Os territórios espanhóis de Ceuta e Melilla registraram, nas últimas 24 horas, tentativas de travessia de centenas de migrantes por terra e mar a partir do Marrocos. Agências de notícias revelaram que, enquanto dezenas iniciam o retorno voluntário, o número de mortos no mar subiu para 19.
Na Espanha, a Organização Internacional para Migrações, OIM, informou que está em coordenação contínua com as autoridades para prestar suporte.
Sem equipe fixa em Ceuta
Embora a OIM não mantenha uma equipe fixa em Ceuta, a agência tem profissionais em pontos estratégicos de recepção, como Andaluzia e as Ilhas Canárias.
Obra de arte que mostra os migrantes no local da Conferência Intergovernamental para adotar o Pacto Global pela Migração Segura, Ordenada e Regular, realizada em dezembro em Marrakech, Marrocos, com o apoio da Assembléia Geral das Nações Unidas.
O monitoramento também é realizado pela representação da Agência das Nações Unidas para Refugiados na Espanha, Acnur, que acompanha os eventos na região. Seus agentes estão prontos para ir a Ceuta e a Melilla, caso a avaliação humanitária no local exija intervenção direta.
Fluxo inverso e tensão na costa
As últimas horas foram marcadas por uma sequência de eventos intensos na fronteira entre o Norte da África e a Espanha. Centenas de migrantes que haviam entrado de forma irregular no território de Ceuta começaram a voltar na sexta-feira.
O retorno voluntário ao Marrocos ocorreu pelo mesmo caminho no litoral, ou espigão, utilizado inicialmente para a travessia.
A perda de vidas no trajeto ocorreu por afogamento durante a perigosa tentativa de nadar do litoral marroquino em direção a Ceuta. De acordo com a Guarda Civil Espanhola, grandes grupos superaram o dispositivo policial no espigão costeiro e conseguiram ultrapassar a cerca divisória.
Paralisação deixou centenas de veículos e viajantes retidos nas vias de acesso
Imagens gravadas no local mostram centenas de pessoas pulando na água com boias improvisadas e câmaras de ar de pneus para vencer as ondas ao redor da barreira.
Em terra firme, outros grupos forçaram a abertura de um dos portões de acesso, correndo em direção ao interior da cidade autônoma.
Melilla paralisada e reforço militar
A instabilidade também atingiu Melilla, território onde fica o posto de Beni-Enzar, o único ponto de travessia operacional entre a Espanha e o Marrocos naquela área. O local permanece totalmente fechado após ter sido desativado devido a sucessivas tentativas de travessia.
Na fronteira, o impacto logístico é amplo devido ao bloqueio total de Beni-Enzar. A paralisação deixou centenas de veículos e viajantes retidos nas vias de acesso. Muitos são cidadãos de origem magrebina que vivem na Europa e viajavam ao Marrocos, os quais agora aguardam a liberação para cruzar a divisa.
A resposta das autoridades espanholas tem sido o reforço das patrulhas de segurança. Para conter novas tentativas de avanço, veículos do Exército espanhol e patrulhas reforçadas da Guarda Civil patrulham todo o perímetro fronteiriço.
Fonte ==> Gazeta