Quando o assunto é unir o planeta e dar um gás nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, a bola mostra que rola mais rápido do que vários compromissos oficiais na ONU em Nova Iorque. Pelo globo, a festa do Dia Mundial do Futebol inclui a todos dentro e fora de campo.
Pelo 25 de maio, o terno, a gravata e a mesa de debate ficaram de parte até em certos eventos oficiais das Nações Unidas pela passagem da data celebrada desde a aprovação da resolução da Assembleia Geral da ONU, em 2024.
Muito além de um pretexto para convivência
Este ano, muitos torcedores estão de olho na Copa do Mundo e na taça Jules Rimet. Um momento em que a paixão por clubes locais se intensifica com a formação da Seleção de Futebol de cada país.
Segundo a ONU, o esporte ignora fronteiras geográficas, saldos bancários e diferenças culturais para ligar pontos distantes do mundo através de uma paixão juntando comunidades e impulsionando o orgulho nacional.
E quem entende bem essa sinergia é Joshua Nascimento, que carrega no sangue o orgulho de um DNA puramente genial: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, pai de Joshua.
“E esse Dia Mundial do Futebol, que é muito importante para mim, como filho de um atleta tão grande como o rei Pelé, e de um menino que cresceu ouvindo falar sobre futebol, jogando futebol, é muito importante para mim. Porque o futebol é um esporte que conecta pessoas de diferentes culturas, de diferentes países, línguas, e todos se comunicam igual e conseguem achar uma forma de jogar juntos e se divertir ou competir, se for no mais alto nível. E é uma forma que traz todos juntos por uma causa, que é o jogo, o beautiful game, como se diz em inglês.”
Centenário do primeiro torneio internacional
Por trás da celebração da bola está um marco: o centenário do primeiro torneio internacional de futebol com representação global, em 25 de maio de 1924. Foi nos Jogos Olímpicos de Verão em Paris onde nasceu a atual Copa do Mundo.
A genialidade do futebol está na sua simplicidade e acessibilidade, que faz dele uma ferramenta para promover saúde mental e bem-estar físico. Dentro e fora das quatro linhas, esse esporte tem servido como uma plataforma vital para acelerar a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas.
O que é chamado catalisador de inclusão social dentro e fora do campo derruba barreiras para criar uma zona livre onde origens opostas se encontram para aprender sobre tolerância, respeito mútuo e solidariedade.
Português é a segunda língua global do futebol
E muitos atuam nos bastidores do futebol, como o português Nuno Crisóstomo. O ex-funcionário do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lidera voluntários da Copa do Mundo da Fifa, nos Estados Unidos.
Sobre a paixão global, ele revela um detalhe: a segunda língua mais falada nos gramados.
“O português, neste momento, é a segunda língua global do futebol a seguir ao inglês. Não pelos jogadores, pelo número de jogadores brasileiros, portugueses e de outros países que falam a língua portuguesa, mas também pelos treinadores. Portanto, os técnicos que treinam os clubes. Neste momento, há cerca de 136 treinadores portugueses no estrangeiro. E penso que no Brasil, eu não tenho esses números, mas deve ser pelo menos 10 vezes mais.”
O enorme impacto move até o maior palco diplomático do mundo que teve que se curvar à majestade da bola. Para celebrar o marco histórico, a Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução carimbando o 25 de maio como o Dia Mundial do Futebol.”
Espaço inigualável para a cooperação humana
A resolução da Assembleia Geral que criou o Dia Mundial do Futebol reconhece “o alcance global do futebol e seu impacto em diversas esferas, incluindo comércio, paz e diplomacia, admitindo que o esporte cria um espaço inigualável para a cooperação humana.”
E se o futebol é patrimônio e identidade, o Brasil, que é pentacampeão em Copas do Mundo, tem um espaço que preserva e memórias. A diretora técnica do Museu do Futebol, Marília Bonas, faz o convite para quem quiser mergulhar nessa linha do tempo.
“O Museu do Futebol existe desde 2008 e a gente conta o porquê que o futebol é patrimônio brasileiro, porque que ele faz parte da nossa identidade. Então, a gente conta a história do Brasil pela história do futebol, desde a chegada do futebol na virada do Século 19 até os dias de hoje, passando pela história do futebol feminino, das modalidades adaptadas do futebol indígena e toda essa diversidade de modalidades do futebol que fazem parte do nosso dia a dia, da nossa paixão, enfim, da nossa história. Então, a gente convida todo mundo a vir aqui no Museu do Futebol. A gente funciona de terça a domingo, toda terça o museu é gratuito, para conhecer também as nossas exposições temporárias e a nossa programação cultural. Além disso, a gente tem muito material educativo disponível no nosso site, que é www.museudofutebol.org.br. A gente espera vocês aqui.”
Bola no pé e atividade física para todos
A resolução da ONU dá crédito à Federação Internacional de Futebol, Fifa, às federações que mantêm o jogo vivo, no texto que além de instrumento diplomático é uma convocação geral.
Futebol é o passe para recomeço de jovens que escaparam da guerra e perseguição
A ordem é que além de ver como lazer, se comece a usá-lo de forma ativa como ferramenta de paz, saúde e empoderamento feminino. O recado para os governos é que criem políticas reais incentivando a bola no pé e a atividade física para todos.
A convocação está aberta para Estados-membros, ONGs, universidades e empresas para espalhar as vantagens desse esporte pelo mundo inteiro, seja em grandes arenas ou em um campo de várzea.
Nos Estados Unidos, o clima já é de contagem regressiva para a Copa do Mundo 2026 que bate à porta em poucas semanas.
Vida transformada pela paixão por futebol
Cristopher Nassif, técnico do Clube de Futebol de Ironbound, no estado de Nova Jérsei, considerada uma das áreas mais lusófona dos Estados Unidos, atua como um líder que influencia jovens. Ele explica como viver transformado por essa paixão.
“Feliz em poder compartilhar e agradecer ao esporte, e, agradecer ao futebol nesse vídeo, o quão ele foi benéfico para mim. É, poder dizer que aqueles que amam o futebol, não existem formas corretas de amar algo. Acho que você pode amar o futebol na torcida, você pode amar o futebol com seus amigos enquanto você tá no jardim jogando futebol com eles, você pode amar o futebol como um treinador, como alguém que deseja ter isso como carreira, ou simplesmente acompanha a Copa do Mundo, que vai acontecer daqui a algumas semanas, eu diria, e a gente vai estar aqui, eu na torcida pela nossa Seleção Brasileira, mas você pela torcida da Seleção que acompanha. Então eu deixo aqui a minha mensagem, primeiro de agradecimento ao futebol, por tudo que me proporcionou. É, se, se eu tivesse que hoje se sentar com o futebol, eu lhe diria: obrigado, futebol, por me tornar um grande homem, por me tornar uma grande pessoa.”
O treinador das categorias Sub-17 e Sub-19 diz que a modalidade ajudou a ser melhor pai, marido e pessoa para auxiliar crianças e adolescentes a ser cidadãos que se tornarão grandes jogadores de futebol e com caráter admirável.
Poder de transformação da bola
Na demonstração do poder do jogo, a ONU exibiu a iniciativa Futebol Sem Fronteiras escalando a “Seleção de Refugiados”. Já os diplomatas que foram alinhados para suar a camisa participaram na iniciativa dos “Amigos do Futebol”.
A convocação para as quatro linhas incluiu embaixadores, representantes de alto escalão do Secretariado e estrelas do futebol mundial onde dominou o poder de transformação da bola.
O Mundial de Futebol começa neste 11 de junho e a primeira partida de uma país de língua portuguesa será dois dias depois, em Newark entre Brasil e Marrocos.
Fonte ==> Gazeta