Entre dificuldades, maternidade precoce e jornadas exaustivas, ela encontrou no Direito uma forma de mudar a própria história e a vida de milhares de brasileiros
A história da advogada Elisangela Coelho é marcada por superação, trabalho duro e uma trajetória construída longe dos caminhos tradicionais do sucesso. Filha de trabalhadores rurais de Varre-Sai, no interior do Rio de Janeiro, ela começou a trabalhar ainda muito jovem, foi mãe aos 15 anos e exerceu profissões como doméstica, colhedora de café e vendedora antes de ingressar na faculdade de Direito.
Hoje, lidera o escritório Coelho Advogados, que conta com mais de 35 colaboradores e milhares de clientes espalhados pelos 26 estados brasileiros e Distrito Federal.
“Meu sonho era ser professora. Depois, trabalhar em banco. Nunca imaginei que as coisas tomariam a dimensão que tomaram”, relembra.
A maternidade como combustível
Segundo Elisangela, a maternidade precoce foi um dos fatores que despertaram nela o desejo de transformar a própria realidade. Sem condições financeiras estáveis, ela afirma que ver o filho pedir algo simples e não poder comprar se tornou um impulso para buscar uma vida diferente.
“Eles eram meu combustível, minha força e motivação”, afirma.
Antes da advocacia, ela conciliava jornadas exaustivas como empregada doméstica e trabalhadora rural. A experiência, segundo ela, moldou a profissional resiliente que se tornou.
“Aprendi que nada vem fácil e que tudo precisa ser conquistado com muito trabalho duro e suor.”
Direito como missão
Elisangela interrompeu os estudos aos 14 anos para trabalhar e somente aos 21 conseguiu concluir o ensino médio. O contato com escritórios de advocacia despertou nela a vontade de cursar Direito, faculdade que concluiu aos 30 anos.
Mais do que uma profissão, ela passou a enxergar o Direito como ferramenta de transformação social.
“O Direito traz uma missão muito nobre: ser instrumento de justiça”, destaca.
Da pequena cidade ao atendimento nacional
Após abrir seu primeiro escritório em Varre-Sai, Elisangela decidiu expandir a atuação para Guaçuí, no Espírito Santo. A estratégia nasceu de uma visão simples, porém ousada: crescer através da ampliação de atendimento especializado.
A grande virada, no entanto, aconteceu durante a pandemia. Enquanto muitos escritórios reduziram atividades, ela apostou na comunicação digital e passou a produzir conteúdos voltados ao Direito Previdenciário.
“Comecei a fazer vídeos do jeito que eu sabia, sem grandes edições, mas com muita intensidade”, conta.
O posicionamento digital levou o escritório a alcançar clientes em diversas regiões do país, principalmente em locais onde há carência de advogados especializados.
Comunicação acessível como diferencial
Especializada em Direito Previdenciário, com foco em benefícios por incapacidade, auxílio-acidente, aposentadoria rural e BPC/LOAS, Elisangela acredita que um dos maiores diferenciais do escritório está na linguagem acessível utilizada no atendimento.
“A gente deixa o juridiquês de lado e fala a linguagem que o cliente entende”, explica.
Segundo ela, o objetivo é fazer com que trabalhadores rurais, famílias de pessoas com deficiência e cidadãos em situação de vulnerabilidade compreendam seus direitos de forma clara e humana.
A conexão com essas causas também possui raízes pessoais. O próprio pai se aposentou como trabalhador rural, e o ex-marido precisou recorrer ao BPC após enfrentar problemas de saúde.
“Eu sei o que é precisar de um benefício para sustentar a família”, relata.
Liderança além do Direito
Com o crescimento do escritório, Elisangela percebeu que precisaria desenvolver habilidades além da atuação jurídica. Hoje, afirma que seu maior desafio está na gestão de pessoas.
“Direito você estuda e aprende. Ser uma boa gestora exige entender o ser humano e agir com empatia”, diz.
Atualmente, o escritório possui sede em Itaperuna (RJ), filiais em Varre-Sai (RJ) e Guaçuí (ES), além de atuação digital em todo o território nacional.
Autoridade digital e impacto social
Além da advocacia, Elisangela também atua na produção de conteúdo jurídico, participação em programas de TV, artigos e redes sociais. Para ela, a autoridade digital deixou de ser apenas estratégia de marketing e passou a cumprir uma função social.
Ela cita como exemplo clientes do interior do Amazonas, que enfrentam viagens de até seis horas para realizar perícias médicas e possuem pouco acesso à informação jurídica especializada.
“O papel da autoridade digital é chegar onde a justiça ainda não conseguiu chegar”, afirma.
Uma mensagem para a jovem que começou sem recursos
Ao olhar para a própria trajetória, Elisangela diz que ainda não se considera uma mulher “imbatível”, mas reconhece o caminho percorrido desde a adolescência difícil no interior fluminense.
Se pudesse conversar com a jovem mãe de 15 anos que trabalhava na roça e sonhava com um futuro melhor, ela diria apenas:
“Fique calma. Você ainda vai ajudar muitas pessoas do nosso Brasil e chegar em lugares que jamais imaginou.”