Menos de 24 horas após concluírem a primeira missão tripulada à Lua no século, os astronautas da Artemis 2 participaram de um evento de boas-vindas em Houston, no Texas. Eles riram e se emocionaram. E um deles disse ainda não ter processado o feito que alcançaram.
Os americanos Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, Christina Koch, 47, e o canadense Jeremy Hansen, 50, tornaram-se os humanos a viajar mais longe da Terra.
“Não faço ideia do que dizer”, afirmou Wiseman, comandante da Artemis 2 e o primeiro a falar. “Estamos conectados para sempre e ninguém aqui vai ter ideia do que passamos juntos.”
Em seguida, ele comentou não ser fácil ficar longe de casa, a milhares de quilômetros de distância. “Antes do lançamento, a sensação é que aquilo é o maior sonho do mundo. Mas, quando você está lá, só quer voltar para sua família e amigos”, disse o comandante da Artemis 2, emocionado. “Ser humano é algo especial, assim como estar na Terra.”
“Eu ainda não processei o que fizemos, e tenho medo de começar a tentar”, afirmou na sequência Glover, o primeiro negro em uma viagem lunar. O piloto da missão, então, agradeceu a Deus e disse ser grato por ter tido a oportunidade de ir ao espaço.
A próxima a assumir o microfone foi Koch. A especialista de missão, a primeira mulher a participar de uma jornada lunar, disse não ter conseguido dormir neste sábado (11).
“O que me impressionou não foi necessariamente a Terra, e sim a escuridão no entorno. A Terra é só um bote salva-vidas flutuando imperturbável no Universo”, afirmou ela.
“Ainda não aprendi tudo o que esta jornada tem a me ensinar, mas uma coisa eu sei: planeta Terra, você é uma tripulação”, emendou ela, fazendo uma referência ao significado que deu para a palavra tripulação no início de seu discurso —um grupo unido e com o mesmo propósito, com pessoas dispostas a se sacrificar uma pelo outra.
O último a falar, Hansen brincou que era o mais distante —a poucos passos no palco— que estava de Wiseman recentemente. O comandante da Artemis 2 levantou-se e caminhou até o canadense e se sentou ao lado dele, arrancando risos do público presente na sala em Houston.
“Vocês não têm ouvido muito a gente falar sobre ciência, sobre o que aprendemos. Isso porque ela está lá e é incrível”, disse Hansen, o primeiro canadense e o primeiro não americano a fazer uma viagem lunar. “Mas é a experiência humana que é extraordinária para nós”, acrescentou.
A plateia era formada por políticos, funcionários da Nasa e familiares dos astronautas.
A próxima Artemis é a 3, prevista para 2027.
O plano da Nasa é testar os módulos lunares desenvolvidos por duas empresas. Uma delas é a Blue Origin, de Jeff Bezos, e a outra é a SpaceX, de Elon Musk.
Essa missão consistirá em um voo em órbita baixa da Terra com astronautas a bordo da cápsula Orion, que deve se acoplar a um dos módulos —ou a ambos.
Só em 2028, depois desse teste, virá a Artemis 4. Para esta missão, o objetivo da Nasa é levar humanos à superfície lunar.
Fonte ==> Folha SP – TEC