José Goldemberg é homenageado como Personalidade Acadêmica do Ano pelo Prêmio Jabuti Acadêmico 2026

José Goldemberg é homenageado como Personalidade Acadêmica do Ano pelo Prêmio Jabuti Acadêmico 2026

Homenagem

José Goldemberg é homenageado como Personalidade Acadêmica do Ano pelo Prêmio Jabuti Acadêmico 2026

Atuante há mais de sete décadas, pesquisador construiu um legado marcado por importantes contribuições para as áreas de física, energia, meio ambiente, educação e políticas públicas

Homenagem

José Goldemberg é homenageado como Personalidade Acadêmica do Ano pelo Prêmio Jabuti Acadêmico 2026

Atuante há mais de sete décadas, pesquisador construiu um legado marcado por importantes contribuições para as áreas de física, energia, meio ambiente, educação e políticas públicas

José Goldemberg à frente, tendo a seu lado Sevani Matos e atrás, Nina Ranieri (imagem: YouTube da CBL)

Agência FAPESP – O físico José Goldemberg, reconhecido amplamente como um dos principais nomes da ciência brasileira, foi homenageado como Personalidade Acadêmica de 2026 na terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, celebrada na última terça-feira (11/08), no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a premiação foi criada em 2024 para valorizar obras acadêmicas, científicas e técnicas. A iniciativa conta com o apoio de entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a FAPESP.

A homenagem a Goldemberg é um reconhecimento de sua trajetória de excelência científica, sua liderança acadêmica e suas contribuições para o desenvolvimento da ciência, das políticas públicas e da sustentabilidade. Ao longo de mais de sete décadas de atuação, o físico, pesquisador e professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) construiu uma carreira marcada por importantes contribuições para as áreas de física, energia, meio ambiente e educação.

No discurso na cerimônia da premiação, Goldemberg revisitou sua trajetória de vida, que aproximou pesquisa científica e atuação pública. Ele lembrou como a atividade científica, iniciada em 1950, o levou a ocupar funções administrativas importantes no país, como reitor da USP (1986-1990), secretário nacional de Ciência e Tecnologia (1990-1991), ministro da Educação (1991-1992) e presidente da FAPESP (2015-2018). “Tive, portanto, a oportunidade incomum de participar das atividades científicas do país como pesquisador e na formulação de políticas educacionais e científicas.” Para Goldemberg, relatar essa experiência pode ajudar pesquisadores mais jovens a entender a complexa relação entre pesquisa científica e o que o governo e a sociedade que a financia esperam dela.

“Receber esta homenagem nesse momento da minha jornada é mais do que uma realização pessoal, é a validação de uma premissa à qual dediquei a minha vida: a de que a ciência brasileira tem voz, autonomia e responsabilidade diante do mundo. Divido esse prêmio com cada colega, aluno e instituição que ousa acreditar que o futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem”, discursou o professor, hoje com 98 anos.

Gaúcho de Santo Ângelo, nascido em 1928, Goldemberg fez escola primária em Porto Alegre, depois cursou o ginásio estadual com forte influência positivista, e ingressou na Universidade de São Paulo em 1945, quando começou seus estudos em física. “Sou um produto típico da educação pública e laica do Brasil”, discursou. Doutor em ciências físicas pela USP, acumula mais de 22.500 citações em artigos científicos e tem mais de 20 livros lançados. Nos primeiros anos da carreira, dedicou-se à pesquisa em física nuclear, atuando no Instituto de Física da USP e nas universidades de Saskatchewan (Canadá), Stanford (Estados Unidos) e Paris (França), desenvolvendo trabalhos de ampla repercussão internacional.

Goldemberg também lembrou da época em que esteve à frente da SBPC, entre 1979 e 1981, quando o país passava pelo processo de abertura política. “Após 20 anos dedicados inteiramente à pesquisa comecei a participar ativamente de atividades na SBPC em defesa da ciência e dos cientistas no período do governo autoritário e obscurantista. Nesse período direcionei minha atenção para estudos sobre energia em geral, meio ambiente e mudanças climáticas, demonstrando que o etanol da cana-de-açúcar é uma fonte de energia renovável, isto é, energia solar convertida em combustível, o que contribuiu para legitimar o programa brasileiro de biocombustíveis.”

A trajetória do pesquisador é um exemplo para pesquisadores, reconhecida pelos seus pares. Para Jacques Marcovitch, professor emérito e ex-reitor da USP, Goldemberg é um exemplo de vida. “Em pelo menos três áreas, de energia, meio ambiente e na comunidade científica, a figura do José Goldemberg é absolutamente incontornável. Ele fez a diferença e continua fazendo a diferença nessas três áreas”, disse Marcovitch, em depoimento para a CBL. Celso Lafer, também professor emérito da USP e ex-presidente da FAPESP, ressaltou que o colega Goldemberg foi um pesquisador de primeira linha em física, que participou ativamente do debate sobre energia nuclear no país, além de ter tido atuação marcante no período da ditadura militar. “Ele teve um papel muito grande no período do regime militar, onde se caracterizou pela resistência democrática ao arbítrio e aos excessos. Além disso, foi um reitor extraordinário. Não só ele foi um reitor modernizador, foi um reitor que conseguiu obter recursos para a universidade e foi, no fundo, quem acabou construindo a autonomia da universidade.”



“Após 20 anos dedicados inteiramente à pesquisa comecei a participar ativamente de atividades na SBPC em defesa da ciência e dos cientistas no período do governo autoritário e obscurantista”, lembrou Goldemberg em seu discurso na cerimônia de premiação (foto: Léo Ramos Chaves/Pesquisa FAPESP, 2018) 

Goldemberg também é um exemplo para a família. Nas palavras de sua neta, Pauline: “Ele é a pessoa que junta todo mundo da família. Pessoas como o meu avô são as provas vivas que quando você tem muita determinação, tem fé e acredita, você consegue chegar lá”.

Entre os reconhecimentos recebidos por Goldemberg estão o Blue Planet Prize (Japão, 2008), considerado um dos mais importantes prêmios internacionais da área ambiental; o Trieste Science Prize, da Academia Mundial de Ciências (TWAS), em 2010; o Prêmio Zayed Energia do Futuro (2013); o Prêmio Professor Emérito – Troféu Guerreiro da Educação Ruy Mesquita (2014); e o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência (2014). Em 2007, foi incluído pela revista Time entre os 13 “Heróis do Meio Ambiente”, na categoria Líderes e Visionários.

A lista completa dos agraciados com o Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 pode ser vista em: premiojabuti.com.br/academico/premiados-por-edicao-academico/premiacao/?ano=26.

 



Fonte ==> Folha SP

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