Fomento à pesquisa
Novo centro apoiado pela FAPESP busca tornar cidades mais resilientes a inundações
Iniciativa foi inaugurada no Instituto de Pesquisas Tecnológicas e vai unir governo, universidades e empresas na procura de soluções para o problema
Fomento à pesquisa
Novo centro apoiado pela FAPESP busca tornar cidades mais resilientes a inundações
Iniciativa foi inaugurada no Instituto de Pesquisas Tecnológicas e vai unir governo, universidades e empresas na procura de soluções para o problema
Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, e Filipe Falcetta, coordenador do centro, em evento no IPT (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
André Julião | Agência FAPESP – O Brasil tem 1.942 municípios suscetíveis a desastres associados a deslizamentos de terras, alagamentos, enxurradas e inundações, segundo estudo feito pelo governo federal em 2024. Com foco nesse problema, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a FAPESP e uma série de parceiros do setor público e privado inauguraram na terça-feira (19/05) o Centro de Ciência para o Desenvolvimento Cidades Resilientes a Inundações. O objetivo do projeto é gerar soluções tecnológicas e subsidiar políticas públicas para minimizar o problema.
“O município de São Paulo é um grande laboratório para mostrar como em um pequeno pedaço do território temos várias realidades distintas. Para enfrentar um desafio desse tamanho é preciso trabalhar em rede”, disse o coordenador do centro, Filipe Falcetta, pesquisador da unidade Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente do IPT.
Além do instituto e da FAPESP, entre os parceiros estão a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI), a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo (SDUH), SP Águas, Metrô-SP, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Insper, Universidade Mackenzie, Uninove e instituições internacionais.
A parceria prevê o investimento de R$ 15 milhões da FAPESP e o mesmo valor em contrapartidas dos outros parceiros. Segundo Anderson Ribeiro Correia, diretor-presidente do IPT, o objetivo é trazer o que há de mais moderno em soluções para inundações, trabalhando em parceria com as comunidades.
“Entre os parceiros, temos ainda empresas que vão testar tecnologias que futuramente poderão ser incorporadas nas soluções do problema”, afirmou.
Para o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) são “um grande movimento de ciência e tecnologia no Estado de São Paulo e um exemplo para o país”.
Atualmente, a Fundação apoia 83 CCDs, num total de R$ 571 milhões investidos no programa. Cinco editais já foram lançados e mais um deve ser publicado no fim do ano.
“É um programa voltado para solucionar problemas enfrentados pelo poder público que possam ser resolvidos com ciência e tecnologia. Os centros contemplados têm apoio inicial de cinco anos. Isso só é possível porque a FAPESP tem previsibilidade de orçamento, que permite projetos com essa duração e mesmo de dez anos, como é o caso dos CEPIDs [Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão]”, afirmou Zago.
Inundações
O evento contou ainda com duas palestras magnas. Na primeira, o urbanista Valter Caldana, coordenador do Laboratório de Projetos e Políticas Públicas da Universidade Mackenzie, destacou como o centro é um reconhecimento da importância de a produção de conhecimento e a cidade “se abraçarem”.
“Temos de resgatar a pequena escala. Se para cada grande obra de infraestrutura houvesse uma contrapartida do mesmo valor em várias pequenas intervenções baseadas na natureza, teríamos grande parte dos nossos problemas de inundação resolvidos”, disse.

Valter Caldana, coordenador do Laboratório de Projetos e Políticas Públicas
da Universidade Mackenzie (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
Nesse mesmo espírito, Tatiana Tucunduva Philippi Cortese, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e professora da Uninove, levou para o público conceitos como o de “Build Back Better” (reconstruir melhor, numa tradução livre), que neste contexto consiste em recuperar construções destruídas por desastres naturais, por exemplo, incorporando tecnologias que aumentem a resiliência para futuros eventos climáticos extremos.
Cortese lembrou ainda da necessidade de fortalecimento das redes de cooperação entre os diferentes atores, reforçando a dimensão humana do trabalho a ser executado por centros como o Cidades Resilientes a Inundações.

Tatiana Cortese, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados da USP (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
Fonte ==> Folha SP