Estudos de pesquisadora apoiada pela FAPESP sobre viés racial recebem quatro prêmios

Estudos de pesquisadora apoiada pela FAPESP sobre viés racial recebem quatro prêmios

Mídia Ciência

Estudos de pesquisadora apoiada pela FAPESP sobre viés racial recebem quatro prêmios

Trabalhos de Denise Passarelli, da UFSCar, foram reconhecidos por associação científica dos Estados Unidos e pelos conselhos federal e regional de psicologia do Brasil

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Estudos de pesquisadora apoiada pela FAPESP sobre viés racial recebem quatro prêmios

Trabalhos de Denise Passarelli, da UFSCar, foram reconhecidos por associação científica dos Estados Unidos e pelos conselhos federal e regional de psicologia do Brasil

Denise Passarelli (à direita) com a coorientadora Táhcita Mizael e o orientador Júlio de Rose após a premiação do concurso de artigos estudantis do Grupo de Interesse Especial em Análise Experimental do Comportamento Humano da Association for Behavior Analysis International (foto: arquivo pessoal)

Vanessa Ayres Pereira | Agência FAPESP * – Pesquisas sobre como identificar e intervir sobre vieses raciais em crianças e adultos renderam quatro prêmios acadêmicos – dois internacionais e dois nacionais – a Denise Aparecida Passarelli, que concluiu recentemente seu doutorado em psicologia na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com bolsa da FAPESP. Os reconhecimentos, concedidos entre 2024 e 2025, vieram da Association for Behavior Analysis International (Abai), dos Estados Unidos, e do sistema de conselhos de psicologia do Brasil.

Os estudos foram desenvolvidos no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE) com apoio da FAPESP.

Passarelli foi orientada por Júlio César Coelho de Rose, professor de psicologia da UFSCar, e coorientada por Táhcita Medrado Mizael, atualmente professora da Universidade de Edimburgo, na Escócia. “Os resultados da Denise realmente amadurecem essa linha, com uma produção muito expressiva em qualidade e quantidade”, celebra de Rose. A tese “Análise do comportamento e preconceito racial: uma história de pesquisa”, defendida em março, consolidou os trabalhos premiados e aborda questões teóricas, conceituais, formas de mensuração e estratégias de intervenção sobre viés racial.

Os dois prêmios da Abai destacaram estudos experimentais. O primeiro veio em maio de 2024, quando o artigo “Using stimulus equivalence to reduce racial bias in children: Generalization and maintenance” venceu o concurso do Grupo de Interesse Especial em Análise Experimental do Comportamento Humano (EAHB-SIG) da associação. O estudo investigou se uma tarefa no computador conseguiria ensinar crianças de 6 anos a associar faces negras a símbolos positivos – e se isso mudaria como elas interagiam com bonecas de diferentes tons de pele, com efeitos duradouros e generalizáveis.

Para Catherine Williams, professora da University of North Carolina Wilmington e presidente do EAHB-SIG, o trabalho “se sobressaiu por representar uma contribuição significativa para a área, com tema inovador, e, ao mesmo tempo, com um altíssimo nível de qualidade acadêmica”.

O segundo prêmio chegou em maio de 2025: o trabalho “Mitigating racial bias in a caucasian sample using a prophylactic functional response class training method” venceu na categoria Contribuições Acadêmicas para Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) da Abai.

O estudo, publicado em janeiro de 2026 no Journal of Contextual Behavioral Science, utilizou a Tarefa do Dilema do Policial – jogo de computador em que participantes decidem, em frações de segundo, se atiram ou não em personagens armados ou desarmados, pretos ou brancos. Os resultados mostraram que um treino associativo tanto pode induzir quanto atenuar o viés racial.

Reconhecimento nacional

Outros dois prêmios brasileiros reconheceram trabalhos de síntese, reunindo resultados acumulados pelo grupo de Passarelli. Em agosto de 2025, a pesquisadora recebeu o 3º Prêmio Jonathas Salathiel de Psicologia e Relações Raciais, concedido pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP), pelo artigo “Relações raciais e análise experimental do comportamento: contribuições para uma sociedade antirracista”, que sintetizou estudos experimentais identificando comportamentos relacionados a preconceito, preferências e discriminação racial, além de intervenções para reduzi-los. A premiação incluiu a publicação em catálogo digital das obras vencedoras da edição.

Em dezembro, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) destacou o trabalho “Reescrevendo relações: modelo interventivo baseado em evidências para enfrentamento do preconceito racial na infância” na 3ª edição do Prêmio Profissional Virgínia Bicudo. O artigo descreve pesquisas de intervenção com crianças de 6 a 8 anos em escola pública no interior de São Paulo.

Para Passarelli, os prêmios também cumprem uma função de divulgação: “É importante que as comunidades de não analistas do comportamento saibam o que a gente está fazendo.” Ainda segundo a pesquisadora, participar dos concursos vale mesmo sem garantia de vitória: “Você recebe um feedback como se fosse um parecer avaliando seu artigo, então pode melhorar o manuscrito. E quando recebe o prêmio, sente que o trabalho está na direção correta.”

* Vanessa Ayres Pereira é bolsista de Jornalismo Científico da FAPESP vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comportamento, Cognição e Ensino.



Fonte ==> Folha SP

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