilhe oportunidades, apresente pessoas e ajude quando puder. Não apareça somente quando precisar de alguma coisa.

Relacionamentos extraordinários são construídos antes de serem necessários.

Depois de tantos anos entre comunicação, entretenimento e negócios, como você gostaria que as pessoas compreendessem o conceito “Comunicação Poderosa, Conexões Extraordinárias”?

Como uma filosofia de construção de oportunidades.

Comunicação poderosa é conseguir transmitir valor e gerar confiança, conexões extraordinárias são consequência daquilo que você constrói a partir dessa confiança. No final, grandes carreiras, grandes empresas e grandes projetos quase nunca são construídos completamente sozinhos. Existe sempre alguém que apresentou alguém, alguém que acreditou, alguém que abriu uma porta, alguém que fez uma conexão. E, muitas vezes, uma única conexão extraordinária pode mudar completamente o rumo de uma história.

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