Durante décadas, o sucesso empresarial foi medido quase exclusivamente por indicadores financeiros. Faturamento, patrimônio, participação de mercado e capacidade de investimento eram considerados os principais ativos de uma organização. Embora continuem relevantes, esses fatores já não explicam, sozinhos, por que algumas empresas conseguem acessar oportunidades globais enquanto outras permanecem limitadas ao mesmo mercado.
No ambiente internacional, um ativo invisível passou a exercer influência decisiva sobre a competitividade das organizações: a reputação.
Para o empresário, diplomata e consultor Max Katsuragawa Neumann, compreender esse fenômeno tornou-se indispensável para quem deseja construir negócios sólidos e sustentáveis.
“Existe um tipo de capital que não aparece no balanço financeiro, mas determina o acesso às melhores oportunidades. Chama-se confiança. E ela é construída por meio da reputação”, afirma.
O que é soft power no ambiente empresarial
O conceito de soft power foi desenvolvido pelo cientista político norte-americano Joseph Nye para explicar a capacidade de influenciar pessoas, organizações e nações por meio da credibilidade, da cultura, dos valores e da confiança, em vez da força econômica ou política.
Embora tradicionalmente aplicado às relações internacionais, esse conceito passou a fazer cada vez mais sentido dentro do universo empresarial.
Segundo Max Katsuragawa Neumann, empresas também exercem influência pela maneira como são percebidas.
“Marcas respeitadas negociam melhor, atraem talentos com mais facilidade, conquistam parceiros estratégicos e conseguem abrir portas que permanecem fechadas para organizações que possuem apenas recursos financeiros.”
A reputação antecede qualquer negociação
No mercado global, a primeira negociação quase nunca acontece em uma reunião.
Ela acontece antes.
O histórico institucional da empresa, sua presença pública, sua governança, seus relacionamentos, sua forma de comunicar valores e até mesmo a reputação de seus líderes passam a ser analisados antes que qualquer contrato seja discutido.
Para Max, empresários ainda subestimam o impacto que sua imagem exerce sobre o próprio negócio.
“Muitas oportunidades não são perdidas por falta de competência técnica, mas por ausência de credibilidade. Antes de investir em uma empresa, as pessoas investem na confiança que ela transmite.”
Essa lógica torna-se ainda mais evidente em processos de internacionalização, atração de investimentos e construção de alianças estratégicas.
Confiança é construída antes da necessidade
Empresas que procuram fortalecer sua reputação apenas quando enfrentam uma crise geralmente chegam tarde.
A credibilidade é resultado de um trabalho contínuo, baseado em coerência, transparência e consistência institucional.
Ela é construída na forma como uma empresa trata clientes, colaboradores, fornecedores, investidores e a sociedade.
Segundo Max Katsuragawa Neumann, reputação não é uma estratégia de comunicação.
“É uma consequência das decisões que uma organização toma todos os dias. Marketing pode tornar uma empresa conhecida. Reputação é o que a torna respeitada.”
O empresário também representa sua empresa
Em um ambiente onde lideranças são cada vez mais visíveis, a reputação do empresário passou a influenciar diretamente a reputação da organização.
Investidores, parceiros e instituições observam não apenas indicadores financeiros, mas também postura, valores, capacidade de diálogo e responsabilidade institucional.
Por isso, o desenvolvimento de competências como inteligência relacional, comunicação estratégica e diplomacia empresarial tornou-se parte da gestão dos negócios.
“O empresário moderno deixou de representar apenas sua empresa. Em muitos contextos, ele representa também seu setor, sua comunidade e até mesmo seu país”, destaca Max.
O ativo mais valioso da próxima década
À medida que inteligência artificial, automação e tecnologia tornam produtos e serviços cada vez mais semelhantes, os diferenciais competitivos passam a migrar para ativos intangíveis.
Entre eles, confiança, reputação e capacidade de construir relacionamentos de longo prazo tendem a ocupar posição central.
Para Max Katsuragawa Neumann, o futuro dos negócios será menos determinado pela capacidade de vender e mais pela capacidade de inspirar confiança.
“Dinheiro abre algumas portas. Credibilidade abre as portas certas.”
No cenário empresarial contemporâneo, compreender o poder da reputação deixou de ser uma vantagem competitiva para tornar-se uma condição de permanência em mercados cada vez mais conectados, exigentes e orientados pela confiança.
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Max Katsuragawa Neumann é empresário, diplomata, autor e comunicador brasileiro. Está à frente da Santa Clara Comercial Multiseguimentos e atua como Representante Regional do Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP). Autor do livro Superando Desafios – Empreendendo no Brasil e apresentador do MaxCast, dedica-se a temas relacionados à liderança, empreendedorismo, relações internacionais, governança e desenvolvimento humano. Em 2026, foi destaque na Forbes Latina como referência em inovação e resiliência empresarial e recebeu, nos Estados Unidos, o título de Kentucky Colonel, uma das mais altas honrarias civis concedidas pelo Estado do Kentucky.