Muitas organizações investem pesadamente em tecnologia, mas ainda lutam para traduzir esses investimentos em progresso mensurável. Para Michael Rustomconsultor de soluções tecnológicas de longa data, a questão não é o acesso a ferramentas inovadoras – mas sim como as empresas integram a tecnologia na tomada de decisões, na responsabilização e na execução diária. Nesta conversa, Rustom explica como as equipes de liderança podem usar a tecnologia de forma mais eficaz dentro de suas organizações para apoiar as metas corporativas e o crescimento sustentável.
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P: Quando as empresas dizem que querem “usar a tecnologia para crescer”, o que geralmente querem dizer? E onde você vê esse pensamento dar errado?
MICHAEL RUSTOM:
Na maioria das vezes, é uma afirmação imprecisa. O que eles geralmente querem dizer é que desejam que a tecnologia conserte algo como crescimento lento, falta de visibilidade ou desalinhamento entre equipes. Mas eles não definiram como realmente é o sucesso. O erro é tratar a tecnologia como uma estratégia e não como uma ferramenta. O software não cria crescimento por si só. O crescimento vem de melhores decisões, feedback mais rápido e execução consistente. A tecnologia deve apoiar diretamente esses resultados. Se a liderança não conseguir apontar uma decisão específica que irá melhorar devido a um sistema, então o investimento já está desalinhado. Muitas vezes vejo empresas adotarem novas plataformas, mantendo os mesmos hábitos. Eles ainda confiam na intuição, ainda debatem números nas reuniões. Eles estão reagindo em vez de planejar. Nesse caso, a tecnologia apenas adiciona complexidade sem alterar nenhum comportamento que os impedia em primeiro lugar.
P: Quando você começa a trabalhar com uma equipe de liderança, qual é a primeira coisa que você avalia internamente?
MICHAEL RUSTOM:
Começo observando como as informações fluem pela organização. Não quais sistemas eles possuem, mas como os dados realmente passam da linha de frente para a liderança e vice-versa. Em muitas empresas, os dados existem em silos. Vendas tem uma versão, operações outra e finanças outra. Cada equipe está otimizando localmente, mas a liderança fica juntando fragmentos. Isso retarda as decisões e cria tensão porque as pessoas não estão alinhadas com os mesmos fatos. O objetivo é criar uma imagem operacional compartilhada. Não um dashboard enorme com tudo, mas um pequeno número de métricas que refletem as reais prioridades da empresa. Assim que essas métricas estiverem visíveis, você terá reuniões e debates mais produtivos e a produtividade aumentará quase imediatamente.
P: Como a tecnologia pode ser usada para melhorar a execução?
MICHAEL RUSTOM:
A tecnologia tem como objetivo melhorar a clareza em torno de metas, propriedade e métricas para o progresso. Por exemplo, se uma empresa tem uma meta de crescimento, a tecnologia deve ajudar as equipes a ver, momento a momento, se as ações estão contribuindo para essa meta. Quando as pessoas conseguem ver a conexão entre o que fazem e o resultado que preocupa a empresa, o desempenho se torna muito mais consistente. Outra coisa que muitas vezes é esquecida são os ciclos de feedback. A tecnologia deve encurtar o tempo entre a ação e o insight. Se as equipes só perceberem que algo não está funcionando no final do trimestre, já será tarde demais. Os sistemas que revelam questões problemáticas antecipadamente permitem que os líderes se ajustem sem pânico ou correção excessiva.
P: À medida que as empresas crescem, como é que a sua relação com a tecnologia precisa de mudar?
MICHAEL RUSTOM:
As empresas em estágio inicial dependem fortemente da intuição, e isso é apropriado. Os fundadores estão próximos dos clientes, produtos e problemas. Mas à medida que a organização cresce, essa intuição torna-se menos confiável porque ninguém mais vê o sistema como um todo. Nesse estágio, a tecnologia passa a ser menos uma questão de velocidade e mais de coordenação. Você precisa de sistemas que garantam que as equipes sigam na mesma direção, mesmo à medida que a complexidade aumenta. É aqui que as empresas muitas vezes enfrentam dificuldades porque atrasam a formalização dos sistemas. As pessoas naturalmente temem muita burocracia e consideram o dimensionamento caótico e estressante. A chave é construir estrutura suficiente para apoiar o crescimento sem o abrandar. A tecnologia deve atuar como tecido conjuntivo e não como mecanismo de controle. Quando bem feito, na verdade aumenta a autonomia porque as pessoas não precisam de supervisão constante para permanecerem alinhadas.
P: Como saber quando a tecnologia está realmente agregando valor dentro de uma organização?
MICHAEL RUSTOM: Observo a qualidade das decisões que estão sendo tomadas e a velocidade com que elas são tomadas. Os líderes estão gastando menos tempo discutindo sobre dados e mais tempo agindo com base neles? Há menos problemas aumentando porque as equipes podem resolvê-los mais cedo? Outro sinal confiável é o foco. Sistemas eficazes ajudam as empresas a dizer “não” mais rapidamente. Quando a tecnologia esclarece as prioridades, as equipes param de perseguir todas as oportunidades e começam a investir energia onde é mais importante. Em última análise, o sucesso não consiste em ter as ferramentas mais avançadas. Trata-se de saber se a tecnologia ajuda a organização a executar a sua estratégia com menos atrito. Quando isso acontece, o crescimento deixa de parecer forçado e passa a parecer merecido.
Fonte ==> Startups Magazine