Quando consideramos a faixa dos celulares entre R$ 1.000 e R$ 1.200, o modelo mais barato da linha de smartphones acessíveis da Xiaomi, o Redmi Note 15 4G, até faz sentido. As especificações dele estão no nível de outros lançamentos desse segmento do mercado, com algumas vantagens boas e outras desvantagens chatas, mas o design é caprichado o suficiente para garantir que você sinta que tem um aparelho de mais qualidade. Talvez isso até compensasse pagar um pouco a mais dependendo da pessoa.
O problema é que, aqui no Brasil, mesmo na versão 4G – a menos cara da família –, o aparelho foi lançado muito acima disso. Tanto que seria muito fácil nem olhar direito para ele e bater o martelo de que novamente a estratégia da marca para nosso país está completamente errada, como eu falei no review do Xiaomi 15T. O aparelho em si é bom dentro da linha para a qual foi pensado, mas quando chegou aqui, esse posicionamento parece ter sido completamente esquecido ou ignorado.
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Agora que passei quase duas semanas usando o Redmi Note 15 como meu aparelho pessoal, posso falar o que achei sobre todos aspectos em que ele realmente manda bem, ou nem tanto, para que você entenda a afirmação sobre o valor dele.
O design curvo e premium compensa a fragilidade do material?
Vamos começar dando crédito onde ele é merecido, mas sem deixar de fazer as devidas ressalvas. O design do Redmi Note 15 traz muita coisa bonita que normalmente só vemos em aparelhos intermediários premium no passado: a tela é em vidro curvo e o corpo é em plástico de ótima qualidade. Ele não é pesado e o acabamento arredondado encaixa bem na mão, sem pontas incômodas. O visual do aparelho é todo simétrico e bonito, e a Xiaomi também destaca sua resistência, que inclui certificação IP64 contra poeira e água – mas só na forma de respingos, não garantindo proteção contra submersão.
- Materiais: frente de vidro, corpo e traseira em plástico;
- Proteções: certificação IP64 contra poeira e líquidos;
- Dimensões (L x A x P): 7,54 x 16,4 x 0,78 cm (mais espesso nas câmeras);
- Peso: 184 gramas.
Só que por mais que a Xiaomi ressalte no marketing que o Redmi Note 15 é um aparelho resistente, o fato é que todo celular com tela de vidro está sujeito a trincar o display se cair do jeito errado – e aparelhos com telas curvas têm justamente nessas laterais de vidro dobrado uma área mais suscetível a esse tipo de dano. Dessa forma, a recomendação é usar sempre uma capinha com ele, o que a marca fez muito bem de incluir na caixa. O acessório vem em um modelo cinza feio na minha opinião, que parece o mais básico possível, mas é indispensável mesmo assim.
A tela AMOLED e o som estéreo entregam uma boa experiência multimídia?
Outro ponto em que o Redmi Note 15 manda bem é a tela em si. Ele tem um painel AMOLED grande, com 6,77 polegadas, o que traz ótimas cores e tons de preto. A resolução é Full HD para boa definição nas imagens. A taxa de atualização vai até 120 Hz para garantir movimentos fluídos. E o pico de brilho de 3.200 nits ajuda no uso em situações com ambiente bem iluminado, por mais que o valor típico do 800 nits não garanta sempre a experiência ideal sob Sol forte.
- Tela: AMOLED com 6,77”, resolução FHD+ (2392×1080 pixels), 120 Hz e pico de brilho de 3.200 nits (800 nits em uso típico).
O som estéreo também agrada aqui, com boa qualidade em geral e pouca distorção perceptível nos volumes mais fortes. Juntando o áudio com a tela, a experiência audiovisual não deixa a desejar. É um bom aparelho para redes sociais, vídeos e até um filme ou série de vez em quando.
A bateria grande garante autonomia para mais de um dia?
Completando o trio de pontos fortes do Redmi Note 15, a bateria dele tem 6.000 mAh de capacidade. É um número grande considerando o que a maioria dos aparelhos trazia até ano passado, especialmente nos modelos mais básicos. E isso se traduz em ótima duração: no meu dia de uso mais intensivo, ele chegou ao fim do dia quase morto, com cerca de 5% de carga sobrando, mas isso com mais de 9 horas de tela ligada, incluindo 3 horas e meia de uso do GPS. É um resultado muito bom.
- Bateria: 6.000 mAh com recarga rápida de 33W.
É possível acabar com a bateria dele mais rápido? Sim. Jogos exigentes e online são o ponto fraco do Redmi Note 15 4G, então se você abusar um pouco disso vai precisar fazer uma recarga no meio da tarde. No entanto, isso é menos uma falha da bateria do que uma fraqueza do processador dentro do aparelho. Entro em detalhes sobre isso mais abaixo.
Antes, vale mencionar ainda a recarga com o carregador de 33W incluso na caixa, que leva o Redmi Note 15 de zero a 100% em aproximadamente 1 hora e 15 minutos. É rápido, especialmente considerando o tamanho da bateria, por mais que não chegue naquele território “Uau” dos aparelhos com carregadores mais potentes.
E tem ainda recarga reversa de 18W para usar o smartphone como powerbank se por algum motivo você desejar. O único requisito que pode ser um obstáculo para isso será possuir um cabo USB-C nas duas pontas, já que o cabo que vem com o celulare é USB-C de um lado, mas USB-A do outro.
O processador Helio G100 Ultra aguenta o tranco no dia a dia?
Mencionei o hardware, então vamos detalhar isso, porque nesse ponto já começamos a sair do território do “está legal” e começamos a entrar no do “eh… está okay”.
O processador do Redmi Note 15 4G é o MediaTek Helio G100 Ultra, que sinceramente não sei dizer o que traz de diferente em comparação ao G99 que vem no Samsung Galaxy A17 4G. Mesmos núcleos, mesmo clock, mesma GPU, mesmo desempenho aceitável para mensageiros, redes sociais e uso geral cotidiano, com só uma engasgadinha ou outra de vez em quando. Nos jogos, ele até consegue rodar títulos pesados com gráficos no mínimo e performance tolerável, mas não dá para dizer que o desempenho é bom. Você também geralmente precisa aguentar tempos grandes de loading.
Hardware
- CPU: MediaTek Helios G100 Ultra (6 nm, octa-core 2×2,2 GHz + 6×2,0 GHz);
- GPU: Mali-G57 MC2;
- RAM: 8 GB LPDDR4X;
- Armazenamento: 256 GB UFS 2.2.
Aqui no Brasil, esse modelo 4G chegou apenas na versão com 8 GB de RAM e 256 GB de espaço interno, o que dá para expandir usando um cartão microSD se você não fizer questão de colocar dois chips de operadora na bandeja.
- Conectividade: 4G, WiFi 802.11 a/b/g/n/ac, Bluetooth 5.3 e navegação (GPS, Glonass, Galileo, BDS e QZSS).
Para muitas pessoas – especialmente quem mora fora das grandes capitais–, a falta de suporte às redes 5G talvez não soe como algo muito importante. Ainda assim, vale ressaltar que a versão 5G do Redmi Note 15 vem não só com um processador um pouco melhor no geral, mas também tem uma câmera ultrawide na traseira, o que falta aqui. Aliás, vamos falar das câmeras desse.
A câmera de 108 MP entrega fotos de qualidade ou é apenas marketing?
Na frente, o Redmi Note 15 traz uma câmera de selfies competente de 20 MP. O alcance dinâmico (HDR) não é perfeito, mas ela tira fotos detalhadas e com boas cores de dia, e até surpreende no escuro com o modo noturno automático desde que você não ligue o recurso de usar a tela como flash, porque isso estranhamente faz o foco e cores das selfies piorarem e os ruídos aumentarem.
- Câmera frontal: 20 MP e f/2.2.
Na traseira, por mais que o design do módulo passe a impressão na primeira vista de que ele traz três ou quatro sensores, a realidade é bem diferente disso. Aqui temos um sensor principal de 108 MP, sem estabilização óptica – o que também vem só no modelo 5G. Junto dele há um sensor de profundidade, outro sensor auxiliar e o LED de flash. Ou seja, na prática, o Redmi Note 15 4G traz somente uma câmera na traseira. É o mesmo estilo de design “criativo” que a Motorola (e sua dona Lenovo) adotou nas câmeras traseiras do Moto G56. Parece que as chinesas desistiram dos sensores macro de encher linguiça e resolveram só maquiar mesmo para pegar os desatentos.
Câmeras traseiras:
- Principal: 108 MP, f/1.7, 24 mm e PDAF.
- Sensor de profundidade: 2 MP e f/2.4.
Com o sensor principal, é possível tirar fotos boas durante o dia desde que você não seja muito exigente com o HDR, e de noite também saem registros postáveis nas redes sociais – é só não dar zoom, o que rapidamente expõe a queda no detalhamento. Megapixels não são tudo, então mesmo que a marca afirme que o crop do sensor para zoom de 3x garante a mesma qualidade de um sensor ótico, a prática mostra que não é bem assim.
Nos vídeos, a resolução máxima é Full HD, com limite de 30 quadros por segundo na câmera frontal e 60 fps na traseira – gravação em 4K é mais uma capacidade que aparece apenas do modelo 5G para cima na família Redmi Note 15. Além disso, a estabilização ótima faz falta no modelo 4G também.
- Vídeo: 1080p@60fps traseira e 1080p@30fps frontal.
Como está a experiência de uso do software HyperOS 2.0 (Android 15) nos celulares da Xiaomi?
O Redmi Note 15 vem rodando de fábrica o mesmo HyperOS 2.0 do Xiaomi 15T, que é a versão da marca para o Android 15. Só que diferente do primo mais caro, esse aqui ainda não recebeu update para o sistema mais atualizado. Aliás: a promessa é que ele ganhe 4 updates grandes do software e 6 anos de atualizações de segurança, o que é bom, mas ainda peca comparado com rivais como a Samsung, que promete 6 versões do Android mesmo nos celulares básicos.
- Software: HyperOS 2.0 (Android 15).
A experiência do sistema da Xiaomi aqui é muito parecida com a do primo mais caro, para o bem e para o mau. O software continua familiar para que curte Android, só que mais customizável tanto para fãs do estilo MiUI antigo quanto quem quer mais liberdade. Além disso, o Redmi Note 15 também vem com Gemini, Circule para pesquisar e uma ou outra função de edição de imagens com IA no app de Galeria – mas o resultado aqui sinceramente não tende a ficar bom.
A usabilidade do software é familiar tanto para quem já está acostumado com versões recentes do Android em geral quanto com softwares da Xiaomi especificamente. Você pode organizar seus apps com ou sem gaveta de aplicativos e tudo funciona perfeitamente em português. Também é possível usar o emissor infravermelho embutido para controlar TVs, aparelhos de ar-condicionado e outros tipos de dispositivos não-smart usando o celular.
No entanto, também marcam presença o já tradicional conjunto de chateações típicas do sistema da Xiaomi: um monte de apps inúteis pré-instalados que não são tão fáceis de desinstalar quanto poderiam e propagandas para todo lado no sistema que você precisa fuçar para desativar. É triste para uma empresa que começou fazendo uma versão do Android para quem queria uma experiência melhor, mas é a realidade, infelizmente. Fica bom depois que você elimina os incômodos.
Vale a pena pagar o preço oficial pelo Redmi Note 15 4G no Brasil?
O Redmi Note 15 tem bom design, ótima experiência audiovisual e bateria, e o resto dos recursos e hardware do são pelo menos OK. Parece uma boa receita para um aparelho na faixa entre os R$ 1.000 aos R$ 1.200. E nos mercados onde ele lançou por algo próximo disso e pode competir com um Galaxy A17 4G da vida, aí o Redmi Note 15 4G realmente veio como uma boa pedida.
Só que o nosso país não é para amadores, nem é fácil para amantes da tecnologia. Por aqui, a Xiaomi do Brasil (que é controlada pela DL), lançou o Redmi Note 15 4G por R$ 2.799. Ou seja: o modelo mais barato dessa família de intermediários da submarca teoricamente acessível da gigante chinesa foi lançado custando mais do que muito smartphone considerado intermediário premium.
- Preço oficial: R$ 2.799,99.
É difícil pensar em um aparelho da Motorola ou Samsung acima dos R$ 1.400 que não consiga superar esse aqui em praticamente tudo – e mesmo os que estão abaixo disso não ficam muito atrás. No review do Galaxy A17 5G eu falei que ele era uma cilada da Samsung porque era quase igual ao A16, mas custava mais caro. Só que se a estratégia de uma grande concorrente potencial como a Xiaomi está nesse caminho no Brasil, a Samsung tem algum motivo real para se esforçar muito mais? Não acho que tenha.
A situação me passa a mesma sensação de quando lançaram aparelhos fracos e caros com a marca Nokia por aqui só para tirar vantagem dos fãs da marca que compram por lealdade sem pesquisar. Saudades da época em era fácil importar celular bom e barato da Xiaomi.
O que você achou do Redmi Note 15 4G? Tem algum ponto importante que deixei de considerar? Você consegue pensar em alguma justificativa que faça esse aparelho fazer algum sentido por esse preço? Compartilhe suas ideias e perguntas nos comentários abaixo.
Fonte ==> TecMundo
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