Era para ter sido um momento de glória para a Blue Origin: o reuso inaugural do primeiro estágio do seu foguete New Glenn, replicando com sucesso o que a concorrente SpaceX vem fazendo há mais de um década. De fato, o lançamento do domingo passado (19) cumpriu essa promessa: o primeiro estágio, já em seu segundo voo, decolou, separou-se e retornou para um pouso na balsa. O problema é que a principal missão do foguete, colocar sua carga útil na órbita correta, falhou.
Por um problema no segundo estágio, o satélite Bluebird 7, da AST SpaceMobile, entrou numa órbita baixa demais, tornando-o inutilizável e condenado a reentrar na atmosfera terrestre em questão de dias. Como é praxe nesses casos, o lançamento tinha seguro, e a empresa recuperará parte do prejuízo. Também não chega a ser uma surpresa encontrar um problema em um modelo de segundo estágio que está apenas no seu terceiro voo.
O drama, na verdade, é que os Estados Unidos têm pressa, em meio a uma corrida contra a China pela Lua, e o New Glenn tem um papel importante a cumprir nessa disputa. Como o mais poderoso lançador da Blue Origin, ele seria o responsável pelo lançamento do módulo lunar Blue Moon Mk. 2 que pode ser o responsável pela realização da missão Artemis 4, designada para levar astronautas à superfície lunar em 2028.
Antes disso, o foguete deveria, em questão de semanas, lançar o Blue Moon Mk. 1, pousador robótico que testaria muitas das tecnologias necessárias a uma futura alunissagem tripulada. Com a falha, essas semanas se converteram em meses —tempo de que a Nasa pode não dispor se quiser mesmo chegar antes dos chineses.
A outra fornecedora de módulos de pouso para astronautas, a SpaceX, também está atrasada. Faz mais ou menos 12 semanas que ela está a seis semanas de lançar o próximo protótipo do veículo Starship. Com a pressão por resultados, a companhia decidiu ser mais cuidadosa na preparação do lançador e, com isso, evitar ter de repetir etapas no processo de qualificação. É a pressa que atrasa, não sabemos ainda se com bons ou maus resultados.
Além dos módulos de pouso, faltam os trajes espaciais para as missões lunares. A exemplo dos primeiros, a Nasa decidiu contratar os segundos comercialmente. Duas empresas se dispuseram, a tradicional Collins e a novata Axiom. A primeira desistiu, a segunda segue trabalhando. Eles precisam estar prontos em 2028, e ser testados antes na Estação Espacial Internacional, mas um relatório do Escritório do Inspetor Geral da Nasa recentemente jogou água nesse chope. “Baseado em nossa análise, se a Axiom experimentar atrasos de testes e design em linha com a média história para programas de voo espacial recentes, as demonstrações da Artemis e da ISS podem não acontecer até 2031.”
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, garante que não é esse o caso e que a agência está trabalhando com a Axiom para agilizar o desenvolvimento e que os trajes estarão prontos quando estiverem prontos para pousar na Lua, em 2028. Nesse caso, é bem possível que ele esteja certo. Mas a essa altura são desafios em cima de desafios se empilhando para que a Nasa cumpra os prazos. Serão superáveis? Um bom primeiro teste já virá no ano que vem, com a missão Artemis 3. Veremos se ela ocorrerá de fato e em que termos.
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Fonte ==> Folha SP – TEC