A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, afirmou nesta quarta-feira (28) que seus gastos de capital podem quase dobrar neste ano, chegando a até US$ 135 bilhões, como parte de uma estratégia agressiva de investimentos em inteligência artificial.
Ainda assim, a divulgação de uma receita recorde fez as ações da companhia subirem mais de 10% nas negociações após o encerramento do pregão.
A empresa projetou investimentos entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em 2026, bem acima das estimativas de analistas, de cerca de US$ 110 bilhões. Em 2025, os gastos de capital da Meta somaram US$ 72 bilhões.
A receita avançou 24% no quarto trimestre, na comparação anual, para US$ 59,9 bilhões, superando a expectativa do mercado, de US$ 58,4 bilhões. O lucro líquido subiu 9%, para US$ 22,8 bilhões, também acima das projeções, que apontavam US$ 21 bilhões.
Os resultados robustos parecem ter reduzido a pressão de Wall Street para que a Meta justificasse seus investimentos bilionários em IA, o que impulsionou os papéis da companhia.
Em teleconferência com investidores, o CEO Mark Zuckerberg afirmou que o crescimento foi impulsionado por uma “demanda recorde no período de festas e ganhos de desempenho gerados por IA”.
“Estamos vendo agora uma aceleração significativa da inteligência artificial. Espero que 2026 seja um ano em que essa onda avance ainda mais”, disse.
Zuckerberg intensificou a aposta da Meta no desenvolvimento do que chama de “superinteligência pessoal”, numa tentativa de reduzir a distância em relação a rivais como OpenAI e Google na corrida por modelos de alto desempenho.
Segundo ele, a empresa começará a lançar, nos próximos meses, novos modelos e produtos de IA que devem “expandir gradualmente as fronteiras” da tecnologia ao longo do ano.
A Meta projeta despesas totais entre US$ 162 bilhões e US$ 169 bilhões em 2026, impulsionadas principalmente por investimentos em infraestrutura e talentos voltados à inteligência artificial.
No último balanço, divulgado em outubro, investidores penalizaram a empresa após Zuckerberg anunciar planos de ampliar os gastos com data centers. As ações caíram mais de 11% no dia seguinte, eliminando cerca de US$ 208 bilhões em valor de mercado.
Desde então, o executivo dobrou a aposta. No início deste mês, criou a iniciativa Meta Compute, focada na construção de “centenas de gigawatts” de infraestrutura para IA ao longo das próximas décadas. Um único gigawatt de capacidade de data center custa dezenas de bilhões de dólares e consome energia equivalente à produção de um reator nuclear.
Também neste mês, Zuckerberg nomeou a executiva do Goldman Sachs Dina Powell McCormick como nova presidente e vice-chair da Meta. Ela será responsável por desenvolver parcerias com governos e fundos soberanos para financiar e viabilizar data centers ao redor do mundo.
Ao mesmo tempo, a empresa vem reduzindo investimentos em outras áreas, como o metaverso, que segue gerando prejuízos. Em janeiro, a Meta cortou cerca de 1.500 postos de trabalho nessa divisão e encerrou diversas iniciativas e estúdios de jogos em realidade virtual.
A companhia afirmou que quer concentrar esforços em dispositivos vestíveis com IA, como os óculos inteligentes Meta Ray-Ban e protótipos de óculos de realidade aumentada.
Fonte ==> Folha SP – TEC