O avanço da economia digital e das novas tecnologias está transformando a forma como países e regiões constroem riqueza, geram empregos e atraem investimentos. Para o especialista Neylton Almeida, esse movimento representa uma oportunidade histórica para o Brasil, desde que gestores públicos e lideranças adotem uma visão estratégica baseada na territorialidade e na nova economia como pilares do desenvolvimento.
Na avaliação de Neylton, a transformação tecnológica já está em andamento e exigirá escolhas que definirão quais nações ocuparão posições de liderança e quais permanecerão distantes dos grandes avanços econômicos e sociais.
Brasil reúne condições para liderar no Sul Global
Segundo o especialista, o Brasil possui todos os elementos necessários para se consolidar como um dos principais polos tecnológicos do Sul Global. Entretanto, esse potencial precisa ser acompanhado por políticas públicas capazes de levar tecnologia, inovação e oportunidades para o interior do país e para as regiões que ainda convivem com menor acesso à infraestrutura tecnológica.
Neylton destaca o estado da Bahia como um exemplo das inúmeras possibilidades existentes no país. A combinação entre população jovem, universidades, centros regionais de educação em tempo integral, reservas de minerais estratégicos, potencial energético, força do agronegócio e talento humano cria um ambiente favorável para impulsionar o desenvolvimento baseado no conhecimento.
Para ele, um dos grandes desafios é fazer com que essas oportunidades permaneçam nas próprias regiões, evitando que talentos, investimentos e riqueza sejam direcionados para outros estados ou até mesmo para outros países.
Investir em tecnologia é investir nas próximas gerações
De acordo com Neylton Almeida, especialmente nos estados do Nordeste, iniciar agora uma política consistente de desenvolvimento tecnológico significa colher resultados em um curto espaço de tempo.
Entre as prioridades apontadas por ele estão a implantação de centros tecnológicos regionais, a ampliação do acesso da população às ferramentas da nova economia e a criação de polos técnicos dotados de infraestrutura de alta qualidade.
Na visão do especialista, esse modelo não representa um investimento inviável. Pelo contrário. Ele acredita que o Brasil já dispõe dos recursos necessários para iniciar esse processo e expandi-lo de forma contínua, formando profissionais, estimulando empresas e promovendo riqueza para as próximas gerações.
O Brasil precisa acreditar na própria capacidade
Além dos investimentos em infraestrutura, Neylton Almeida defende uma mudança de mentalidade. Para ele, compreender a história é importante para evitar a repetição dos mesmos erros, mas o país não pode permanecer preso a uma visão limitada sobre seu próprio potencial.
Ele lembra que o Brasil já possui referências de excelência que podem ser reproduzidas em diferentes regiões, como a infraestrutura energética nacional, o conhecimento desenvolvido pela Embrapa e polos tecnológicos consolidados, a exemplo de Campinas e São José dos Campos.
Na avaliação do especialista, expandir essas experiências para outras regiões fortaleceria a inovação, aumentaria a competitividade do país e consolidaria um modelo de desenvolvimento mais equilibrado e sustentável.
Ao abordar o papel das lideranças públicas e privadas nesse processo, Neylton faz um alerta sobre a necessidade de manter o foco no interesse coletivo.
“Tenho receios com ideologias, nos faz abrir um olho e fechar outro”, afirma.
Ele amplia essa reflexão ao defender que projetos voltados ao desenvolvimento social devem preservar sua capacidade de diálogo e construção.
“As ideias com propósito social precisam manter uma certa distância de espectros ideológicos, as ideologias nos fazem abrir um olho e fechar outro”, destaca Neylton Almeida.
Para o especialista, somente uma visão voltada para resultados, inovação e inclusão permitirá que o Brasil aproveite plenamente as oportunidades oferecidas pela nova economia e transforme seu potencial em desenvolvimento para todas as regiões do país.