O maior deslizamento de terra ocorreu há pouco e perto de nós

Área com deslizamento de terra

Deslizamentos de terra são movimentos de massa de rocha, detritos ou terra que descem uma encosta. Esses eventos geológicos possuem um potencial massivo e devastador. Nos registros históricos, um em particular superou todos os outros em magnitude, e muitos provavelmente você já ouviu falar dele.

O que causa um deslizamento de terra?

  • Em sua essência, deslizamentos são o resultado de um desequilíbrio entre a gravidade e o atrito. Quando a força gravitacional em uma encosta supera as forças de resistência, a estabilidade da encosta é comprometida e um deslizamento ocorre;
  • No entanto, essa simplicidade esconde uma complexidade de gatilhos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) confirma que quase todo deslizamento possui múltiplas causas, envolvendo fatores que aumentam as forças de descida e aqueles que reduzem a resistência do material;
  • Entre os fatores, chuvas intensas ou o aumento do lençol freático na região são cruciais. A água adicional não só eleva o peso do material, mas, também, diminui sua força e o atrito, facilitando a descida. Mudanças no ângulo da encosta, geralmente por erosão, também podem torná-la íngreme demais para se sustentar;
  • Padrões climáticos incomuns, como ciclos de congelamento e degelo, podem reduzir a coesão das partículas de terra e rocha;
  • Além disso, diversas ações humanas contribuem para sua ocorrência, desde a mineração e o desenvolvimento urbano até a remoção de vegetação que, aparentemente inofensiva, pode desvincular o solo, tornando-o mais granular e frágil.

Embora possam ocorrer em qualquer lugar, certas regiões apresentam uma confluência maior dessas condições. Para encontrar o maior deslizamento de terra da história, precisamos olhar para um cenário bastante específico.

Em sua essência, deslizamentos são o resultado de um desequilíbrio entre a gravidade e o atrito (Imagem: seaonweb/Shutterstock)

Conexão vulcânica: deslizamentos e erupções

Deslizamentos nem sempre são extremamente destrutivos, mas se tornam particularmente perigosos quando resultam de eventos geológicos maiores, como terremotos ou atividade vulcânica.

O USGS destaca que cones vulcânicos são propensos a deslizamentos por serem altos, íngremes e enfraquecidos pela ascensão e erupção de rocha derretida.

Múltiplos fatores contribuem para isso: o magma libera gases vulcânicos que se dissolvem na água subterrânea, formando um sistema hidrotérmico ácido e quente que altera os minerais, transformando-os em argila e enfraquecendo a rocha.

Além disso, a massa de milhares de camadas de lava e detritos rochosos fragmentados pode criar zonas de falha com movimentos frequentes.

A intensidade de um deslizamento induzido por vulcão pode transformá-lo em um lahar — fluxo violento e rápido de lama e detritos, semelhante a cimento molhado, capaz de cobrir centenas de quilômetros em poucas horas. Ironicamente, o deslizamento pode até desencadear atividade vulcânica adicional.

O USGS explica que, ao remover uma porção significativa do cone de um vulcão, um deslizamento pode diminuir abruptamente a pressão sobre os sistemas magmáticos e hidrotérmicos rasos, gerando explosões que variam de pequenas explosões de vapor a grandes jatos direcionados impulsionados por vapor e magma.

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USGS destaca que cones vulcânicos são propensos a deslizamentos por serem altos, íngremes e enfraquecidos pela ascensão e erupção de rocha derretida (Imagem: Wirestock Creators/Shutterstock)

O maior deslizamento de terra registrado na história

O maior deslizamento de terra da história registrada resultou da confluência desses fatores. O USGS documenta que um terremoto de magnitude superior a cinco foi acompanhado por uma avalanche de detritos que, por sua vez, aliviou a pressão de confinamento no topo do vulcão ao remover sua criptocúpula.

Essa liberação abrupta de pressão permitiu que a água quente do sistema vaporizasse, expandindo-se explosivamente e iniciando uma explosão hidrotérmica direcionada lateralmente através da cicatriz do deslizamento.

Com a remoção da porção superior do vulcão, a pressão diminuiu sobre o sistema de magma abaixo. Uma onda de despressurização seguiu pelo conduto vulcânico até o reservatório de magma subterrâneo, que, então, começou a subir, formar bolhas (desgaseificar) e entrar em erupção explosiva, desencadeando uma erupção pliniana que durou nove horas.

O mais surpreendente é que tudo isso ocorreu não apenas dentro da história registrada, mas para muitos, em memória viva – e não tão longe de casa. O maior deslizamento de terra da história aconteceu no Monte St. Helens, no Estado de Washington (EUA), há apenas 45 anos.

Foi um evento cataclísmico. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês) descreve o deslizamento gigante no Monte St. Helens em 1980 como o efeito de remover uma rolha de uma garrafa de refrigerante fortemente agitada. Uma vez que o lado da montanha foi removido, os gases vulcânicos explodiram lateralmente, produzindo uma detonação que viajou a velocidades de até 1.072 km/h.

A explosão devastou tudo em seu caminho, matando dezenas de pessoas por asfixia e deixando a área circundante “tão estéril quanto a Lua“, segundo a NOAA. Lama e detritos vulcânicos desceram a montanha em velocidades que seriam ilegais na maioria das rodovias. O deslizamento teve uma profundidade média de 46 metros, atingindo, em alguns pontos, o quádruplo dessa medida.

O USGS registra que o deslizamento atingiu um volume de 2,5 km³, com velocidades entre 50 e 80 m/s, e chegou a subir e transbordar uma crista de 400 metros de altura a cerca de 5 km do vulcão.

Em termos comparativos, o volume equivalia a cerca de mil Grandes Pirâmides de Gizé de fluxo rochoso e lamacento, avançando em direção às populações locais. Centenas de casas, dezenas de pontes e ferrovias foram destruídas, além de uma quantidade de rodovia que cobriria dois terços do Grand Canyon.

Não é de admirar que este evento tenha entrado para a história. E o mais notável é que seus efeitos ainda são visíveis hoje.

A erupção de 1980 despejou quantidades imensas de lama, água e detritos rio abaixo, transbordando margens e inundando vales. Sedimentos obstruíram os canais dos rios Toutle, Cowlitz e, finalmente, Columbia. O USGS explica que a quantidade de sedimentos no rio Columbia foi tão grande que o leito do rio subiu quase nove metros, interrompendo o tráfego de navios e impactando severamente a economia local.

Vista panorâmica do rio Columbia
Atualmente, rio Columbia é um dos que continuam a transportar sedimentos a taxas dezenas de vezes maiores do que antes da erupção (Imagem: Nicholas J Klein/Shutterstock)

Atualmente, esses rios continuam a transportar sedimentos a taxas dezenas de vezes maiores do que antes da erupção. Essa quantidade massiva de sedimento extra ainda representa desafios para a proteção contra inundações e para a pesca. A lição é clara: erupções vulcânicas alteram os sistemas fluviais mesmo décadas depois.

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Fonte ==> Olhar Digital

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